O caminho para encontrar a sua Alma Gêmea é óbvio...
por: Rosana BragaParece-me que a ânsia de
encontrar a Alma Gêmea tem se tornado, cada vez
mais, desenfreada. Homens procuram incessantemente
uma mulher que os complete, que os tornem mais
inteiros; no entanto, negam esse desejo e se perdem
em meio aos seus próprios paradoxos, às suas
próprias contradições. Da mesma forma, mulheres
procuram, todo tempo, por um homem que lhes faça
felizes, que as tornem mais plenas e que dê um
sentido mais belo para suas vidas. Mas também
aprenderam a mascarar esse desejo e a se conformarem
com relações superficiais, passageiras, que não as
levam a nada e também não acrescentam nada... E
perdidos e confusos por suas contradições internas,
homens e mulheres não percebem que o caminho é
óbvio, mas que o óbvio é, geralmente, mais difícil
de ser compreendido do que o complexo.
Nossas mentes se acostumaram às questões complexas,
cheias de "senão" e "porquê". Quando precisamos
lidar com o óbvio, o simples, não conseguimos chegar
a uma conclusão. Sabe por que? Porque o simples não
tem explicação; necessita apenas de sentimento. Não
fomos treinados para sentir. Quem sente é
considerado tolo, mole, sem juízo. Inteligente e
perspicaz é quem tem habilidade para pensar!
Tolice, bobagem! Somos seres feitos para pensar e
sentir, na mesma proporção; mas como temos vivido
durante séculos voltados para o pensamento, neste
momento precisamos urgentemente de homens e mulheres
capazes de sentir. O planeta está carente de
sentimento, de simplicidade, de amor!
E é exatamente essa ansiedade que criamos em torno
da busca por nossa Alma
Gêmea que torna o caminho sempre mais desconhecido
do que poderia e deveria ser.
O caminho me parece óbvio. Não fácil, mas óbvio! O
próprio nome revela o segredo; preste atenção: alma
gêmea...
Se aparecesse alguém em sua vida e lhe dissesse que
você tem um irmão gêmeo e que vocês se formaram numa
única placenta, o que você tomaria como base para
encontrá-lo? Certamente, levaria em conta o fato de
serem muito parecidos fisicamente e lançaria mão do
conhecimento que você tem de seu próprio rosto, de
seus próprios traços, de seu próprio corpo. Esses
dados você já tem, pois passou a vida inteira se
olhando no espelho, não é?! Se uma manchinha
estranha aparece em sua coxa direita, imediatamente
você percebe, pois está em constante contato com o
seu corpo...
Somente a partir de então sairia à procura desse
irmão, não estou certa? Isso é óbvio! A gente só
procura algo do qual já se tem alguma informação.
Suponhamos que você seja incumbido de encontrar uma
pessoa desaparecida. A primeira coisa que você vai
pedir é uma foto dessa pessoa. É claro! É óbvio!
Mas, no nosso caso, estamos em busca de nossa Alma
Gêmea, ou seja, estamos em busca de uma alma e as
almas, até onde eu sei, não têm forma definida, não
têm cor de pele, enfim, não têm as mesmas
características de um corpo físico.
Portanto, não podemos saber, antecipadamente, se
nossa Alma Gêmea está num corpo branco ou moreno,
alto ou baixo, gordo ou magro, de cabelos lisos ou
cacheados, enfim, não temos informações sobre o
corpo de nossa Alma Gêmea, mas ainda assim podemos
ter informações preciosas sobre a alma dessa pessoa.
Claro! Ela é gêmea da nossa!!! Bidu!
Sendo assim, creio que só existe um caminho que nos
leva a esse encontro, ao encontro de nossa Alma
Gêmea: o de dentro, o que nos leva ao profundo e
verdadeiro conhecimento de nossa própria alma. E se
você não acredita nisso, pense: o caminho é
absolutamente lógico: como você poderá reconhecer
uma alma que é gêmea da sua se você nem olha para a
sua alma, se você não está interessado em conhecer
os cantos mais preciosos e ricos de sua própria
alma. O reconhecimento é impossível!
