|
Sexo, Transtornos Neurológicos e Diabetes Mellitus
Por Luciana Parisotto
Transtornos Neurológicos
Define-se um Transtorno Neurológico quando a pessoa
sofre alguma lesão em seu Sistema Nervoso Central (SNC),
com parcial ou total paralisia como conseqüência. A
pessoa que sofre tal dano vai comprometer sua vida
em múltiplas funções, entre elas a sexual. No
entanto, a medicina já tem suas armas para melhoria
da qualidade de vida desses indivíduos.
Qualquer crise acidental na vida de alguém (crise
acidental sendo vista como algum acontecimento não
esperado que traz danos à vida) implica em uma
readaptação com novo estilo de vida. A pessoa
geralmente passa por uma fase de negação do que
ocorreu com ela, depois por uma fase de rebeldia,
com muita agressividade voltada a si mesma e aos
mais próximos e depois entra em depressão, uma
tristeza e desesperança profunda, com desmotivação à
vida. É necessário muito apoio dos familiares, acima
de tudo tolerância. A pessoa fica desmotivada ao
sexo também, podendo recuperar o desejo somente
depois de superar tal crise.
Alguns tipos de Transtornos do SNC causados por
acidentes automobilísticos, por exemplo, ocorrem com
jovens ainda em plena atividade sexual e sem filhos.
Muitas famílias se desestruturam também por esse
motivo: medo da incapacidade de ter filhos.
O homem com lesão na espinha dorsal pode ficar
impotente, mas boa parte deles recupera a ereção e
até pode ser capaz de manter relações sexuais. É a
ejaculação que se torna um problema maior. Pode-se
usar a técnica de eletrodos na região do reto para
estimular a saída de esperma, mas geralmente a
quantidade não é suficiente para inseminar
artificialmente a parceira. Existem outras técnicas
disponíveis a um custo maior que possibilitam a
efetiva extração de sêmen para fertilização.
Na mulher a situação é um pouco diferente. Ela pode
engravidar e ter seus bebês mesmo com lesão da
coluna. Ela perde sua sensibilidade clitoridiana e o
orgasmo é muito difícil. Isso não quer dizer
absolutamente que a mulher não tenha desejo algum.
Ela pode usufruir de uma vida sexual satisfatória de
mútuo prazer com apoio de seu parceiro.
Diabetes Mellitus (DM):
Essa doença pode afetar múltiplas funções orgânicas,
inclusive a sexual. Em média, 25% das mulheres e 50%
dos homens apresentam algum tipo de problema sexual
decorrente do Diabetes Mellitus.
Homem:
Pode apresentar impotência sexual parcial ou total,
não conseguindo uma ereção ou não podendo mantê-la
por muito tempo. Pode ser um problema emocional ou
mesmo orgânico (quando a doença é crônica).
O DM a longo prazo pode comprometer o sistema de
vasos sangüíneos e o sistema neurológico periférico.
Nesses casos a prótese peniana tem sido recomendada.
Mas antes dessa medida mais radical, pode-se tentar
uma série de métodos, entre eles algumas medicações
que provocam a ereção (alguns antidepressivos,
algumas drogas injetáveis ou as do tipo do
Sildenafil).
Mulher:
As mulheres com DM sofrem de vulvovaginites de
repetição (infecções na vagina que causam dor,
ardência e muitas vezes coceira). O sexo torna-se
desconfortável e ela passa a evitá-lo, diminuindo
muito seu desejo sexual.
As pesquisas sexuais com mulheres diabéticas são um
tanto complicadas, devido ao fato de sua excitação
não ser aparente como a do homem(que tem ereção). No
entanto, sabe-se que o estímulo clitoridiano deve
ser mais intenso para provocar a excitação.
Recomendações:
Não deixe de colocar suas dúvidas ao seu médico em
relação à sua sexualidade, pois, caso ele não esteja
instrumentalizado para orientá-lo, pode indicar um
terapeuta sexual.
A vida sexual no ser humano vai muito além de um
simples contato pênis-vagina. Muitas técnicas podem
ser utilizadas para manter e aumentar seu prazer
sexual.
Caso não haja comprometimento orgânico, o terapeuta
sexual pode iniciar um tipo de tratamento chamado
cognitivo-comportamental para melhoria da qualidade
da vida sexual do paciente e de sua parceira ou da
paciente e seu parceiro.
Não deixe de lado sua vida sexual. Procure
orientação especializada!
|