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Ejaculação precoce
Luciana Parisotto
A Ejaculação Precoce ou Prematura (EP) é um dos
problemas sexuais mais freqüentes nos homens e nos
casais, sendo responsável por 40% das queixas
encontradas em consultório de terapeutas sexuais.
Acontece que a EP é um lugar comum na juventude, em
encontros com parceiros novos ou após algum tempo de
abstinência. Quando se estende pela maturidade e se
torna presente em mais da metade dos encontros
sexuais, torna-se, aí sim, um problema crônico e um
Transtorno Sexual.
O que é uma ejaculação normal?
Do ponto de vista do funcionamento físico a
ejaculação se faz em dois estágios. No primeiro há a
expulsão efetiva do líquido seminal (sêmen) dos
órgãos acessórios de reprodução ? próstata, vesícula
seminal e canal ejaculatório ? para a uretra. No
segundo estágio, há a aprogressão desse líquido por
toda a extensão da uretra até o meato uretral, que é
o orifício na cabeça do pênis por onde sai também a
urina. Acompanha-se desse processo fisiológico uma
sensação subjetiva de profundo prazer conhecida como
orgasmo.
Como saber se tenho ejaculação precoce?
Não existe um tempo específico antes de ejacular
para definir esse problema sexual. A definição está
na percepção, tanto sua quanto de sua parceira, de
que a ejaculação foi mais rápida do que o esperado,
de que não houve controle da ejaculação. As vezes o
pênis nem chega a enrijecer, somente o movimento de
aproximação e o toque do lençol já termina o que
podia ser muito bom e prazeiroso. Por vezes, o homem
mantém a ereção por alguns minutos, começa a
penetrar, mas logo ejacula, ficando insatisfeito e
deixando a parceira "na mão". Sentimentos de culpa e
ansiedade se tornam uma constante. Dificuldades
maiores podem vir em seqüência, como a disfunção
erétil (impotência) e a perda de intimidade no
casal.
Porque ocorre a EP?
Os adeptos de Darwin (evolucionista inglês que
propôs a teoria da seleção natural ? 1859), explicam
que a EP seria uma forma antiga de defesa contra
predadores. Imaginem os primórdios da humanidade,
onde havia centenas de perigos, sendo o "animal"
ser-humano muito frágil e pequeno frente aos riscos
de seu meio ambiente. Aqueles indivíduos que
demorassem muito para ejacular nas suas parceiras
estariam muito mais predispostos a deixar seu flanco
aberto às agressões de inimigos e animais selvagens.
O ejaculador precoce tinha mais vantagens em
terminar logo a inseminação, fugir, deixando também
a "fêmea" escapar, e em inseminar maior número delas
em menor tempo. Desta forma, aumentado a
probabilidade de propagação de seus genes.
Outras razões levantadas como causas da EP seriam:
aumento anormal de sensibilidade da glande peniana,
ansiedade frente ao desempenho sexual, inexperiência
sexual, primeira experiência com parceira que tenha
estimulado um coito rápido e culpa ou sentimentos
negativos à parceira. Raramente há um problema
médico que explique a EP, como a prostatite aguda ou
a esclerose múltipla. Na verdade não existe uma
única causa comprovada cientificamente de EP.
E tem cura?
Existe tratamento, tanto medicamentoso quanto
psicoterápico.
A primeira linha de tratamento é a reorientação e a
reeducação do homem ou do casal quanto à função
sexual normal. Clareiam-se as situações em que se
considera como "normal" o tempo de ejaculação mais
curto ou insatisfatório (comum em jovens, com novos
parceiros, ou após longa abstinência). Quando a EP
se torna persistente, ou seja, aparece em mais da
metade dos encontros sexuais, um tratamento mais
específico se faz necessário.
A Segunda linha terapêutica é o chamado tratamento
cognitivo-comportamental. Constitui-se em uma série
de exercícios e tarefas para serem realizadas em
casa para controle do tempo de ejaculação. Seguem-se
alguns exemplos meramente ilustrativos:
Técnica de distração ? durante o ato sexual o homem
é orientado a fixar o pensamento em alguma situação
que o desligue de sexo, como em morte de alguém, ou
em alguma mulher que não o agrada ou em contas
bancárias. Assim que perceba que a ereção está se
desfazendo, volta a se fixar na parceira. Deve usar
essa distração algumas vezes para poder prolongar o
tempo de penetração antes da ejaculação.
Técnica de compressão: o homem deve comprimir a base
da glande (cabeça do pênis) por 4 a 5 segundos
imediatamente após a primeira sensação de maior
excitação. Com esse procedimento vai dificultar a
entrada de sangue no pênis e retardar um pouco a
ejaculação.
Técnica stop-start: consiste em orientar o homem a
ficar na posição superior à parceira para poder ter
controle do movimento sexual. Deve iniciar a
penetração e parar completamente os movimentos
próximo ao momento de maior excitação. Pode usar a
técnica de distração concomitantemente.
O objetivo destas tarefas é fazer o homem tomar
consciência do momento que antecede o primeiro
estáio de ejaculação, podendo voluntariamente
controlar quando deseja ejacular, evitando
frustração a ele e a parceira.
Pode-se combinar uma terceira linha de tratamento a
esses exercícios: as medicações. Existe uma ampla
gama de medicações que tem como efeito colateral o
retardo do tempo de ejaculação. Tais drogas devem
ser ministradas somente mediante prescrição médica
criteriosa pois possuem vários outros efeitos no
organismo. Alguns deles, por exemplo os
antidepressivos triciclicos são contra-indicados à
pessoas com problemas de ritmo cardíaco. Algumas
medicações tópicas (pomadas) à base de ervas ou
anestésicos não foram comprovadas cientificamente
como eficazes para o tratamento da EP.
De qualquer forma esta disfunção sexual tem bom
prognóstico, ou seja, apresenta bons índices de cura
para a grande maioria dos indivíduos que procura
orientação especializada. Geralmente seis a dez
sessões são suficientes para a melhora da vida
sexual do homem e do casal.
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