Decepção

Quem ainda não a teve?
Acho que dá para contar nos dedos de uma mão, e ainda corrermos o risco de ficarmos no primeiro dedo… Tentando lembrar quem não a experienciou. Se for um ser humano, certamente já se decepcionou. Este estágio faz parte de nosso supremo aprendizado e da nossa busca incessante, vida após vida, signo após signo, a fim de nos conhecermos melhor.
Eu me atrevo a afirmar que acho que aprendi por que nos decepcionamos!
Porque, invariavelmente, nós criamos as pessoas conforme ACHAMOS que elas são. Nelas projetamos o que CREMOS que elas possuam. Imaginamos o que elas têm. Supomos que já atingiram determinado estágio evolutivo. Enfim, projetamo-as de acordo com nossas verdades e aprendizados. Avaliamos seus valores conforme os nossos ou até segundo nossos interesses.
Porém, uma coisa é certa… Ninguém consegue se vender se nós não queremos, ou acreditamos ser possível comprar. Ou ainda, ninguém se posiciona para o outro como sendo isso ou aquilo. O outro é que o moldará conforme quiser, desejar ou pensar que ele é… Isso posto, é evidente que somos, todos, vítimas de uma famosa DECEPÇÃO. É um pouco óbvio, você não acha? Criamos em nossa mente um determinado tipo de ser humano e nos tornamos reféns daquilo que imaginamos. O importante é entendermos a realidade, o momento e sabermos o que tirar deste aprendizado. Sim, e daí? O que ganhamos em saber que somos reféns de nós mesmos e do que aprendemos com os outros, quando os percebemos e os vemos claramente nus, transparentes e revelados em suas verdades e caráter? Primeiramente, nos sentimos muito mal. Mas muito mal mesmo. Uma sensação, na maioria das vezes, semelhante àquela de passagem para um outro estágio de alguém que gostamos muito. Este estágio existe e precisa decididamente ser passageiro. Em segundo lugar, somos vítimas de alguém que não poderia ter feito o que fez conosco. O sentimento de vítima é terrível, porque na realidade ninguém cresce com a vocação de vítima. Precisamos, repito, aprender com o que aconteceu. Nada que chega até nós é coincidência ou obra de um acaso qualquer. Terceiro, acordamos finalmente para a verdade. Este estágio pode levar horas, dias, semanas, meses ou anos. Mas o importante mesmo é que a pessoa se revele com seus valores reais e não aqueles por nós projetados. Em sua verdade clara, absoluta e na forma de ver e viver a vida. Bem diferente, portanto, daquilo que imaginávamos que ela fosse. O processo de se sentir mal, virar vítima e entender que a vida é Causa e Efeito pode, como afirmei, levar anos. Depende de como nos comportamos conosco e como queremos encarar a dura realidade estampada em nossa frente. Repito: Nada que acontece conosco é por um acaso. Pode ser retorno ou simplesmente para que despertemos. Principalmente porque, junto com o sentimento da DECEPÇÃO, vem o que está inserido na frase: DECEPA UMA FUTURA AÇÃO. Quem pode nos garantir que isso não seja também um tipo de proteção, em vez algo que poderia ser mais dolorido? O susto é tão grande que ficamos inertes, sem qualquer ação ou atitude. Mas é bom saber ler o que envolve todo o processo. A contrapartida da decepção é MEDITAR E AGIR DE IMEDIATO.
Não se pode ficar buscando culpados e querendo se vingar. Isso cria karmas que terão que ser recuperados no futuro. É preciso aceitar e entender que há muitas coisas ao redor e por trás de uma atitude que nos fere. Nada que acontece conosco é por um acaso, repito mais uma vez para que fique muito claro. Pode ser um alerta: Olhe, presta atenção nesta pessoa! Ela é assim mesmo como se revelou…
Você é que estava enganado em relação a ela. Ela não o decepcionou. Por incrível que possa parecer, ela É ASSIM MESMO. Quem mandou construirmos um personagem que não existe. O real, em verdade, é o que a pessoa efetivamente é. É o que ela fez. O que ela faz e, principalmente, COMO FAZ. Há uma distância considerável entre o que se fala e o que se executa. Existem poucas pessoas que possuem coerência neste ponto. São, em suas atitudes, o que falam em seu dia-a-dia. Se você quer ser o que diz, precisa estar preparado para entender os que dizem uma coisa e fazem outra. Se você tem limites, precisa estar preparado para conhecer as pessoas que não os possuem. Se você tem noção de respeito, precisa estar consciente que algumas pessoas ao seu redor não têm o mesmo conceito. Se você tem equilíbrio precisa saber ler os desequilibrados. Se você sabe exatamente entender o valor do que lhe pertence, saiba que existem pessoas que pensam diferente. Devemos aprender com a decepção e reagir de acordo com a nossa evolução pessoal. É um grande teste para saber como iremos nos comportar nas adversidades e nos reveses. O quarto grande aprendizado: Agora sabemos como a pessoa é. Este é o cerne da questão. Temos que nos vingar? Jamais. O tempo sempre será o maior aliado de quem está agindo de forma correta.

Sei que nos veremos, diferentes, porém!
Beijo na alma

Saul Brandalise Jr. é colaborador do Site, autor do livro: O Despertar da Consciência da editora Theus, onde mostra através das narrativas de suas experiências como extrair lições de vida e entusiasmo de cada obstáculo que se encontra ao longo de uma vida.
Email: sbj@tvbv.com.br



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