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Alimentos Orgânicos
Por: Conceição Trucom - mctrucom@vidanova.com
Na
dinâmica da Alimentação Desintoxicante, sempre
recomendo o uso de alimentos orgânicos no preparo
dos sucos, chás e sopas desintoxicantes. Mas
percebo que sempre, por algum ou múltiplos
motivos, há uma resistência.
As pessoas deveriam se preocupar mais com a dose
de veneno que ingerem diariamente. São 2.300 tipos
de agrotóxicos aplicados em 270 tipos de culturas,
incluindo aí o pasto dos animais que fornecem
carne, ovos, manteiga e leite. Agrotóxicos são
produtos químicos sintéticos usados para matar
pragas, ou seja, são biocídicos e matam a vida.
O problema se agrava com o uso indiscriminado
destes agrotóxicos e a precariedade da
fiscalização. Mas, mesmo que houvesse um controle
severo no uso e consumo destas substâncias
tóxicas, ainda assim o cardápio do mundo inteiro
estaria longe de ser inofensivo. Não só pelo
limite máximo de resíduos químicos que é
discutível, mas pelo solo onde a planta é
cultivada, muitas vezes tão faminto quanto grande
parte da população deste planeta.
Entendo que para alimentar toda a população do
mundo a produtividade dos alimentos tem que
transcender a cultura meramente doméstica. Mas
este é um círculo vicioso que pode acabar muito
mal.
Veja bem, este artigo não tem o cunho pessimista,
mas o de ser um grande ALERTA. Todos somos
coniventes e vítimas desta situação.
Os alimentos existem para trazer nutrição e saúde,
não é verdade?
Mas, especialistas explicam como a população
adoece devido aos resíduos tóxicos nos alimentos
produzidos em larga escala. Irônico não?
Técnicas mecanizadas, que preparam a terra para o
plantio em larga escala, usam o arado e máquinas,
que rasgam impiedosamente a terra, acabando com os
seus nutrientes e produzindo plantas cada vez mais
inócuas.
Podemos dizer que, ao longo do tempo, estamos
ingerindo alimentos de solos agonizantes.
Olha a conseqüência! Quanto mais pobre o solo,
maior a necessidade de “agrotóxicos”!
Assim, os alimentos são cada vez mais pobres de
nutrientes e mais ricos de toxicidade.
Os distúrbios provocados pela intoxicação e
insuficiência de nutrientes destes alimentos
entopem os consultórios médicos e, por falta de um
diagnóstico sério, o paciente acaba levando
tranqüilizantes para casa. A venda de
tranqüilizantes é “record” neste país.
O conceito mais moderno em todas as doenças,
infecciosas ou não, é de que decorrem de um
terreno subnutrido e intoxicado. Portanto,
qualquer tratamento verdadeiro da doença deve se
iniciar pela desintoxicação e interrupção dos
processos de intoxicação.
Esta foi a tônica de um Congresso de Medicina
Alternativa do qual participei em 2002 com médicos
de todo o Brasil. Médicos de formação tradicional
alopática, mas que usam também terapias
alternativas em seus consultórios. Iridologia,
acupuntura, ortomolecular, radiestesia, terapias
corporais e energéticas, etc.
Como mudar este panorama?
A solução não é desconhecida, mas exige a
participação de todos. Tanto como beneficiários
ativos (consumidores e plantadores), como também
de transformadores/propagadores.
A "tecnologia" utilizada para produzir orgânicos é
exatamente a mesma de nossos antepassados há 50,
100 ou 300 anos. A produção dos alimentos e
produtos orgânicos está renascendo e faz 10 anos
não para de crescer aqui no Brasil.
Eles são totalmente livres de fertilizantes
sintéticos, hormônios, aditivos, drogas
veterinárias e químicos em geral. Essa é a
primeira - e mais importante - razão pela qual a
agricultura à moda antiga está voltando à cena.
A relação com o solo é de respeito e a sua
adubação é 100% natural, usando principalmente o
húmus, adubo animal e vegetal.
- A primeira grande vantagem está na não agressão
do solo e todo o ecossistema.
- A segunda é que o alimento que brota neste solo
será rico em micronutrientes, além de sabor e
textura especiais.
- A terceira é que o alimento será isento de
toxicidade.
Nas grandes cidades, é virtualmente impossível
alimentar-se só de produtos orgânicos. Daí por que
é tão importante conhecer o que leva mais e o que
leva menos química no processo de cultivo, para
saber como minimizar o efeito desta toxicidade no
dia-a-dia.
Aqui temos uma vantagem sutil porém de vital
importância. Em termos de macronutrientes
(carboidratos, proteínas e gorduras), praticamente
não há diferenças entre os alimentos orgânicos e
os convencionais. Mas, no que diz respeito aos
micronutrientes (sais minerais, vitaminas,
fitoquímicos e antibióticos naturais), os
orgânicos saem disparados na frente.
