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SEXO
E AMOR NO SÉCULO XXI
Ando
entusiasmado com o que vem acontecendo e com as
perspectivas que estão se abrindo para a vida
afetiva e sexual, assunto central do meu trabalho
desde 1976. Os jovens são os que têm nos mostrado
os fatos novos de forma mais clara. Foram eles que
inventaram o ficar, a troca de carícias sem
compromisso com um parceiro momentâneo.
Compreendem que o amor é algo completamente
diferente do sexo e se sentem muito bem com isso.
O amor corresponde à agradável sensação de paz e
aconchego que nos preenche quando estamos na
presença daquela pessoa muito especial e bem
definida - a mãe, o amigo chegado, a namorada
querida. Distinguem, sem dificuldade, a ternura
típica desses casos do jogo erótico e da excitação
sexual.
Não devemos subestimar a importância
do ficar. Os adolescentes se entretêm com práticas
sexuais descompromissadas que antes somente
ocorriam entre crianças. Os rapazes têm uma
oportunidade extraordinária de conhecer as
manifestações de suas parceiras e vice-versa.
Aprendem a lidar melhor consigo mesmos e também a
se relacionar com o outro sexo. (Por que temos
usado a expressão "sexo oposto"?!).
Presenciamos a diminuição das
tensões que sempre existiram entre os sexos. Elas
eram geradoras da raiva, inevitável quando as
diferenças são muito grandes e evidentes. A
associação entre o sexo e agressividade, base da
tradicional guerra entre homens e mulheres, está
se dissipando. Estamos presenciando o nascimento
de um ambiente verdadeiramente unissex, uma forma
de ser na qual nem os homens irão imitar o modo
tradicional feminino nem as mulheres serão
parecidas com os homens.
O individualismo, que cresceu em
decorrência do avanço tecnológico, determinou o
fim do amor romântico, em que cada um de nós é uma
metade e só se completa com o encontro da outra.
Uma análise superficial parece indicar que essa
mudança é negativa, que estaremos mais sozinhos e
desamparados. Não é como tenho pensado: ao nos
conscientizarmos de que somos inteiros e não
metades, ampliamos muito a liberdade individual.
Vamos aprender a estabelecer relacionamentos em
que o respeito pelas diferenças substituirá a
antiga idéia de que é necessário fazer concessões
para que a vida em comum não se destrua. O
respeito mútuo diminuirá a possessividade e o
excesso de direitos, que os amantes sempre
julgaram ter sobre os amados. Estaremos criando um
novo modo de amar, baseado em sinceridade,
respeito, afinidades e genuína igualdade entre os
sexos. Tenho chamado esse amor de mais amor, mais
do que amor.
As novas vivências sexuais permitem
a fim da hostilidade entre os sexos, e isso
facilita ainda mais o estabelecimento desse modo
de amar. Uma boa relação amorosa cria ótimas
condições para um convívio sexual mais rico ainda.
Penso que homens e mulheres serão, pela primeira
vez, grandes parceiros no século que se inicia.
Apenas um alerta: quem quiser usufruir de tudo
isso terá que crescer muito interiormente e não
deverá descuidar da indispensável e exigente
tarefa de aprimorar ao máximo o auto-conhecimento.
Flávio Gikovate.
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