Saiba o que diferentes frutas simbolizam

As frutas, que são consumidas em todo o mundo, representam a abundância e a fertilidade que transbordam da cornucópia (uma espécie de vaso em forma de chifre) de uma deusa grega. Você sabia que a flor da cerejeira era o símbolo de devoção dos samurais e que o caqui seria uma das frutas preferidas de Zeus? Sabia também que, debaixo de uma figueira, Buda teria recebido a iluminação? Já a maçã, além de símbolo do pecado de Adão e Eva, foi utilizada pelos celtas em rituais de magia.
Açaí

Nome popular: açaí
Nome científico: Euterpe Oleracea Mart
Origem: América do Sul

Fruto conhecido há séculos e nativo da Amazônia, é cultivado na região desde a época dos povos pré-colombianos. No Maranhão, é comemorada a famosa “Festa da Jussara” no mês de outubro, quando se inicia a produção de açaí. A fruta é considerada afrodisíaca. A tradição popular diz que ela “ajuda a curar desilusões amorosas”, porque sua cor forte e avermelhada concede mais vigor e força, especialmente aos homens.

 

Ameixa

Nome popular: ameixa
Nome científico: Prunus salicina, Lindl/Prunus domestica
Origem: China

No Extremo Oriente, ela é o símbolo da primavera, da renovação e da juventude. A ameixa é tão preciosa para os chineses que um monge da Dinastia Song (960-1279 d. C.) compôs obras sobre a ameixeira. A fruta também está relacionada à imortalidade, pois se acreditava que os guerreiros mortos se alimentam dela. A flor da ameixeira é o brasão do sábio chinês Lao Tsé. No Japão, é considerada uma fruta de bom agouro.

 

Banana

Nome popular: banana
Nome científico: Musa X paradisíaca L.
Origem: Ásia

Buda fez da banana o símbolo da fragilidade e da instabilidade das coisas e da vida. Ensinou também que as construções mentais se assemelham a uma bananeira. Na escritura budista “Samyutta Nikaya”(3, 142), existe a descrição de um sábio que medita abaixo de uma bananeira para compreender a impermanência das coisas. A fruta tem origem asiática, mas foi largamente introduzida na América após o descobrimento.

 

Caqui

Nome popular: caqui
Nome científico: Diospyros Kaki
Origem: China

Diospyros significa alimento de Zeus. A fruta contém um bom caldo e, originária da China, é muito consumida no Japão. É bastante cultivada no Brasil, principalmente no nas cidades de Mogi das Cruzes e Itatiba, em São Paulo. É um fruto essencialmente feminino, por sua forma, cor e delicadeza.

 

Cereja

Nome popular: cereja
Nome científico: Prunus cerasus
Origem: Ásia

É símbolo da vocação guerreira do samurai japonês. Diz-se que o rompimento da polpa vermelha para alcançar seu duro caroço representa o sacrifício do sangue a fim de chegar à alma do guerreiro. Os samurais adotaram a flor de cerejeira como seu emblema, símbolo máximo de devoção ao seu ideal.

 

Damasco

Nome popular: damasco
Nome científico: Prunus armeniaca
Origem: Ásia

Fruta conhecida desde a China Antiga, é também o nome da capital da Síria. O damasco é conhecido por seu doce sabor, além de ser considerado nutritivo e afrodisíaco. Os ciganos o transformaram em perfumes e os egípcios usavam o damasco para dar suavidade à pele pelos banhos de imersão.

 

Figo

Nome popular: figo
Nome científico: Fícus carica L.
Origem: Ásia

A fruta e a árvore simbolizam a abundância. No Egito Antigo, o figo tinha alto valor esotérico e oculto, além de possuir um sentido iniciático. Debaixo de um pé de figueira sagrada (conhecida como árvore de Bodhi), Buda teria recebido a iluminação. Por isso, o figo representa o conhecimento superior. Diz-se que era a fruta preferida de Buda e que, aos pés da figueira, ele ensinava seus discípulos. É importante ressaltar que o figo é símbolo da imortalidade da alma, que concede o conhecimento, mas não a vida longa terrena.

 

Goiaba

Nome popular: goiaba
Nome científico: Psidium guajava L.
Origem: América do Sul

Dotada de penetrante perfume, é uma das frutas preferidas do mundo angelical. Foi usada há séculos pelos nativos para curar os problemas de saúde das crianças e também como antitranspirante pelos índios do Peru. A fruta é conhecida por sua saborosa geleia e faz parte das festas regionais no Brasil, especialmente no nordeste do País.

 

Ingá-cipó

Nome popular: ingá-cipó
Nome científico: Inga edulis Mart
Origem: América do Sul

Originária da Amazônia, seu nome indígena significa “empapado”. Tem um sabor adocicado e acredita-se que ajuda a resolver problemas de infertilidade masculina. As frutas ingá (estão no interior do cipó que lembra muito a forma de uma cobra) têm ligação com o culto da tribo do mesmo nome.

 

Jabuticaba

Nome popular: jabuticaba
Nome científico: Myrciaria cauliflora
Origem: América do Sul

Você já deve ter ouvido falar sobre o beijo da jabuticaba, ou seja, o estalo que a fruta provoca quando é retirada do seu tronco. Por isso, a fruta originada em nossa Mata Atlântica está associada às simpatias, aos rituais e às cerimônias relacionadas ao amor. Além disso, segundo a crença popular, a jabuticaba protege a prole e torna o ambiente familiar mais pacífico (para quem tem em casa um pé de jabuticaba).

