Subnutrição
A
subnutrição é uma deficiência de nutrientes
essenciais e pode ser o resultado de uma
ingestão insuficiente devido a uma dieta pobre; de
uma absorção deficiente do intestino dos alimentos
ingeridos (má absorção); do consumo anormalmente
alto de nutrientes pelo corpo; ou da perda
excessiva de nutrientes por processos como a
diarréia, sangramento (hemorragia), insuficiência
renal.
Hipernutrição
A
hipernutrição é um excesso de nutrientes
essenciais e pode ser o resultado de comer
demais (ingestão excessiva); ou do uso excessivo
de vitaminas ou outros suplementos.
A
desnutrição se desenvolve em fases: primeiro
ocorrem alterações na concentração de nutrientes
no sangue e nos tecidos, a seguir acontecem
alterações nos níveis de enzimas, depois passa a
ocorrer mal funcionamento de órgãos e tecidos do
corpo e então surgem sintomas de doença e pode
ocorrer a morte.
O corpo
necessita de mais nutrientes durante certas fases
da vida, especialmente na infância e adolescência;
durante a gravidez; e enquanto a mãe está
amamentando. Na velhice as necessidades
alimentares são menores, mas a capacidade de
absorver os nutrientes também está freqüentemente
reduzida. Assim, o risco de subnutrição é maior
nestas etapas da vida, e ainda mais entre pessoas
economicamente desprovidas.
Avaliação
nutricional
Para
avaliar o estado nutricional de uma pessoa, o
médico precisa conhecer a dieta e problemas
médicos que possam existir, realizar um exame
físico, e algumas vezes solicitar exames de
laboratório – os níveis sangüíneos de nutrientes e
substâncias que dependem dos níveis destes
nutrientes (como hemoglobina, hormônios da tiróide
e a transferrina) podem ser medidos.
Para
determinar a história dietética de uma pessoa, o
médico pergunta que alimentos foram comidos nas 24
horas prévias e que tipos de alimentos normalmente
são consumidos. É muito comum pedir à pessoa que
mantenha um diário de comida no qual ele anote
tudo o que comer durante alguns dias. Durante o
exame físico, o médico observa o aspecto geral e o
comportamento da pessoa bem como a distribuição da
gordura do corpo e avalia o funcionamento dos
órgãos e sistemas.
Deficiências Nutricionais
Podem
causar várias doenças. Por exemplo, hemorragia
gastro-intestinal pode causar anemia por
deficiência de ferro. Uma pessoa sendo tratada com
altas doses de vitamina A para acne pode
desenvolver dores de cabeça e visão dupla como
resultado da concentração da vitamina A. Qualquer
sistema do corpo pode ser afetado por uma desordem
nutricional. Por exemplo, o sistema nervoso é
afetado pela deficiência de niacina (pelagra),
deficiência de tiamina – vitamina B1 (beribéri),
deficiência ou excesso de vitamina B6
(piridoxina), e deficiência de vitamina B12. O
paladar e o olfato são afetados pela deficiência
de zinco. O sistema cardiovascular é afetado pelo
beribéri, pela obesidade, por uma dieta com muita
gordura que leva à hipercolesterolemia e à doença
coronariana, ou por uma dieta com excesso de sal
que conduz à hipertensão. O trato
gastro-intestinal é afetado pela pelagra,
deficiência de ácido fólico e alcoolismo. A boca
(lábios, língua, gengivas e membranas mucosas) é
afetada pela deficiência de vitaminas do complexo
B e pelo escorbuto (deficiência de vitamina C). A
deficiência de iodo pode resultar no aumento da
glândula tireóide. Uma tendência aumentada para
sangramentos e sintomas cutâneos como erupções,
secura e inchação por retenção de líquidos (edema)
podem acontecer no escorbuto, deficiência de
vitamina K, deficiência de vitamina A e no
beribéri. Os ossos e articulações são afetados
pelo raquitismo (deficiência de vitamina D),
osteoporose e escorbuto.
Fatores
de Risco
As
crianças formam uma faixa da população
particularmente susceptível à subnutrição, pois
elas precisam de uma maior quantidade de calorias
e nutrientes para o seu crescimento e
desenvolvimento. Elas também podem desenvolver
deficiências de ferro, ácido fólico, vitamina C e
cobre se receberem dietas inadequadas. A ingestão
insuficiente de proteínas, calorias e outros
nutrientes pode conduzir à desnutrição
protéico-calórica, uma forma particularmente
severa de subnutrição, que retarda o crescimento e
o desenvolvimento. Na medida em que as crianças
chegam à adolescência, suas exigências
nutricionais crescem devido ao aumento das suas
taxas de crescimento.
As
gestantes ou mães que amamentam têm uma
necessidade aumentada de todos os nutrientes para
prevenir a subnutrição nelas e no seu bebê.
O bebê de
uma mãe alcoolista pode ser física e mentalmente
prejudicado pela síndrome alcoólica fetal, pois o
abuso de álcool e a subnutrição resultante afetam
o desenvolvimento fetal.
Uma
criança que é amamentada exclusivamente ao seio
pode desenvolver deficiência de vitamina B12 se a
mãe for uma vegetariana que não come nenhum
produto de origem animal.
