"Uma coisa é fato. Independente do país, em
questão de cultura, as mulheres vivem mais tempo
do que os homens", afirma Dr. Edmar Santos,
cardiologista da Sociedade Brasileira de
Cardiologia e Mestre em Medicina Interna e
Terapêutica da Universidade Federal de São Paulo -
UNIFESP.
Isto se deve ao fato delas apresentarem um
hormônio chamado estrogênio. Esse hormônio protege
o coração e todo sistema circulatório. Quando os
níveis do estrogênio começam a cair, aumenta a
incidência de problemas cardiovasculares, tais
como infarto do miocárdio e derrame cerebral, que
são as principais causas de morte da população
brasileira.
Nos anos 80, embalados por estudos científicos e
pelo próprio raciocínio lógico, médicos começaram
a orientar as pacientes da possibilidade do uso
deste hormônio, como forma de reposição na
tentativa de minimizar problemas cardiovasculares,
osteoporose e sintomas do climatério, como, por
exemplo, ondas de calor, mal estar, irritabilidade
e depressão.
Com o passar do tempo e com o uso constante desse
hormônio, os médicos começaram a observar um
aumento na freqüência de câncer de endométrio e de
mama nas mulheres que recebiam terapia de
reposição hormonal, o que foi parcialmente
resolvido com a associação de um outro hormônio, a
progesterona.
De acordo com o Dr. Edmar Santos, os problemas não
pararam por ai. Pesquisas mais recentes mostram um
aumento na chance destas mulheres que recebem
estes hormônios, em desenvolver trombose, infarto
do miocárdio e derrame cerebral. Novos estudos
estão sendo conduzidos para responder se realmente
a terapia de reposição hormonal pode melhorar a
qualidade de vida das mulheres.
"Os resultados iniciais destes estudos tem sido
pouco animadores para recomendação da terapia
hormonal. Entretanto, deve-se ter em conta, que
pesquisas sobre qualidade de vida, terão sempre
problemas metodológicos e dificilmente nos trarão
respostas definitivas", acrescenta o médico.
"Assim, o melhor a fazer é manter acompanhamento
médico preventivo com um profissional atualizado e
discutir os reais benefícios e os potenciais
problemas desta terapia, que deve ser sempre
individualizada tendo em conta seus outros fatores
de risco para as doenças do coração, como
hereditariedade, diabetes, fumo, sedentarismo,
obesidade e hipertensão arterial", conclui.
Por
Dr. Edmar Santos, Cardiologista da Sociedade
Brasileira de Cardiologia e Mestre em Medicina
Interna e Terapêutica da Universidade Federal de
São Paulo - UNIFESP.
Telefone: (11) 5051-4137
Site: www.cardiologiaavancada.com.br