O mapa do tesouro está em cada um. Ao invés de sair
por aí carregando ansiedade, leve informações
seguras, leve dados claros e precisos. Ao invés de
sair pela vida desembestado e inconsciente em busca
de alguém que não se sabe nada a respeito, o melhor
e mais inteligente é, antes, colher dados que
permitam identificar esse alguém. E só há uma
maneira de fazer isso: conhecendo a si mesmo!
O autoconhecimento é a única ferramenta eficaz para
que o encontro seja certeiro. Estamos falando de
nossa metade... de alguém cuja alma tem muita
semelhança com a nossa...
Você pode estar pensando que já conheceu muitas
pessoas parecidas com você no que se referia ao
jeito de pensar, de agir e de ser, ou seja, pessoas
que tinham a alma com características semelhantes à
sua. No entanto, essas são características fáceis de
se perceber. Com pouco tempo de convivência, podemos
notar tais semelhanças ou diferenças; e eu disse,
antes, que o caminho é óbvio, mas nem por isso,
fácil.
Conhecer a própria alma não é tarefa para alguns
dias ou meses. É tarefa, em princípio, para a vida
toda. Estamos em constante transformação, evolução,
aprendizagem e assimilação. Conhecer a própria alma
exige muito mais do que uma percepção superficial.
Genericamente falando, muitas pessoas são
semelhantes, mas quando conhecemos alguém e,
principalmente, a nós mesmos profundamente, com
interesse e amor, podemos descobrir a magia da
exclusividade. Não existe ninguém igual a ninguém,
nem mesmo os gêmeos, nem mesmo as almas gêmeas. Cada
qual carrega em si algo de individual, de
particular, de ímpar.
Na verdade, o que buscamos numa alma que seja gêmea
da nossa é um nível superior de semelhanças, é
alguém que, apesar de viver sua singularidade, olha
na mesma direção que a gente, caminha com ritmo e
intenções semelhantes às nossas.
Sendo assim, nessa busca serão necessários
sensibilidade, doação de si mesmo e, acima de tudo,
percepções livres de preconceitos e prejulgamentos.
Talvez, a busca leve muito mais tempo do que
gostaríamos. Conhecer a nossa própria alma já é
trabalho que exige muita dedicação e empenho; um
trabalho que, muitas vezes, nos causará angústias,
decepções, dores e amadurecimento.
Quando nos comprometemos com o autoconhecimento,
encaramos de frente todas as nossas características
e isso inclui os defeitos, aquilo que faz parte de
nós e que, na maioria das vezes, preferimos ignorar,
esquecer...
Somos seres de luz e de sombra e, segundo a minha
metade, o meu amor, quanto maior for a nossa luz,
maior será a nossa sombra. E o grande segredo não é
excluir nossa sobra, pois além de impossível, isso
significaria abrir mão também de nossa luz, isto é,
uma não pode existir sem a outra, simplesmente pelo
fato de sermos humanos.
O grande segredo é conhecermos e acolhermos a nossa
sombra. Somente assim, poderemos agir com sabedoria
quando esta sombra vier à tona; somente assim,
poderemos transformar a sombra em luz...
Muitas vezes, apontamos determinado comportamento em
alguém como um defeito insuportável, mas não somos
capazes de perceber que também somos assim... que
também temos defeitos que, ao olhos de alguém, podem
parecer insuportáveis.
Você pode até estar ao lado de sua Alma Gêmea, mas
caso você não se dê conta disso, as chances de
conseguir manter esse relacionamento podem estar
seriamente comprometidas. É somente quando
conseguimos compreender a nós mesmos e nos
perdoarmos e nos amarmos que podemos realmente
compreender, perdoar e amar o outro.
