A afta é uma doença comum, que
atinge em média 20% da população. É caracterizada
pelo aparecimento de uma úlcera dolorosa na mucosa
da boca, podendo ser múltipla ou solitária, durar
dias ou semanas. Não é contagiosa, pois não se
trata de uma doença infecciosa, no entanto, há uma
tendência familiar para isso. Filhos de pais
portadores de aftas apresentam chances bem maiores
de, também, sofrerem com as aftas.
Nem todas as aftas são iguais. Atualmente são
reconhecidas três tipos: a menor, que é a mais
prevalente e outras duas formas mais raras. Um
desses tipos raros de aftas se apresentam com um
grande número de pequenas úlceras superficiais
agrupadas, e o outro tipo raro produz uma ferida
maior com mais de 1cm de diâmetro, mais profunda,
mais dolorida e mais difícil de ser tratada.
As aftas, geralmente duram de 7 a 14 dias, logo
depois se cicatrizam deixando pouca ou nenhuma
marca; em geral, o período de maior desconforto
dura dois ou três dias. E muitos questionam por
que elas doem e incomodam tanto. A lesão é
dolorosa porque na região da úlcera há exposição
de tecido conjuntivo que é rico em vasos e nervos,
o que provoca a dor. Além disso, o quadro pode ser
agravado por infecções causadas por
microorganismos do meio bucal.
A causa das aftas ainda hoje é um desafio para os
pesquisadores, e não se pode afirmar que exista um
agente etiológico (causador) específico. Existem,
porém, numerosos fatores etiológicos e
predisponentes sugeridos. A alteração da resposta
imunológica (de defesa) do organismo tem sido
apontada como a possível causa primária em algumas
pessoas e, secundária, em outras. Há evidências
que esta doença representa uma reação de
hipersensibilidade imunológica a um tipo de
bactéria que foi encontrada na maioria das aftas.
Os pequenos traumas à mucosa bucal (mordidas,
intervenções cirúrgicas na boca, escovação etc.);
alterações hormonais (período menstrual,
gravidez); problemas psicológicos agudos e
estresse agudo precipitam surtos da doença. Também
fatores alérgicos, principalmente após o uso de
certos alimentos; deficiência de vitaminas e
ácidos presentes na alimentação têm sido
responsáveis pela ocorrência das aftas.
Ainda não existe cura para as aftas, não há
tratamento específico e que seja eficaz para todos
os portadores dessa doença. Os tratamentos são
direcionados para amenizar os sintomas como dor,
ardência etc. Para pessoas com quadro clínico mais
leve, a melhor abordagem é a aplicação tópica (no
local) de anti-sépticos, antiinflamatórios ou
protetores de mucosa. Para casos mais severos, as
medicações de uso sistêmico – como os
corticoesteróides – são mais efetivas na redução
dos sintomas. Em todos os casos, o
cirurgião-dentista deve ser consultado para um
adequado diagnóstico e orientação terapêutica.
Muitas pessoas utilizam aplicação de substâncias
cáusticas (como o formol e bicarbonato) sobre as
aftas como forma de tratamento, mas não se
recomenda tal prática. Essas substâncias reduzem a
dor, pois destroem o tecido da região incluindo as
terminações nervosas, entretanto, o que se faz é
substituir a afta por uma queimadura química.
É importante frisar que algumas doenças como o
herpes, lupus e o câncer de boca podem, em certas
fases de seu desenvolvimento, se assemelharem às
aftas. Por isso, frente a uma úlcera bucal que não
cicatrize dentro de 15 dias, procure o seu
dentista para que o diagnóstico correto possa ser
feito, pois nem toda ferida na boca é uma afta.