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Sexo e gravidez
Por Luciana Parisotto
Conflito Esposa-Amante X Esposa-Mãe
A gravidez é um fenômeno diferenciado na vida de um
casal. Hoje, cada vez mais, o homem tende a
participar neste processo ativamente. É comum
encontrarmos homens sentados na sala de espera do
consultório de obstetras, ou mesmo saindo do médico
com suas esposas grávidas. A gestação pode e deve
ser uma etapa vivida a dois.
Tanto os homens quanto as mulheres passam por
adaptações físicas e emocionais, inclusive na sua
relação sexual durante a gestação. Não é raro nos
depararmos com mudanças físicas nos parceiros de
gestantes, como o aumento de peso e, em algumas
situações, intolerância gástrica. Em uma tribo da
Nova Guiné, os maridos, após o parto de suas
esposas, colocam-se prostrados no leito como
mulheres no puerpério (período que segue
imediatamente ao parto), apresentando os mesmos
sintomas que elas, como dor, desconforto,
insegurança, depressão e ansiedade.
O Sexo Muda na Gravidez?
No 1o trimestre não é raro haver uma perda de desejo
sexual por parte das mulheres. Uma 1a fase de
contentamento cega as demais sensações, além das
mudanças iniciais do corpo e dos genitais. A mulher
volta-se para o planejamento de uma vida agora
familiar, e não mais apenas de casal. Existem
algumas fantasias de causar o aborto nesta fase, o
que pode contribuir para a diminuição do desejo no
casal, além de desconfortos comuns como náuseas.
O conflito básico de se colocar na mesma mulher a
figura de mãe e a de esposa-amante pode vir à tona,
não só para a futura mãe como também para seu par.
Algumas pesquisas referem que alguns homens
procuraram pela 1a vez relações extraconjugais nesta
etapa da gestação. Ficam confusos em relação ao
papel de suas esposas. Alguns sentem-se extremamente
enciumados e excluídos, buscando uma terceira pessoa
para contrabalançar sua exclusão do par mãe-futuro
bebê.
O 2o trimestre é demarcado como uma volta do desejo
feminino ao normal, ou até mesmo de maior
intensidade. Algumas mulheres relatam que nesta
fase, o desejo foi o mais intenso de suas vidas,
sentindo-se muito atraentes e felizes. Para o homem,
pode haver o 1o impacto ao perceber, de fato, a
gestação de sua esposa, pois nesse período a barriga
torna-se mais aparente.
O 3o trimestre apresenta maiores desconfortos,
principalmente após o 8o mês. A freqüência urinária
pode aumentar e a barriga muda o centro de gravidade
da mulher, tornando-a um pouco mais desajeitada ao
caminhar. As fantasias voltam, agora de serem
flagrados e espiados pelo feto durante a relação
sexual. Alguns homens temem bater na cabeça do bebê
com o pênis durante a penetração. As posições
assumidas no ato sexual vão se restringindo mais,
havendo preferência pela posição "de ladinho". A
ameaça de aborto é temida, bem como complicações de
parto prematuro. Os casais ficam mais reticentes em
buscar atividade sexual, e alguns até mesmo se
abstêm. Por vezes, a ansiedade nas mulheres por não
haver gratificação sexual pode ser mais lesiva que o
coito, excetuando-se situações onde haja
contra-indicação de atividade sexual pelos riscos de
parto prematuro ou descolamento de placenta, por
exemplo.
No último mês, os obstetras oferecem orientações
contraditórias. Alguns recomendam abstinência até o
final da gravidez, outros apenas na última semana.
Concordam na abstinência se existir algum risco
obstétrico. Alguns recomendam sexo até o final
mesmo, evitando-se ansiedades sexuais por parte da
mulher.
Após o parto, recomenda-se um período de abstinência
até se recomeçar a vida sexual (aproximadamente de 4
a 6 semanas). No entanto, muitos casais mantêm
atividade sexual bem antes disto. A mulher vai
apresentar menos desejo sexual devido a alterações
hormonais, com aumento da Prolactina e também pela
exaustão do pós-parto e dos cuidados iniciais com um
bebê.
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