Pessoas
Idosas
Podem
ficar subnutridas por causa da solidão,
incapacidades físicas e mentais, imobilidade ou
doença crônica. Além disso, sua capacidade de
absorver os nutrientes está reduzida, contribuindo
para problemas como anemia por deficiência de
ferro, osteoporose e oestomalácia.
O
envelhecimento é acompanhado de uma perda
progressiva da massa muscular, independentemente
de doenças ou deficiência dietética. Essa perda
responde pela redução que acontece no metabolismo,
pela diminuição do peso corporal e pelo aumento da
taxa de gordura do corpo de aproximadamente 20 a
30 por cento nos homens e 27 a 40 por cento em
mulheres. Por causa dessas mudanças e uma redução
na atividade física, as pessoas mais velhas
necessitam menos calorias e menos proteínas do que
as pessoas mais jovens.
Pessoas
com alguma doença crônica que cause má
absorção tendem a ter dificuldade em absorver
vitaminas lipossolúveis (A, D, E, e K), vitamina
B12, cálcio, e ferro. As doenças do fígado
prejudicam o armazenamento das vitaminas A e B12 e
interferem com o metabolismo de proteínas e
glicose.
Pessoas
que têm doença renal, incluindo aquelas em
diálise, são propensas a deficiência de proteínas,
ferro, e vitamina D.
Vegetarianos
A maioria
dos vegetarianos não come carne, mas come
ovos e laticínios. A deficiência de ferro é o
único risco desse tipo de dieta. Vegetarianos
tendem a viver mais e a desenvolver menos
condições incapacitantes crônicas do que as
pessoas que comem carne. Porém, a saúde melhor
dessas pessoas também pode ser resultado da
abstenção de álcool e tabaco e da tendência delas
se exercitarem regularmente. Vegetarianos que não
consomem nenhum produto animal estão em risco de
desenvolverem deficiência de vitamina B12, além de
ferro.
Muitas
dietas da moda afirmam aumentar o bem-estar ao
reduzir o peso; porém, dietas altamente
restritivas são nutricionalmente insalubres: essas
dietas podem resultar em deficiências de
vitaminas, minerais e proteínas; em doenças que
afetam o coração, rins e o metabolismo e até mesmo
em algumas mortes. Dietas muito hipocalóricas
(menos de 400 calorias por dia) não conseguem
manter a saúde por muito tempo.
Entre o
extremo da inanição e a nutrição adequada, há
vários graus de nutrição inadequada, como a
desnutrição protéico-calórica, uma das principais
causas de morte em crianças nos países em
desenvolvimento.
Desnutrição Protéico-calórica
A
desnutrição protéico-calórica é causada por uma
ingestão inadequada de calorias, resultando em uma
deficiência de proteínas e micronutrientes
(nutrientes necessários em quantidades pequenas,
como vitaminas e alguns minerais). O crescimento
rápido, uma infecção ou uma doença crônica pode
aumentar a necessidade por nutrientes,
particularmente nas crianças que já são
subnutridas.
Sintomas
Há três
tipos de desnutrição protéico-calórica: seca
(a pessoa está magra e desidratada), molhada
(a pessoa está inchada por causa de retenção de
líquidos) e um tipo de
intermediário.
O tipo
seco, chamado marasmo, é resultante da fome
quase total. A criança que tem marasmo ingere
muito pouca comida, freqüentemente porque a mãe
não pode amamentar e é extremamente magra devido a
perda de músculo e gordura corporal. Quase
invariavelmente desenvolve alguma infecção.
O tipo
molhado é chamado kwashiorkor, uma
palavra africana que significa "primeira
criança-segunda criança". Vem da observação de que
a primeira criança desenvolve kwashiorkor
quando a segunda criança nasce e substitui a
primeira criança no peito da mãe. A primeira
criança, desmamada, passa a ser alimentada com uma
sopa de aveia que tem baixa qualidade nutricional
comparada com o leite de mãe, assim a criança não
se desenvolve. A deficiência de proteína no
kwashiorkor é normalmente mais significativa
que a deficiência calórica, resultando em retenção
fluida (edema), doença de pele, e descoloração do
cabelo. Como as crianças desenvolvem
kwashiorkor depois que são desmamadas, elas
são geralmente mais velhas do que as que tem
marasmo.
O tipo de
intermediário de desnutrição de protéico-calórica
é chamado kwashiorkor – marasmático.
Crianças com esse tipo retêm algum fluído e tem
mais gordura corporal do que as que tem marasmo.
O
kwashiorkor é menos comum do que o marasmo e
normalmente acontece como kwashiorkor –
marasmático. Tende a ser limitado a algumas partes
do mundo (África rural, Caribe, Ilhas do Pacífico,
e Sudeste da Ásia) onde as comidas utilizadas para
desmamar os bebês – como inhame, mandioca, arroz,
batata-doce e bananas verdes - são deficientes em
proteína.
A
deficiência de proteína prejudica o crescimento do
corpo, a imunidade, a cicatrização e a produção de
enzimas e hormônios. Tanto no marasmo quanto no
kwashiorkor a diarréia é comum.
O
desenvolvimento comportamental pode ser
extremamente atrasado na criança severamente
subnutrida e pode acontecer retardamento mental.
Normalmente, uma criança que tem marasmo é mais
severamente afetada do que uma criança mais velha
que tem kwashiorkor.