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» Amor e Sexualidade |
A Vida Sexual dos Casados
Namorados têm a impressão de que, depois de casados,
a vida sexual será intensa ou até mais agitada, já
que poderão dormir juntos todas as noites. A
realidade, porém, conspira contra esses planos e
quem não estiver preparado para enfrentá-la pode se
decepcionar muito.
Aprendemos com os filmes de amor que, quando um
casal se ama, se casa e vive feliz para sempre. Não
nos informaram dos obstáculos da vida em comum nem
do quanto o sucesso do matrimônio depende do nosso
empenho. Não nos avisaram também que dificuldades do
dia-a-dia podem interferir negativamente no amor e
no sexo. E mais: que os conflitos de relacionamento
dos tempos de namoro tendem a se intensificar no
casamento.
Se não tomarmos cuidado, passaremos as noites
discutindo divergências, problemas familiares e
financeiros e reclamando que não estamos tendo o
retorno que esperávamos do casamento. Vamos nos
esquecer de namorar, de trocar gestos e palavras de
carinho, de transar.
Antes do casamento, separávamos melhor as coisas.
Compartilhávamos os problemas com nossos parentes e
só recorríamos ao namorado para pedir conselhos ou
uma ajuda eventual. Ao se casarem, marido e mulher
contam apenas um com o outro para resolver questões
práticas, mas nem por isso precisam transformá-las
em sua única prioridade. Casais que dedicam mais
tempo a assuntos de pouca relevância amorosa tendem
a descuidar da vida sexual. Relegado a segundo
plano, o sexo perde a prioridade. A situação se
complica ainda mais com o nascimento dos filhos.
Numa primeira etapa, é inevitável que as mães dêem
toda a atenção ao recém-nascido. O instinto materno,
que as impulsiona a cuidar da cria e a protegê-la,
se sobrepõe ao desejo pelo marido. Ainda que
natural, essa diminuição do interesse sexual pouco
antes e logo depois do parto costuma melindrar os
homens. Eles a compreendem, mas não deixam de se
sentir rejeitados. Podem reagir negativamente
demonstrando menos interesse por elas.
Mais do que tudo, é isso que explica o fato de
muitos homens passarem a desejar menos suas mulheres
depois que nascem os filhos. Sentindo-se menos
desejadas e, por isso, menos amadas, elas se apegam
ainda mais aos filhos, alimentando um círculo
vicioso perigoso que pode ser fatal.
Casais que conseguiram se livrar dessa armadilha
conversando longamente, compreendendo e aceitando as
diferenças entre os sexos, terão de se proteger de
outras, criadas pelas próprias crianças. Exigentes,
carentes de atenção e de carinho, os filhos pequenos
atropelam a vida íntima do casal, a menos que os
pais imponham limites. Um dos mais eficazes é
impedir que se acostumem a ficar na cama do casal
até altas horas da noite.
Posturas rigorosas em defesa dos seus direitos e
disposição permanente de recriar e manter condições
propícias para o romance e o erotismo são
indispensáveis para que os jovens pais não caiam na
monotonia do sexo rápido, pobre e reduzido às tardes
de sábado ou domingo. Filhos podem ser encantadores
e desempenhar um importante papel em nossas vidas.
Mas não podem ser impedimento para a união sexual do
casal.
Flávio Gikovate
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