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Em vez de POR QUÊ?, experimente perguntar PRA
QUÊ?
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Rosana Braga ::
Em princípio, as duas perguntas parecem muito
semelhantes. Porém, se observadas com sensibilidade
e sutileza, encontramos entre elas uma diferença
essencial: a intenção com que as fazemos!
Perguntamos por quê? quando estamos vivendo uma fase
de conflitos, perdas e frustrações principalmente
pelo fato de nos considerarmos injustiçados.
Queremos compreender por que a vida ou até mesmo
Deus (quanta petulância!) nos colocou numa situação
tão dolorosa...
Julgamos, em geral, que existem
pessoas bem mais malvadas que nós (ou alguém que
amamos muito) e, portanto, elas sim mereciam tal
castigo. Não nós, que tantas boas ações temos
praticado! Não nós, que tanto temos pedido por ajuda
e proteção...
E, assim, perdemos a preciosidade contida na dor!
Perdemos a oportunidade valiosa de expandir nossa
capacidade de viver bem e feliz. Jogamos pela janela
a chance sagrada de evoluir e aprender mais uma
lição nesta dimensão, que é a mais verdadeira e
eficiente universidade que podemos cursar.
Para mudar essa dinâmica, bastaria mudar a pergunta.
Ou melhor, bastaria mudar a intenção ao fazê-la. Em
vez de insistir na lamentação e se estagnar no papel
de vítima, poderíamos aceitar o convite para um novo
aprendizado.
Em vez de resistir e repetir indefinidamente por que
comigo?, por que justo agora?, por que com essa
pessoa, que é tão boa?, por que de novo?,
experimente perguntar pra quê?. Ou seja, qual é a
lição contida nesta perda, nesta dor, nesta
frustração?
Definitivamente, a vida é um imenso quebra-cabeça,
com mais de 6,5 bilhões de peças. Somos, cada um de
nós, uma dessas peças. Será mesmo possível
compreendermos por que algo acontece aqui e agora,
justamente com essa e não com aquela pessoa?
Será mesmo possível nos darmos o direito e a
competência de julgar um evento isolado, sendo que
não temos a visão do todo? Sendo que estamos muito
longe de conseguir avaliar o quanto esse
acontecimento vai interferir no cenário final desta
imensa figura desenhada pela espécie humana?
A mim, parece prepotência demais! Então, prefiro me
ater ao que posso e ao que me parece que a grande
maioria de nós pode: cuidar de si e daquilo que
interfere à sua volta. E se considerarmos que a
atitude de uma única pessoa pode influenciar outras
cinco ao seu redor, talvez comecemos a compreender
qual é a matemática, ou melhor, qual é a resposta
que vale a pena buscar!
Pra que ter um pouquinho mais de paciência com esse
momento difícil? Pra que dar um pouco mais de si na
harmonização de um conflito? Pra que ser um pouco
mais colaborativo num momento de reajustes e
mudanças? Pra que ter um pouco mais de fé numa
situação de perdas? Pra que, enfim, ser um pouquinho
- só um pouquinho que seja - mais gentil que antes?
E daí, sim, poderemos descobrir, de fato e na
prática, que cada dia é uma página de exercícios no
grande livro que é a história de cada um... E esta é
a sua parte: fazer uma página. Apenas uma. A de
hoje, a de agora, pra que fique bem claro que existe
uma única resposta a todos os porquês: porque tudo é
exatamente como tem de ser! Tá tudo certo quando
fazemos a nossa parte da melhor forma que podemos! |