|
Disfunção do desejo sexual
Feminino
Por Luciana Parisotto
DESEJO SEXUAL HIPOATIVO
"Sinto-me cobrada na cama.
Finjo prazer ou me queixo de dor de cabeça."
Cada vez mais as mulheres
procuram ajuda quando sentem-se desmotivadas
sexualmente. Buscam apoio em amigas, profissionais
da área de saúde, como psiquiatras, psicólogos ou
mesmo ginecologistas. Raramente abrem-se com seus
parceiros por se sentirem ameaçadas na
estabilidade de seus relacionamentos. Muitas
vezes, adotam a velha postura de "luta ou fuga".
Ou seja, ou combatem o seu problema insistindo na
relação sexual, mesmo não prazerosa, fingindo
deleite e orgasmo, (o que deixa o parceiro de fora
da realidade e excluído como apoio), ou fogem do
contato sexual como o "diabo foge da cruz",
queixando-se de dores de cabeça, cansaço e
irritação, (evitando o apoio do parceiro, que
geralmente sente-se rejeitado). Muitas vezes o
problema é deslocado para o companheiro, encarado
como o "inimigo", responsável pela perda do
desejo. A depressão é uma conseqüência freqüente e
o desajuste conjugal é o passo seguinte.
Mas o que é isso?
Chamamos de Desejo Sexual
Hipoativo (DSH) a esse transtorno sexual que
acomete, em média, 35% da população brasileira.
Caracteriza-se por uma diminuição ou ausência
completa de fantasias eróticas e de desejo de ter
atividade sexual. Há dificuldades no envolvimento
com o parceiro, pois este queixa-se de falta de
intimidade ou reciprocidade.
E Diminui Por Quê?
Vários
fatores podem determinar o DSH. Dentre os
fatores orgânicos, devemos dar atenção a
desequilíbrios hormonais. O aumento de prolactina,
a diminuição de testosterona ou de estrogênio,
podem causar uma baixa importante da motivação
sexual. Várias medicações já estão disponíveis
para lidar com esses problemas, como os hormônios
de reposição ou drogas que restituem o equilíbrio
hormonal.
Quando há
infecções na vagina ou nódulos, a melhora destes
quadros, com tratamento apropriado (antibióticos,
analgésicos, lubrificantes, tratamento cirúrgico),
restaura o desejo sexual.
Outro
grande fator de diminuição do desejo é a
Depressão. Quadros de intensa tristeza e
sentimentos de menosvalia acabam com o apetite
sexual. O tratamento desses transtornos com
antidepressivos pode restaurar o prévio desejo
sexual. Infelizmente, grande parte dessas
medicações pode provocar efeitos colaterais
sexuais a curto e a longo prazo, como diminuição
do desejo, impotência, retardo da ejaculação
e anorgasmia. Por essa razão, o tratamento
de Depressão deve ser ministrado e acompanhado
pelo psiquiatra. Existem algumas medicações que
podem ser prescritas como "antídotos" para esses
efeitos colaterais sexuais. Dessa forma, a pessoa
pode se beneficiar do tratamento para depressão,
sem prejudicar sua vida sexual.
Os
fatores sociais e psicológicos têm muito peso
no DSH. A forma de criação das mulheres nos países
ocidentais, com muita repressão e influências
culturais negativas no que tange à sexualidade,
trouxe profundas conseqüências para a vida
sentimental e sexual feminina. A mulher não é tão
estimulada a se ver, a se tocar e a se conhecer
sexualmente quando comparada ao homem. Educava-se
para não permitir que a sexualidade feminina
viesse à tona. Após a revolução sexual dos anos
60, houve uma tentativa de inversão desses
valores. No entanto, busca-se ainda hoje um meio
termo, um equilíbrio para a real identidade
feminina.
É comum o
conflito entre ser uma mulher maternal e também
sexual, como se fossem funções incompatíveis. As
queixas de baixa libido e depressão não são raras
após o parto. O casal pode começar a se desajustar
mesmo durante a gravidez. A mulher passa a se ver
e a ser vista como um ser idolatrado, puro,
destituído de atrativos sexuais. Passa a negar o
lado sexual em prol de ser mãe.
Situações
traumáticas de abuso sexual, mensagens
anti-sexuais durante a infância, culpas,
comportamento sedutor por parte dos pais,
dificuldade em unir amor com sexo em si mesma
(esposa X prostituta), raivas entre o casal e
competição temida com o pai ou mãe, entre outras,
são fontes de baixa libido nas mulheres.
Possíveis Soluções:
O DSH é
uma das disfunções mais difíceis de se tratar,
pois geralmente acomete o indivíduo por longos
anos, dado que as pessoas resistem muito em
procurar ajuda. É freqüentemente originado por
fatores psicossociais, sendo os raros casos de
organicidade encaminhados para especialistas.
Grande
parte das mulheres pode beneficiar-se de
reeducação sexual, visando a informação e a
permissão sexual. Ou seja, muitas mulheres não
aprenderam a se aceitar sexualmente e a se
conhecer, devendo passar por um processo de
reeducação sexual a nível de consultório. É o que
chamamos de terapia cognitivo-comportamental.
Outras apresentam problemas mais profundos de
auto-estima, de culpas e de repressões. Para esses
casos, a psicoterapia de orientação analítica e/ou
o psicodrama podem ajudar significativamente.
Não
deixe de procurar ajuda. Busque uma alternativa
para sua saúde sexual. |
|