Ninguém poderá, de fato, amar e aceitar e conviver
com uma alma gêmea se, bem lá no fundo, não suporta
ficar a sós consigo mesmo, não consegue viver com
harmonia e paz interior.
Acredito que uma das formas mais comuns que
escolhemos para não entrarmos em contato com nossa
alma e, consequentemente, com nossa sombra e nossas
"podridões pessoais", seja falando. Algumas pessoas
chegam a Ter uma espécie de compulsão para falar.
Falam, falam e falam o tempo todo... Quem muito se
explica e muito se justifica é porque não está
conseguindo convencer nem a si mesmo.
A convivência entre um ser humano e o silêncio é,
provavelmente, uma das mais difíceis. As palavras
são mestras, mas o silêncio é luz, é poder, é
sabedoria! Mas não estou falando do silêncio que
leva a nossa mente a um turbilhão de pensamentos.
Falo do silêncio que nos coloca em contato com nosso
interior: aquele momento em que focamos nossa mente
numa determinada atitude, num determinado diálogo
que tivemos com alguém... aquele momento em que nos
sentimos genuinamente felizes ou profundamente
tristes ou arrependidos.
É este o caminho do autoconhecimento; é esta a
essência da busca: quando somos capazes de sorrirmos
para nós mesmos... ou quando choramos por dentro...
mesmo que as lágrimas não surjam, sabemos que elas
brotaram na alma... São momentos como esses que
devem ser cultivados e valorizados. Precisamos dessa
avaliação pessoal e tão valiosa para o crescimento e
o conhecimento da alma.
Quem está realmente interessado em encontrar sua
Alma Gêmea sabe que as almas gêmeas existem porque
foram, num determinado momento, divididas para que
pudessem evoluir. Evolução! Você tem se empenhado em
evoluir?!? Você sabe o que significa evoluir no
sentido anímico?
É uma evolução que acontece independentemente do
dinheiro que temos ou daquele que gastamos, da
posição social na qual estamos inseridos, do cargo
que ocupamos no emprego, enfim, independe de
qualquer status. A evolução da alma pode acontecer
no local mais pobre e sem recursos que você já tenha
visto, porque o que mais temos visto nesse mundo de
desigualdades sociais são almas miseráveis rodeadas
de luxo e almas muitíssimo evoluídas vivendo na
pobreza, sem grandes acúmulos materiais.
Os bens materiais podem (eu disse PODEM) ser
facilitadores para a evolução, mas até para isso, é
preciso que ante, haja nobreza na alma de quem ganha
esse dinheiro. Caso contrário, ele só servirá para
tornar essa pessoa materialista, fria, egoísta e
perdida em si mesma. Porque o dinheiro pode destruir
a alma daqueles que nunca foram capazes de olhar
para dentro de si, para aqueles que não
desenvolveram sua espiritualidade e terminaram
acreditando que tudo o que realmente importa está
fora, está nas coisas, nas posses e nos valores que
acumularam ao longo de suas vidas.
Por outro lado, existem muitas almas que conseguem
evoluir ainda mais rapidamente justamente porque
enxergam a dor e a tristeza que há na pobreza e nas
injustiças como um caminho para o enriquecimento
interior.
Leo Buscaglia, em seu livro Vivendo, Amando e
Aprendendo (o que eu mais gosto), escreveu:
"Primeiro as pessoas. Depois as coisas."
Vemos tanta gente se importando antes com as coisas
e depois com as pessoas, não é? Vemos tantos casais
jurando que se amam e, depois de algum tempo,
praticamente se engolindo por causa das coisas que
juntaram, numa
briga insana pela divisão de bens...
o caminho é pessoal. Cada um tem seu jeito próprio
de enxergar as situações, interpretá-las e usá-las -
ou não - em prol de si mesmo. O que pode comover
você, talvez não comova a mim, e vice-versa. Mas a
verdade é que evolução não se trata de magia ou
sorte ou destino, nem sequer de opção religiosa ou
conhecimentos teóricos. Talvez esses sejam detalhes
que atuem a favor da evolução, mas não
determinantes.