As frutas, legumes e verduras orgânicos contêm
"energia vital" e micronutrientes, portanto são os
verdadeiros alimentos “nutracêuticos”, ou seja,
nutrem e curam ao mesmo tempo.
A proliferação de bactérias nos orgânicos é menor
porque eles têm menos água em sua composição.
Resultado: a durabilidade é maior. Além disso, a
casca é bem mais firme e o sabor, mais intenso e
verdadeiro. Eles são muito mais gostosos. Quando
você se acostuma com eles, não consegue mais
consumir os convencionais.
A onda verde não inclui só benefícios pessoais. O
modelo orgânico é socialmente mais justo e traz
benefícios ecológicos e sociais em escala global.
A produção não-convencional se identifica
naturalmente com pequenas propriedades e
associações de agricultores. A biodiversidade
inerente ao sistema tem mais a ver com o sítio que
produz de tudo um pouco do que com o latifúndio
monocultor. Tanto é assim que 70% da produção de
alimentos orgânicos no Brasil vem de núcleos de
agricultura familiar.
O ideal ecológico prega a independência do
agricultor em relação à indústria agroquímica,
pois acredita na propriedade auto-sustentável. E
vê a unidade rural como um organismo vivo e
complexo. É o oposto da visão mecanicista, que
enxerga a terra como algo a ser domado e explorado
por meio de máquinas e químicos.
Por definição, o orgânico é também ecológico. Ao
abrir mão dos químicos e se preocupar com a
fertilidade da terra, em vez de se ater apenas aos
resultados da produção, ele defende a
biodiversidade e protege o meio ambiente. Nas
hortas, convivem dezenas de espécies diferentes -
e mesmo o mato que seria extirpado na plantação
tradicional tem lugar aqui.
O mesmo vale para o esterco dos animais, usado na
adubação do solo, e para o controle de pragas,
feito com técnicas naturais. Um bom exemplo é o
dos canteiros de morangos que são protegidos por
abelhas contra o fungo cinza, um dos piores
inimigos desta fruta.
Boa parte das modificações transgênicas foi levada
a cabo para tornar as culturas mais resistentes
aos agrotóxicos. O resultado é que o agricultor
convencional pode jogar mais veneno sobre sua
plantação, ampliando o extermínio de espécies
(tanto da fauna como da flora) e contaminando o
solo e os lençóis freáticos.
As propriedades orgânicas, ao contrário, precisam
do equilíbrio ecológico para continuar produzindo.
Justamente por isso é possível montar uma pequena
horta orgânica em casa.
Hoje, no Brasil, existem várias instituições que
dão certificados de garantia aos produtos
orgânicos. As duas mais importantes são a
Associação de Certificação Instituto Biodinâmico (IBD)
e a AAOCERT, ligada à Associação de Agricultura
Orgânica. Ambas só concedem o selo de qualidade a
quem estiver em dia com uma agenda social, que
inclui o combate ao trabalho infantil e cuidados
com saúde/moradia dos agricultores, e outra
ecológica, como a proteção das matas ciliares.
Nem é preciso dizer que um alimento certificado
nunca pode vir de uma semente geneticamente
modificada.
Bom, nem tudo são flores na cultura orgânica.
Existem dificuldades:
1. Sem agrotóxicos, os legumes, verduras e frutas
100% naturais são menores e um pouco mais feiosos
que os convencionais.
2. A produção ainda é relativamente pequena. Há um
problema de disponibilidade, ou seja, nem sempre é
possível encontrar tudo o que se gostaria nas
feiras e mercados.
3. Porque a disponibilidade e a escala de produção
são menores, o preço é (quase sempre) mais alto.
A boa notícia é que o aumento do consumo e o
crescente interesse pelos alimentos orgânicos
estão atraindo mais produtores para esse mercado.
Assim, o custo do transporte por quilo deve cair e
a oferta tende a se aproximar da demanda.
Mas, você já sabe, quem experimenta gosta - e não
quer saber de voltar atrás. Pesquisa feita em São
Paulo pelo Instituto Gallup mostrou que sete em
cada dez entrevistados não se incomodam em pagar
até 30% a mais para ter orgânicos no prato. É
gente que prefere gastar um pouco mais agora para
economizar depois com tratamentos médicos. Gente
que está de olho na saúde e quer comidas mais
gostosas e duráveis - sem perder de vista questões
ecológicas e de justiça social.
Os benefícios, não há dúvida, se estendem
também ao planeta. Está na cara que é melhor
investir agora em modelos auto-sustentáveis do que
sermos forçados a gastar bilhões no futuro para
tentar salvar a terra, a água e a vida do nosso
mundo.
Fica assim o alerta: Investir nos alimentos
orgânicos é mais que um projeto de vida, mas
também ecológico e social.
