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» Amor e Sexualidade |
O Ciúme e a Sexualidade
O ciúme pode externar-se por muitas formas de
emoções como a ira, humilhação, ansiedade, tristeza,
ódio, decepção e vergonha. Com elementos assim tão
vagos e pessoais, o ciúme é um sentimento complexo,
que desafia uma investigação científica. A ciência
não duvida do ciúme. A psiquiatria reconhece certas
formas extremas de ciúme como um tipo de paranóia
(distúrbio mental caracterizado por delírios de
perseguição e pelo temor imaginário de a pessoa
estar sendo vítima de conspiração). Aliás, parece
próprio do ciúme estar sempre associado a alguma
forma de medo ou insegurança. Tipicamente a pessoa
ciumenta precisa de constante reafirmação de seu
amor-próprio. Em geral, ela desconfia de seu próprio
valor e, por isso, tende a julgar que não é tão
importante e nem bastante amada. Para muitos
cientistas sociais o ciúme só aparece como efeito do
processo pelo qual cada pessoa aprende a conviver
com seus pares dentro da sociedade. Já muitos
psicólogos estão convencidos de que se trata de
impulso inato, talvez relacionado com o processo
biológico de seleção dos parceiros.
O mais provável é que as duas classes de fatores -
sociais e instintivos - possam determinar reações do
ciúme. Nessa hipótese, a tendência ao ciúme seria
impulso latente normal de toda pessoa. Mas a forma
como a pessoa é educada tanto poderia reduzir como
também intensificar essa tendência.
O relacionamento sexual leva a um instinto de posse-
posse do corpo, das atitudes e do pensamento do(a)
parceiro(a).Quando existe a posse de algo se tenta
esconder, não expor, não ser visto ou tocado por
outros, principalmente se este outro for do mesmo
sexo. As atitudes de ciúme levam às vezes a
prejuízos físicos e psicológicos irreparáveis,
chegando até a castrações ou mutilações físicas. O
prejuízo da resposta sexual do casal estará sempre
presente frente a atos de ciúmes intensos, que tira
a liberdade de pensar e de agir do companheiro(a).
As mulheres são mais ciumentas?
O mito social leva a este pensamento, mas este
julgamento talvez resulte de uma falsa interpretação
dos fatos. Por exemplo, crimes passionais cometidos
por mulheres ciumentas atraem muita atenção da
sociedade. Isso pode sugerir que as mulheres estão
mais sujeitas aos desatinos do ciúme. Mas, na
realidade, entre cada dez homicídios cometidos por
ciúme, apenas um ou dois são cometidos por mulheres.
Também outro pensamento a favor de que as mulheres
têm mais razões reais de ciúme é a idéia de que os
homens são notoriamente infiéis. De outro lado, no
casamento tradicional a situação da mulher é,
tipicamente, de dependência material e moral.
Dependência gera insegurança e insegurança gera
ciúme. Segundo o psiquiatra Eduardo Ferreira Santos,
"Geralmente o ciúme masculino é de caráter sexual
enquanto o feminino tem características afetivas. O
homem teme ser "corneado" e nessa postura estão
inseridos a posse, a exclusividade, o tabu da
virgindade e outras marcas da nossa cultura. Por
outro lado ,o ciúme da mulher está ligado ao medo do
homem se apaixonar por outra".
A maioria dos psiquiatras diria hoje que a diferença
entre ciúme sadio e ciúme doentio é uma questão de
grau e de interpretação pessoal do observador.
Alguns sugerem que o ciúme passa a ser doentio na
medida em que chega a comprometer a satisfação de um
relacionamento em diferentes aspectos: social,
moral, sexual e emocional.
É evidentemente "doentio" sentir-se compelido a
manter uma ligação que, em vez de oferecer tais
satisfações, aprisiona a pessoa nos tormentos do
ciúme.
Muitos maridos sentem ciúmes das amigas da mulher,
assim como muitas mulheres sentem ciúmes dos amigos
do marido. Em geral, esse tipo de ciúme não advém de
nenhuma suspeita concreta de infidelidade sexual
(que seria cabível se a pessoa rival ou a infiel
tivesse orientação homossexual).
A causa do ciúme, nesses casos, provavelmente estará
ligada à insegurança da pessoa ciumenta: ela sofre
ansiedade por sentir-se excluída da ligação afetiva
da pessoa amada com alguém.
É relativamente comum, por exemplo, que a mulher
tenha ciúme da amizade entre o marido e uma
companheira de infância ou dos tempos de solteiro. A
mulher sabe que nunca poderá ter papel na história
de vida que os dois comungam. Se não estiver
convencida de seu próprio valor e da importância
afetiva que tem para o marido, a mulher pode
sentir-se vagamente ameaçada e ir acumulando
hostilidade, consciente ou não, contra o marido, seu
amigo ou ambos. Interessante é o seguinte aspecto:
Quem provoca mais ciúme numa pessoa é o rival menos
atraente do que ela. Como em qualquer outra
competição, o rival mais dotado é sempre mais temido
como ameaça; mas, de outro lado, é sempre mais
humilhante ser vencido por um antagonista mais
fraco. Se o marido a trair com uma mulher menos
bonita, de condição social ou moral inferior, menos
elegante ou inteligente, a mulher tenderá a sofrer
mais ciúme do que se a rival for superior a ela no
conjunto de qualidades.
A personalidade da pessoa ciumenta apresenta
características de timidez, sendo também relacionada
com sentimentos de insegurança.
O tratamento do ciúme doentio é possível. Se a
origem do ciúme for algum sentimento de
inferioridade e de insegurança básica da pessoa, é
possível melhorar a confiança dela em si mesma
através das técnicas de psicoterapia e mediante
atitudes corretas de apoio afetivo no meio familiar.
Uma vez reduzido o sentimento de insegurança, talvez
ela consiga alívio para a aflição do ciúme. Só quem
confia em si mesmo pode confiar em outros, de modo
que parece lógico começar pelo fortalecimento da
autoconfiança.
A relação entre amor-próprio e ciúme varia de um
sexo para outro. Quando uma mulher é ciumenta, na
maioria dos casos ela já se sentia insegura ao
iniciar-se a ligação; isto é, desde o começo ela não
estava muito segura de seu próprio valor, tinha
baixo autoconceito. Já entre homens é mais comum
ocorrer o contrário: depois de estabelecida uma
situação causadora de ciúme ele começa a sentir
abalado o amor-próprio e passa a duvidar mais de
suas qualidades.
DR CELSO MARZANO - UROLOGISTA E TERAPEUTA SEXUAL
Pós graduado pela SBRASH em Terapia Sexual e
Professor da Faculdade de Medicina do ABC-SP
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Enquanto psicoterapeutas sexuais e de casais,
os autores se defrontam com muitos
questionamentos de seus clientes no cotidiano
do consultório. Um dos entraves mais
constantes nos relacionamentos afetivos
implica na intersecção de sexo e amor dentro
do casal.
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A Suave Arte de Amar é um guia simples,
prático e sensível para que homens e mulheres
possam alcançar uma vida sexual plena e
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O leitor encontra informação clara e precisa e
técnicas eficazes que o ajudarão a aperfeiçoar
e enriquecer a vida a dois, bem como conselhos
úteis para problemas específicos de ordem
sexual.
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