|
Sobre o Estudo da Sexualidade Humana
Por Luciana Parisotto
Breve Relato
A curiosidade sobre a sexualidade e os sentimentos
que ela desperta sempre esteve presente ao longo da
história da humanidade. Várias obras de arte da
antigüidade, ou mesmo desenhos pré-históricos
retratam o corpo humano com ênfase nos órgão
genitais (masculinos principalmente). O pênis já foi
idolatrado como o símbolo de fertilidade, de poder e
de liderança pelas mais diversas culturas do globo
terrestre e ainda tem vital importância na
atualidade.
Deus Eros
Referências sobre o estudo do amor e do apetite
sexual podem ser encontradas desde a Idade Antiga,
nos escritos do filósofo Platão. Ele identificava o
deus Eros como o deus do amor e dos apetites
sexuais, deus do instinto básico da vida,
responsável pela atração entre os corpos. Era a
força vital que impulsionava a vida.
Freud referiu-se a esse mesmo deus Eros de Platão
como a Libido, força vital de amor.
Pesquisadores e Estudiosos
Dr. Sigmund Freud, pai da psicanálise, nasceu em
1856, vivendo até 1939. Fez grandes contribuições ao
estudo da sexualidade humana, descrevendo seu
desenvolvimento desde a infância. Foi o primeiro
pesquisador a ousar dizer que as crianças eram
dotadas de sexualidade desde o início da vida, que
se automanipulavam em busca de prazer (prazer
inicialmente oral, depois anal e finalmente
genital). O estudo da sexualidade e de seus
diferentes aspectos desenvolvimentais e clínicos
passou a ter relevância a partir de seu trabalho
intitulado "Três Ensaios Sobre A Teoria Da
Sexualidade". Desde então, uma série de estudiosos,
pensadores e cientistas passou a buscar mais
conhecimento a respeito desse complexo fenômeno
biopsicossocial, tanto com referenciais
psicanalíticos, quanto comportamentais e biológicos.
Charles Darwin, naturalista do século XIX, propôs
uma descendência remota única entre as espécies,
colocando-nos na mesma linhagem dos macacos. Propôs
a seleção natural e a seleção sexual como
responsáveis pela evolução das espécies.
Masters e Johnson (1954), dois pesquisadores
americanos que esclareceram diversos aspectos da
fisiologia da resposta sexual humana, foram um marco
para a compreensão da função sexual. Através de um
grande laboratório humano, descreveram o Ciclo da
Resposta Sexual Humana em quatro diferentes fases, a
saber: excitação, platô, orgasmo e resolução.
Propuseram uma abordagem terapêutica
cognitivo-comportamental para os Transtornos
Sexuais.
Na década de 80 do século passado, Helen S. Kaplan,
uma psicanalista também americana, acrescentou a
fase do desejo sexual a esse ciclo, estabelecendo
uma abordagem terapêutica nova e mais aprofundada
para as disfunções sexuais: tratamentos
psicodinâmico focal e cognitivo-comportamental
combinados. Propôs a existência de um hipotético
centro regulador do desejo sexual, envolvendo
mecanismos neurobiológicos no núcleo hipotalâmico,
no sistema límbico e em outros circuitos neurais,
que estaria alterado nos transtornos dessa fase.
Hoje em dia, acredita-se que este centro regulador
esteja em uma região do cérebro chamada Claustro.
Colaborações da Farmacologia
O avanço na farmacologia clínica também trouxe
colaborações fundamentais para o conhecimento da
neurofisiologia sexual. Algumas drogas com efeitos
serotoninérgicos, como a classe dos inibidores
seletivos da recaptação da serotonina, determinam
diminuição ou supressão total do desejo, propiciando
novas linhas de pesquisa na busca da associação
desse neurotransmissor com a modulação do apetite
sexual. Sabe-se que também atua de forma crucial
para a solicitação e aceitação de parceiros sexuais.
A dopamina foi apontada como essencial para o desejo
sexual.
Estudos Experimentais
Estudos experimentais com animais foram sobremaneira
importantes na investigação tanto da motivação
sexual quanto do comportamento de escolha de
parceiros. Hormônios como a ocitocina e a
vasopressina foram implicados na preferência sexual,
na formação de vínculo, na diminuição de
agressividade e no aumento de comportamento de
proteção à prole. A ocitocina foi arrolada como o
neurotransmissor do amor, do vínculo e da monogamia.
Outros estudos se focalizaram nas mensagens enviadas
pelos pares e nas negociações entre eles para
acasalamento (seleção), levando-se em conta não só o
status de saúde biológica e reprodutiva
(manifestações de uma genética resistente), como
também a qualidade das mensagens enviadas.
Situação Atual
Hoje em dia, muitos caminhos estão sendo trilhados
pelos pesquisadores enfocando diversos aspectos da
sexualidade humana. O desafio está, acima de tudo,
no reconhecimento de um saber primitivo que está
oculto por detrás dessa função tão vital de nossa
vida: uma sabedoria da natureza que determina para
onde e como nossa espécie vai prosseguir no futuro.
|