Minimizando os riscos
Nem sempre é possível só ter alimentos orgânicos
em casa. Mesmo apelando para os convencionais
sempre será possível minimizar o consumo de
agrotóxicos, fertilizantes e aditivos químicos.
Basta optar pelos que recebem menos químicos no
processo de produção. Confira as dicas do agrônomo
Moacir Roberto Darolt, pesquisador do Instituto
Agronômico do Paraná.
- RISCO BAIXO
Feijão, peixes marinhos, folhas, caqui, pitanga,
abacate, acerola, jabuticaba, coco, mexerica e
nêspera. Esses alimentos têm ciclo curto de
cultivo e recebem menos pulverizações com
agrotóxicos. Os peixes marinhos são capturados no
mar e não recebem nenhuma espécie de hormônio de
crescimento, pois vivem livres em seu hábitat
natural.
- RISCO MÉDIO
Arroz integral, carne bovina, peixes de água doce,
beterraba, cenoura, alho, banana, manga, abacaxi,
melancia, laranja, mamão formosa e maracujá. Todos
têm ciclo de vida intermediário e recebem um
número de pulverizações um pouco maior do que os
alimentos do grupo anterior. No caso de bovinos e
peixes criados em lagos, existe a presença de
drogas veterinárias e hormônios de crescimento.
- RISCO ALTO
Frango, tomate, pimentão, berinjela, pepino,
abobrinha, morango, goiaba, uva, maçã, pêssego,
mamão papaia, figo, pêra, melão e nectarina. São
muito delicados para produzir e estão mais
sujeitos ao ataque de pragas, portanto recebem
mais químicos. O tomate é o campeão em resíduos
porque recebe em média 36 pulverizações com
agrotóxicos. O frango é outro vilão. Criado de
maneira intensiva, fica confinado e recebe doses
enormes de hormônios de crescimento.
DICAS IMPORTANTES
1. Prefira frutas e verduras da época. Para forçar
a produção fora da temporada natural, é necessário
usar mais agrotóxicos.
2. Alerta! As pessoas confundem. O produto é
orgânico e natural, mas vem da terra e foi
irrigado com água que pode estar contaminada. Foi
manuseado e transportado. Portanto tem que ser bem
lavado, tanto qualquer outro alimento. Lave frutas
e verduras em água corrente durante pelo menos um
minuto esfregando com uma esponja ou coloque-as
durante 20 minutos numa solução de 1 litro de água
com quatro colheres de sopa de vinagre.
3. Tire as folhas externas das verduras, pois elas
concentram mais agrotóxicos.
4. Descasque as frutas, especialmente pêssegos e
maçãs.
5. Retire a gordura das carnes e a pele do frango.
Substâncias tóxicas se acumulam mais nos tecidos
gordurosos e nas vísceras.
6. Diversifique sempre os vegetais consumidos,
pois assim você reduz a ingestão de um mesmo
agrotóxico.
7. Dê preferência a produtos regionais, Alimentos
que percorrem longas distâncias, como os
importados, normalmente são pulverizados
pós-colheita e possuem um nível ainda maior de
agrotóxicos e aditivos químicos.
SABER MAIS: Para encontrar pontos de venda (lojas,
serviços de entrega em domicílio, supermercados e
feiras) em vários estados, visite o portal Planeta
Orgânico (www.planetaorganico.com.br). Lá você irá
encontrar boas dicas de leitura.
Outras na Internet:
www.planetaorganico.com.br - notícias e
informações sobre alimentos e produtores de todo o
Brasil.
www.agrorganica.com.br - portal de um grupo de
voluntários que trabalham com agricultura
ecológica e orgânica
www.ibd.com.br - site do Instituto Biodinâmico
(IBD) que certifica produtores de alimentos
orgânicos
www.aao.org.br - site da Associação de Agricultura
Orgânica, que funciona em São Paulo desde 1989
www.abio.org.br - site da Associação de
Agricultores Biológicos do Estado do Rio de
Janeiro
Feiras:
SÃO PAULO
Água Branca - terça e sábado das 7h às 12h - Av.
Francisco Matarazzo, 455
Ibirapuera - domingo das 7h às 12h - Rua Tutóia,
perto da Igreja do Santíssimo Sacramento
Varejão do Ceagesp - sábado pela manhã - Av. Dr.
Gastão Vidigal, 1946
RIO DE JANEIRO
Glória - sábado pela manhã - Praça do Russel
Coonatura - terça-feira - Rua Professor Millward,
65
PORTO ALEGRE
Bom Fim - sábado das 7h30 às 13h - Av. José
Bonifácio, 675
Menino Deus - sábado das 7h30 às 13h, quarta das
15h às 20h - Av. Getúlio Vargas, 1384
BRASÍLIA
Orgânica - sábado pela manhã - SQS 703/4
Associação de Agricultura Ecológica - quarta e
sábado pela manhã - SQS 112 (quarta), SQN 315/16 e
SQS 709 (sábado) |