Jesus Cristo é um ótimo exemplo para esta verdade.
Um Mestre que viveu toda a sua vida num vilarejo,
rodeado de humildade e trabalho. Nunca cursou uma
universidade, nunca se distanciou da cidade onde
nasceu, nunca escreveu um livro e nunca se apossou
de nada que não fosse a sua própria fé. E nunca, em
nenhum tempo da história, um homem influenciou tão
poderosamente a vida da humanidade. Depois de mais
de 2 mil anos de sua passagem pela Terra, todo o
planeta está, de uma forma ou de outra, tocado por
esta vida singular...
Mas, enfim, a escolha é de cada um. Eu posso
compreender que sou um ser humano exclusivo
(diferente de todos os que já existiram, existem e
irão existir) em busca de uma Alma Gêmea que, embora
tenha muitas características parecidas com as
minhas, também é um ser humano exclusivo e tem sua
individualidade que merece absoluto respeito.
E, sendo assim, posso me concentrar em mim mesma e
tentar crescer e conhecer mais sobre mim a cada dia.
Ou eu posso - a escolha é minha, e só minha - passar
a vida inteira me comparando com outras pessoas e
reclamando das chances que perdi e das oportunidades
que a vida não me deu e das vantagens que não me
ofereceram...
É, talvez seja mais fácil culpar as pessoas e o
mundo pelo que não somos capazes de conquistar, mas
definitivamente essa escolha não nos levará à nada e
nem à lugar nenhum, muito menos à nossa Alma Gêmea;
a menos que essa nossa metade esteja tão estagnada
quanto nós... e aí, as únicas "preciosidades" que
teremos para compartilhar são sentimentos e
sensações como frustração, derrota, falta de
coragem, acomodação e covardia.
Mas o que acontece, geralmente, com pessoas desse
tipo, que vivem constantemente criticando o que o
mundo lhes tem oferecido, sempre julgando que
mereciam mais do que têm, é que, caso tenham a
"sorte" de encontrar uma Alma Gêmea que poderia lhes
tirar dessa espécie de paralisia, julgam-na muito
pouco, acreditam que as Almas Gêmeas dos outros são
melhores e mais interessantes que a sua...
Viver e Ser não é uma questão melhor ou pior, de
certo ou errado... É uma questão de equilíbrio, de
sensibilidade e de respeito por si mesmo e,
consequentemente, pelo outro.
Temos duas (somente duas) alternativas: OU assumimos
o que somos, tomamos as rédeas de nossas vidas e
fazemos alguma coisa para nos conhecermos muito bem
e evoluirmos um pouquinho que seja a cada dia de
nossa vulnerável e efêmera existência aqui na Terra,
atuando de fato sobre nossa própria Alma OU
permanecemos a deriva do tempo, lamentando o que não
nos acontece e simplesmente deixando a vida passar,
como se a felicidade fosse uma espécie de surpresa
ou presente que, algum dia, talvez, alguém nos venha
entregar, em nossa porta, sem que nada precisemos
fazer para merecê-la...
Mas certamente, qualquer que seja a nossa escolha, o
tempo não nos espera; ele não diminui o seu ritmo e
muito menos pára, até que tenhamos condições de
acompanhá-lo. Porque, na verdade, todos nós já
nascemos com as condições necessárias para
acompanhá-lo...
E, mais cedo ou mais tarde, todos nós perceberemos a
constante atuação dele sobre nossas vidas! Da mesma
forma que nossas rugas poderão significar boas
lembranças, satisfação de realização e gratidão por
essa maravilhosa oportunidade de ter estado aqui,
poderá significar desespero, arrependimento e um
amargo sabor de derrota...
Ninguém pode escolher pelo outro. A escolha é
pessoal e intransferível. Depende exclusivamente de
cada um. Eu sugiro que você faça a sua escolha
imediatamente e que possa, sinceramente, estar
consciente dela!
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