Como me preparei para encontrar a minha Alma Gêmea
por: Rosana BragaNunca me canso de experimentar,
perceber e escrever sobre o amor de uma forma geral.
No entanto, quando se trata de amor entre homem e
mulher, de relacionamento afetivo, de casamento ou
qualquer forma de união no sentido mais profundo da
palavra – ou seja, corpo, mente e espírito –
certamente fico ainda mais encantada e, ao mesmo
tempo, mais intrigada com as infinitas
possibilidades de vivenciá-lo se contrapondo com o
medo e a ansiedade que todos nós temos de amar.
Terminei a primeira edição deste livro em 1999,
quando estava em plena conscientização de meu
próprio coração, de minha própria vida. Não era um
momento fácil para mim, mas felizmente consegui
enxergar cada ferida como uma forma de nascer para
um novo mundo, uma nova perspectiva. Acreditei em
mim mesma e, apesar de tantas vezes nem imaginar
qual seria o próximo passo, continuei, não desisti.
Levei em conta uma única verdade: cada vez que a dor
aumentasse, cada vez que o caminho se tornasse mais
escuro e cada vez que a sensação de que eu não
conseguiria fosse mais forte, eu choraria e
sofreria, deixaria que todas as reações aflorassem,
para somente depois, esvaziada dessa angústia que
todos nós sentimos vezes ou outras, eu pudesse
retomar o meu próprio destino, mais inteira, mais
forte, mais eu mesma!
Procurei ajuda, fiz terapia, li muito, trabalhei,
vivi e, como não poderia deixar de ser, a vida
seguiu seu fluxo, naturalmente... Embora já soubesse
que nada na vida acontece por acaso, passei a
compreender, cada dia mais, o quanto escolhemos
(mesmo sem saber) as pessoas que entram em nossas
vidas, as relações que estabelecemos com cada uma
delas, as situações pelas quais passamos nos mais
diversos ambientes em que vivemos, enfim, o quanto
decidimos sobre o que vamos ou não experimentar a
cada dia de nossa existência.
Porém, mais importante do que descobrir essa
participação, foi saber que, à medida em que eu ia
me conhecendo mais e mais, eu podia, de forma
consciente, escolher o melhor, o mais adequado e o
que mais estivesse em sintonia com meu objetivo de
vida (ainda que nem sempre seja fácil e mesmo que eu
erre muitas e muitas vezes. Mas é muito bom saber
errar com consciência de mim mesma e de minhas
imperfeições a serem trabalhadas).
Paralelamente à todas essas percepções fundamentais,
descobri também que o Universo sabe quando a gente
entra em contato com a gente mesmo e, a partir de
então, passa a colaborar de forma mágica na
realização de nossos sonhos...
E foi então que comecei a sentir, cada vez mais,
aquela sensação maravilhosa de que tudo está dando
certo, de que a vida está fluindo exatamente da
maneira como eu sempre quis... É difícil explicar
como tudo acontece, pois não se trata de
conspirações mentais ou acontecimentos premeditados.
Não! Creio, sinceramente, que a alquimia da
felicidade acontece quando o coração se acalma ou se
agita (conforme a necessidade de cada um) no mesmo
ritmo do Universo... no mesmo ritmo do amor de
Deus... e aí, tudo de bom começa a acontecer!
Mas certamente o que mais quero declarar aqui é a
forma como encontrei minha Alma Gêmea... Obviamente
já sonhava com ela, já a desenhava em minha mente e
a esperava em meu coração. E como estava me
preparando, sem saber ao certo como e onde a
encontraria, terminei entrando numa relação
acreditando que era especial... e, quem sabe, a
houvesse encontrado. No entanto, depois de alguns
meses, percebi que ainda não era... A decepção foi
inevitável e até cheguei a imaginar que ela
demoraria anos para realmente aparecer.
Mas creio que adotei dois comportamentos
fundamentais para não sair da sintonia com o
Universo: o primeiro foi que fiz uma análise
profunda de minha próprias atitudes nesta relação
falida e pude perceber os meus erros, os meus medos,
as minhas armadilhas para não me entregar. Sim,
porque o que faz uma relação não dar certo nunca é
unilateral. Os dois atuam e os dois são responsáveis
pelo sucesso ou pelo fracasso. Fiz a minha crítica e
me tornei ainda mais consciente de minhas limitações
e daquilo que eu precisava melhorar, a fim de estar
mais lapidada quando a minha metade chegasse.
O segundo comportamento foi o de não maldizer as
pessoas ou o mundo por ter-me enganado mais uma vez.
Ou seja, não adotei os famosos clichês (que
funcionam como poderosas âncoras para o coração,
impedindo-o de voar ao encontro do amor), do tipo:
Eu sabia! Nunca vai dar certo! Os homens são todos
iguais, não querem nada sério, não entendem as
mulheres e blá, blá, blá...
Embora estivesse bem conformada de que ela demoraria
a chegar, tratei de limpar meu coração, retirar os
restos desta relação que não vingou e de me
concentrar em mim mesma, sem sair por aí buscando
aventuras que me tirariam do meu caminho, do meu
objetivo, da minha espera.
Mas o Universo estava me reservando uma surpresa
maravilhosa. Depois de alguns dias, 10 ou 15, vi
minha Alma Gêmea pela primeira vez, numa reunião
profissional. Estava tão neutralizada com o fim da
relação anterior que não ouvi meu coração ainda...
Talvez ele nem tenha se manifestado, pois sabia que
eu precisava de mais algum tempo para me refazer
inteiramente... além do mais, como diz o ditado: o
que é do homem, o bicho não come...
Quase dois meses se passaram até que a vida nos
colocou novamente frente a frente...
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