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A fé e a caridade
A
caridade sem fé não basta para manter,
entre os homens, uma ordem social capaz
de torná-los felizes.
A caridade é impossível sem fé.
Podereis encontrar, na verdade,
impulsos generosos até em pessoas sem
religião.
Mas a caridade austera só é exercida
através da abnegação, do sacrifício
constante de todo interesse egoísta.
Somente a fé poderia inspirá-la, pois só
ela nos faz carregar com coragem e
perseverança a cruz desta vida.
Sim, meus filhos, é em vão que o homem,
ávido de prazeres, quer se iludir sobre
sua destinação aqui na Terra,
sustentando que lhe é permitido
ocupar-se apenas de sua felicidade.
Deus certamente nos criou para sermos
felizes na eternidade; entretanto, a
vida terrestre deve servir unicamente ao
nosso aperfeiçoamento moral, o qual se
adquire mais facilmente com a ajuda dos
órgãos e do mundo material.
Sem contar as vicissitudes rotineiras
da vida, a diversidade de vossos gostos,
de vossas tendências, de vossas
necessidades, é também um meio de
aperfeiçoar-vos, exercitando-vos na
caridade.
Pois não é senão através de concessões
e sacrifícios mútuos que podeis manter a
harmonia entre elementos tão diversos.
Todavia, tendes razão em afirmar que a
felicidade é destinada ao homem aqui na
Terra, mas se a procurais não nos
prazeres materiais, e sim no bem.
A história da cristandade fala de
mártires que iam com alegria ao
suplício. Hoje, em vossa sociedade, não
é preciso, para ser cristão, nem o
holocausto do mártir nem o sacrifício da
vida, mas única e simplesmente o
sacrifício de vosso egoísmo, orgulho e
vaidade. Triunfareis se a caridade vos
inspirar e se a fé vos sustentar.
(Fonte:
O Evangelho Segundo o Espiritismo)
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