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Sensualidade não tem Idade
Por Luciana Parisotto
Acho que as reflexões que temos feito sobre o que
torna a mulher sensual estão nos levando a algumas
conclusões importantes. Uma delas é a de que
despertar o desejo sexual por meio do estímulo
visual é uma coisa bastante diferente de ser capaz
de responder plenamente às intimidades eróticas.
Esta segunda capacidade está relacionada ao
crescimento interior, com a certeza de que a mulher
tem autocontrole suficiente para se entregar aos
prazeres sensuais sem se sentir ameaçada. É o prazer
sexual pelo prazer em si, como parte integrante – ou
não – de um envolvimento amoroso mais global.
Esta capacidade de se entregar às trocas de carícias
sem restrições e preconceitos é muito bem recebida
pelos parceiros e isto, é claro, faz um enorme bem à
auto-estima das mulheres. Essa auto-estima
alimenta-se das respostas que obtemos das pessoas
que nos cercam, desde que respeitemos algumas
emoções que levam as pessoas a dar respostas
negativas a gestos que elas admiram. Estou me
referindo principalmente à inveja de algumas
mulheres e à insegurança de alguns homens.
Acontece que a auto-estima relativa à sensualidade
das mulheres não está apenas na dependência das
respostas que elas obtêm de seus parceiros nas
relações íntimas. Infelizmente, somos muito
influenciados pelo outro ingrediente – fortemente
estimulado em nossa cultura atual –, a capacidade de
despertar o desejo visual dos homens em geral. E aí
a aparência física, a perfeição das formas, tem
papel importante.
A mulher poderá fazer, portanto, sua auto-avaliação
como figura sexual por dois caminhos distintos: por
sua performance durante as relações ou por sua
capacidade de atrair olhares de desejo. Se der
crédito ao modo como o tema é encarado pela
publicidade e à reação inicial dos homens, tenderá a
dar maior importância ao segundo aspecto. A
capacidade de despertar desejo visual é imediata, e
também mais superficial, relacionada antes de tudo à
questão da vaidade. Este caminho privilegia a
mocidade e o corpo perfeito.
Aquelas que não se sentem em condições de entrar
nesta competição se apagam, talvez porque não gostem
de se sentir poderosas ou pelo medo do ridículo.
Entre elas estão muitas adolescentes que se acham
imperfeitas, além de mulheres adultas,
principalmente as que se aproximam dos 50 anos de
idade.
É verdade que, no que diz respeito à capacidade de
despertar o desejo visual, elas perdem para as mais
moças. Perdem um pouco por causa das marcas da idade
e muito porque a percepção de que despertam menos
olhares de desejo as faz inibidas, fechadas, com ar
de senhora e roupas correspondentes.
O curioso é que é justamente com a maturidade que as
mulheres atingem a plenitude sexual. Aquelas que
forem capazes de construir sua auto-estima mais em
função do que acontece nas relações íntimas tenderão
a se conhecer como criaturas que estão vivendo o seu
apogeu sexual e não a decadência – como acontecerá
se a avaliação se der em função da aparência. Isto
irá provocar um brilho e um vigor novos que
transparecerão no modo de ser e de se portar. E
mais: será captado pelos homens, o que trarão de
volta os olhares de desejo tão gratificantes à
vaidade feminina. Está criada a mulher madura e
sensual. E esta sensualidade não tem data para
terminar.
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