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» Psicologia - Curando Feridas - Falsas Crenças |
Falsas Crenças
Rosemeire Zago
r.zago@uol.com.br |
Sente-se infeliz? Podem ser as falsas crenças
vindas da infância
O modo como fomos tratados quando crianças pequenas
é o modo como nos trataremos pelo resto da vida
Alice Miller
Todos nós temos dois aspectos em nossa
personalidade: o Adulto e a Criança. Quando estas
duas dimensões estão conectadas e trabalhando
juntas, registramos uma sensação interna de paz, de
totalidade. Quando não estão conectadas por terem
sido feridas ou abandonadas, a sensação é de
conflito, vazio e solidão.
Quem não foi valorizado quando criança, sentirá
dificuldade em perceber a existência dessa criança
dentro de si. Mas quando se entende a importância
que é reconhecer a existência dessa criança ferida e
abandonada dentro de você, se torna possível
valorizar a Criança para conseguir se tornar
inteiro.
A Criança Interior tem uma ampla variação de
emoções: alegria, dor, felicidade, tristeza. Ela
funciona na modalidade do hemisfério cerebral
direito, ou seja, ela é o ser, sentir, vivenciar, é
pura emoção. O Adulto funciona na modalidade do
hemisfério cerebral esquerdo, ou seja, é o fazer,
pensar e agir, é a razão.
"Fazer" relaciona-se com o mundo externo, enquanto
"ser" refere-se ao nível interno, emocional e
espiritual. Fazer é a experiência externa e o ser é
a interna. Cabe ao Adulto iniciar a tarefa de
refazer de maneira amorosa as etapas das
necessidades não satisfeitas da Criança, de curar as
antigas feridas e mágoas e substituir as falsas
crenças com a verdade.
Falsas crenças assimiladas na infância
- Não sinta, não fale de seus sentimentos
- Não pense, não tome decisões, você não sabe o que
é melhor
- Seja sempre bonzinho, perfeito e forte
- Não seja quem você é
- Não seja egoísta, nunca se coloque em primeiro
lugar
- Não diga o que quer, pensa ou precisa
- Nunca diga não, não imponha limites
- Cuide sempre dos outros
- Não confie em determinadas pessoas, nem na Força
Superior, nem em você
- Demonstre sempre estar bem, independente do que
esteja sentindo
Reflita se essas crenças existem em sua vida. Preste
atenção no seu diálogo interno, que acontece
inconscientemente o tempo todo, ou seja, sem que
você perceba, talvez possa estar repetindo palavras
semelhantes àquelas que ouvia na infância, pelas
pessoas mais importantes de sua vida. Assim,
continuamos quando adultos a repetir as mesmas
falsas crenças que marcam nossa vida, como:
- Não posso ser feliz, não consigo ficar feliz,
ficar feliz é egoísmo e, portanto, errado
- Não consigo cuidar de mim
- Não consigo enfrentar a dor, especialmente a da
rejeição e do abandono, nem a da minha solidão;
- Os outros são responsáveis por meus sentimentos
- No fundo eu não tenho valor, sou errado, não
mereço ser amado
- Não sou capaz de conseguir sozinho.
Enquanto existir essas ou outras crenças falsas, não
conseguirá ser amoroso com sua Criança, assim como
não foram com você no passado. Quando os pais e
outros adultos rejeitam a criança, fazem-na sentir
vergonha por aquilo que ela é ou abusam dessa
criança durante a infância. A dor desse abandono é
tão insuportável, que o Adulto Interior se desliga
da Criança Interior para não sentir essa dor.
A Criança Interior abandonada está quase sempre com
medo de estar errada, porque acredita ter sido esse
o motivo de a rejeitarem, podendo desenvolver a
necessidade de ser perfeita. O perfeccionismo e o
medo de estar errada podem ser sintomas da
desconexão interna entre o Adulto e a Criança. Ao se
sentir sozinha para enfrentar a solidão do abandono
externo, pode ainda desenvolver vários vícios com o
intuito de preencher esse vazio. Pode procurar
substâncias como álcool, drogas, comida, ou pessoas,
criando uma dependência para preencher seu vazio. E
como fuga da dor causada, pela solidão interna e
externa, pode ainda desenvolver a necessidade de
controlar os outros como forma de obter amor.
A Criança ferida contamina a vida do Adulto, que
pode vir como uma depressão, sentida também como um
grande vazio, onde está sempre se lamentando pela
perda do verdadeiro eu. Esse vazio pode levar ao
sentimento de solidão, porque nunca somos quem
somos, nunca estamos realmente presentes. A
depressão pode vir pelo fato da criança ter de se
adaptar a um falso eu, abandonando seu verdadeiro
eu. É como se esse abandono do verdadeiro eu criasse
um espaço interior vazio, onde se perde contato com
seus verdadeiros sentimentos, carências e desejos.
Ter um falso eu, é viver representando, onde o
verdadeiro eu nunca está presente.
A sensação de ter valor - sou uma pessoa de valor -
que é a base da auto-estima, é essencial à saúde
mental. Quando a pessoa se sente valiosa cuidará de
si mesma de todas as maneiras que forem necessárias
e não se submeterá a ser maltratada por ninguém.
Procure analisar se algumas dessas crenças ainda
existem em você e se continuam a interferir em sua
vida, pois conforme conseguir ir se conscientizando
de cada uma delas, mais fácil será encontrar-se com
quem você é de verdade.
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