 

Laranja

Nome popular: laranja
Nome científico: Citrus sinensis, Citrus aurantium L.
Origem: Ásia

Na China Antiga, era vista como fruto de bom agouro. Pela tradição, o noivo, ao pedir a noiva em casamento, ofertava a ela um cesto contendo laranjas. Símbolo de fecundidade, também costumava-se presentear os recém-casados com a fruta.

 

Maçã

Nome popular: maçã
Nome científico: Malus sp.
Origem: Ásia

Como teria sido consumida por Adão e Eva, ficou conhecida como a fruta do conhecimento. O rabino Berel Wein explica que o povo judeu é comparado, no Cântico dos Cânticos, com a fruta da afeição, ou seja, a maçã: “Assim como a maçã é única e rara entre as árvores da floresta, assim é meu querido e amado Israel entre as nações do mundo”.
Para os celtas, a maçã estava relacionada à magia e revelação; por isso era considerada um alimento-prodígio.

 

Nêspera

Nome popular: nêspera ou ameixa-amarela
Nome científico: Eriobotrya japonica
Origem: China

Apesar de seu nome científico lembrar o Japão, a nêspera é originária da China. No Brasil, é conhecida com ameixa-amarela. Suas casca aveludada e polpa suculenta, além do seu alto teor de açúcar, tornam a nêspera uma fruta “feminina”. A nêspera favorece a circulação das pernas e também é considerada afrodisíaca. Dela, são feitas compotas e deliciosos licores.

 

Pera

Nome popular: pera
Nome científico: Pyrus communis
Origem: Ásia

É um símbolo tipicamente erótico e sensual devido à sua forma (que evoca o feminino), seu sabor doce e a abundância do suco. Por ser da cor branca, a flor da pereira é utilizada na China como símbolo de luto. Além disso, ressalta o caráter efêmero e de extrema fragilidade. Para fugirem das perseguições na Europa, alguns judeus que vieram para o Brasil, omitiram seus sobrenomes verdadeiros e se utilizaram do sobrenome “Pereira”.

 

Pitomba

Nome popular: pitomba ou olho-de-boi
Nome científico: Diospyros brasiliensis
Origem: Brasil

Apreciada também por animais e aves, é cultivada especialmente na Amazônia e no Nordeste brasileiro. Os pernambucanos deram o nome de “Festa da Pitomba” à festa em homenagem a Nossa Senhora dos Prazeres. O nome pitomba vem do tupi guarani e significa “tapa, chute forte”. A palavra “pitomba” poderia ser associada à pessoa que não tem valor.

 

Romã

Nome popular: romã
Nome científico: Punica granatum
Origem: Ásia

Símbolo de fecundidade, ela representa também a prole numerosa. Na mitologia grega, a deusa Hera, que rege a fidelidade, ostenta em sua mão uma romã. Em Roma, acreditava-se que a fruta trazia boa sorte à noiva. Já na Índia, utilizavam-se do suco da fruta para combater a esterilidade.

 

Sapoti

Nome popular: sapoti
Nome científico: Achras Sapota/ Manilkara zapota
Origem: América Central

A fruta é doce, perfumada e, de sua polpa, são feitos doces, xaropes e geleias. O sapotizeiro é tão resistente que sua madeira é usada na carpintaria para a fabricação de móveis. Do seu tronco, é extraído o látex para a matéria-prima da goma de mascar. As mulheres astecas mascavam o tzictli, proveniente da árvore chamada Tzapoti.
Getúlio Vargas (1882-1954) chamou a cantora Ângela Maria (1928) de “sapoti” por ela ter a cor e a voz doce do fruto.

 

Tâmara

Nome popular: tâmara
Nome científico: Phoenix dactylifera
Origem: África

Conhecida desde os tempos dos assírios e babilônios, a tâmara foi amplamente utilizada como alimento e também em tratamentos medicinais. Na Bíblia, é a fruta dos justos, dos ricos e das bênçãos divinas. Como ocorre com o orvalho e a geada, pende nos ramos das tamareiras nativas do Sinai uma secreção resinosa que lembra muito o mel de abelha e se transforma em um grãozinho cristalizado que teria sido usado como o maná dos hebreus durante o Êxodo.

 

Tangerina

Nome popular: tangerina, mexerica, vergamota, laranja-cravo, tanja, mimosa e poncã
Nome científico: Citrus reticulata/Citrus nobilis
Origem: Ásia

A tangerina tem várias denominações no Brasil (veja acima) e era considerada um verdadeiro tesouro para os navegadores, pois a polpa de sua fruta contém água além de açúcar, o que saciava a sede e proporcionava os valores nutricionais necessários. Provavelmente foi trazida ao Brasil pelos japoneses e se espalhou por todo o território nacional. Assim como toda fruta de cor amarela, é considerada feminina e propícia à saúde das mulheres, pois contém a vitamina C e concede ao corpo mais resistência depois das menstruações e dos partos.

 

Uva

Nome científico: Vitis vinifera L.
Origem: Europa e Oriente Médio

É associada ao sangue, tanto por sua cor como por seu uso. Por consequência, é símbolo da imortalidade. Da uva obtem-se o vinho, que na Grécia Antiga substituía o sangue de Dionísio. Era a fruta proibida das musas, pois poderia afetar a memória e a inspiração aos artistas. No sufismo, é a fruta do conhecimento iniciático e dos estados espirituais. Israel sempre reconheceu seu valor sagrado. Jesus, ao instituir a Santa Ceia expressou o simbolismo da uva e do vinho: “Esse é meu sangue, o sangue da aliança” (Mc 14: 24). Neste caso, a uva aparece como elemento psíquico de alto valor onde a alma experimenta a transformação do que é terrestre e vegetativo (uva) para o estado livre do divino milagre que é a vida (vinho).

(Monica Buonfiglio)



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