Cientistas tinham apontado anteriormente que o
consumo de soja podia contribuir para taxas
menores de câncer de mama em países como China e
Japão, mas a pesquisa se provou inconclusiva. O
estudo mais recente, publicado na revista
Cancer Epidemiology, Biomarkers and Prevention,
combinou dados de dois estudos de mulheres
chinesas em Cingapura.
O
primeiro estudo analisou os hábitos alimentares
das mulheres, incluindo a ingestão de soja,
enquanto o segundo usou mamografias para
classificar as participantes de acordo com a
densidade do tecido mamário. Depois de
identificarem 406 mulheres que participaram das
duas pesquisas e ajustarem o consumo de energia e
outros fatores que poderiam confundir, os
cientistas verificaram que a ingestão da proteína
da soja estava inversamente relacionada ao risco
elevado de câncer.
O
outro estudo mostrou que existe ligação ente
tecido denso e um risco menor de câncer de mama.
"Essa pesquisa demonstra, pela primeira vez, que a
quantidade de soja consumida por uma mulher tem um
efeito no tecido da mama e poderia diminui o risco
de ela ter câncer de mama", afirmou o médico
Stephen Duffy, do Cancer Research UK, em um
comunicado. A soja é uma fonte rica de estrógenos
vegetais, conhecidos por protegerem animais contra
o câncer de mama.
Pílula anticoncepcional não aumenta risco de
câncer de mama
Um
novo estudo feito por pesquisadores dos Centros
para Controle e Prevenção de Doenças (CDCs) dos
Estados Unidos mostra que o uso de pílulas
contraceptivas não aumenta o risco de uma mulher
desenvolver câncer de mama. Esse resultado
contraria os achados de algumas pesquisas
anteriores que haviam associado de forma débil o
uso de anticoncepcionais orais à probabilidade
maior de ocorrência desse tipo de tumor.
No
trabalho, publicado na edição de 27 de junho do
New England Journal of Medicine, os cientistas
constataram também que as usuárias de
anticoncepcionais com idade entre 35 e 64 anos não
apresentam um risco significativamente maior de
ter a doença. Esse amplo estudo deveria "tranquilizar
milhões de mulheres que tomaram ou estão tomando
contraceptivos orais", disse Polly A. Marchbanks,
dos CDCs, em Atlanta (Geórgia).
Cerca de 80% das norte-americanas nascidas a
partir de 1945 usaram pílulas anticoncepcionais,
de acordo com Marchbanks, que entrevistou 4.575
mulheres que apresentaram diagnóstico de câncer de
mama e 4.682 voluntárias que não tiveram a doença.
Todas as participantes responderam questões sobre
uso de contraceptivo oral, histórico de
reprodução, saúde em geral e história familiar de
doenças. "O estudo oferece uma forte evidência de
que o uso anticoncepcionais orais não aumenta o
risco de desenvolver câncer de mama ao longo da
vida", afirmou Marchbanks.
As
mulheres na faixa etária dos 35 aos 65 anos que
"tomam pílulas anticoncepcionais não correm um
risco significativamente maior de ter a doença",
acrescentou a pesquisadora. Apesar disso, os
resultados foram menos conclusivos para o grupo
com idade entre 45 e 64 anos. Marchbanks informou
que as mulheres com história familiar de tumor de
mama que usaram contraceptivos orais também não
apresentam probabilidade maior de desenvolver esse
tipo de câncer. O mesmo vale para quem começou a
tomar pílula quando era mais jovem.
O
risco de câncer de mama não aumentou com o uso
prolongado de anticoncepcionais nem com a
administração de doses mais elevadas de
estrogênio. Os resultados observados foram
semelhantes para mulheres brancas e negras,
informou o trabalho. "A pesquisa oferece mais
garantias de que tomar contraceptivos orais, mesmo
por um longo período, não está associado à
elevação do risco de câncer de mama", avaliaram
Nancy E. Davidson e Kathy J. Helzlsouer, ambas da
Universidade Johns Hopkins, em Baltimore
(Maryland), em editorial sobre o estudo.
Conheça os cuidados para fazer a mamografia
Ao
fazer sua mamografia anual, informe-se com seu
médico sobre a posição correta em que seu corpo
deve estar para o exame. Pesquisadores
norte-americanos informam que posicionar
corretamente o corpo durante a mamografia pode
aumentar a probabilidade de identificar tumores de
mama invasivos.
A
equipe de Stephen H. Taplin, da Group Health
Cooperative e da Universidade de Washington, ambas
em Seattle, avaliou mulheres com mais de 40 anos
que haviam sido submetidas ao exame para
identificar câncer de mama entre 1988 e 1993.
Cerca de 492 pacientes tiveram o tumor detectado
em uma mamografia de rotina, e 164 receberam o
diagnóstico a partir de procedimentos realizados
além dos exames rotineiros.
Os
pesquisadores avaliaram as mamografias feitas
antes da detecção do câncer e verificaram que as
chances de não identificar um tumor eram duas
vezes maiores se o corpo da paciente estivesse
posicionado de forma incorreta durante o
procedimento.
Desde aquela época, os especialistas aprenderam
mais sobre qual a melhor posição para detectar o
câncer, informaram os autores do trabalho na
edição de abril do American Journal of
Roentgenology. "A posição apropriada depende da
cooperação entre o profissional que faz o exame e
a paciente durante a mamografia", declarou Taplin.
"Quando o técnico pede à mulher que se incline em
direção ao aparelho para que uma porção maior da
mama possa ser vista no filme, isso realmente faz
diferença", acrescentou o pesquisador.
Em
editorial sobre o estudo, Stephen A. Feig, da
Escola de Medicina Monte Sinai, em Nova York,
observou que a pesquisa deveria "encorajar
esforços para garantir uma qualidade de imagem
apropriada em cada procedimento radiológico
realizado no país."