|
|
|
|
|
» Psicologia - Curando Feridas - Auto-conhecimento |
Auto-conhecimento
Rosemeire Zago
r.zago@uol.com.br |
Falta de auto-conhecimento traz conseqüências...
Desde crianças precisamos saber que somos
importantes, que somos levados a sério e que cada
parte de nós é digna de ser amada e aceita.
Precisamos também saber que os que tomam conta de
nós nos amam e que podemos confiar neles. Quando não
podemos confiar nas pessoas responsáveis por nós,
quando sentimos que não se preocupam com o que
sentimos, desenvolvemos uma profunda falta de
confiança em nós mesmos. Se formos privados desse
amor, nossa noção de EU SOU é prejudicada,
contaminando o adulto com uma sede insaciável de
amor, atenção e afeição, procurando esse amor no
externo, em coisas materiais, dinheiro ou em outras
pessoas.
Só podemos mudar algo quando conseguimos reconhecer
alguns padrões em nossa vida. A falta de
autoconhecimento e conexão com a criança interior
pode trazer alguns padrões comuns:
- Sentimentos mais intensos
Medo, culpa, vazio, impotência, solidão e muito medo
de ser abandonada e rejeitada. Quando os pais e
outros adultos significativos nos abandonam,
rejeitam ou abusam de nós na infância, a dor é tão
insuportável que o Adulto Interior se desliga da
Criança Interior para não ter mais tais vivências,
intensificando assim a dor, o vazio e a solidão.
- Medo de estar errada
A Criança Interior abandonada está quase sempre com
medo de estar errada, porque acredita ser essa a
razão de ter sido abandonada ou rejeitada. Torna-se
um adulto que está sempre pedindo desculpas, como se
precisasse se desculpar por um dia ter nascido. Pode
ainda ser um adulto perfeccionista, ou muito preso
às regras, em como as coisas devem ser feitas, na
tentativa de não errar.
- Repetição interna
A repetição interna consiste em repetir em si mesmo
as violências do passado. Nós nos punimos como nos
puniam na infância. Dizer a si mesmo frases como:
"seu idiota como pode ser tão burro?" ou "não sei
fazer nada direito", " nunca serei feliz", podem ser
repetições do que ouvia quando criança. Algumas
pessoas batem no próprio rosto, exatamente como a
mãe fazia com ela quando era pequena. A emoção do
passado, não resolvida, geralmente é usada contra a
própria pessoa. Se era comum desprezarem nossos
sentimentos, será também comum nos relacionarmos com
quem agirá da mesma forma.
- Dificuldade no relacionamento afetivo
Se quando crianças fomos vítimas de maus-tratos,
tendemos a manter relacionamentos destrutivos,
permitindo sermos tão maltratados como éramos,
temendo o abandono. Confundimos carência com amor.
Como podemos compartilhar nossa vida com alguém,
quando não sabemos realmente quem somos? Como alguém
pode nos conhecer quando nós mesmos não nos
conhecemos? Como podemos receber amor de alguém se
não nos sentimos merecedores de sermos amados?
- Comportamento agressivo
Hitler foi espancado na sua infância, humilhado e
envergonhado por um pai sádico. Hitler repetiu a
forma mais extrema dessa crueldade em milhões de
pessoas inocentes. O comportamento agressivo pode
ser o resultado da violência na infância e da mágoa
e da dor não resolvidas. A criança impotente e
ferida pode se transformar no adulto agressor. Isto
é verdade especialmente em casos de maus-tratos
físicos, de abuso sexual e de severo castigo
emocional. Para sobreviver à dor, perde-se toda
noção de identidade, identificando-se com o
agressor.
A maioria do comportamento agressivo nem sempre é
resultado de maus-tratos. Em alguns casos, crianças
que foram "mimadas" pelos pais aprenderam a se
considerar superiores aos outros, fazendo-as
acreditar que merecem um tratamento especial de
todos. Perdem toda a noção de responsabilidade,
certas de que seus problemas são sempre de outras
pessoas, não assumindo a responsabilidade por seu
comportamento.
- Co-dependência
Ser co-dependente é perder o contanto com os
próprios sentimentos, carências e desejos. Não tem
noção do próprio valor, que é criado no seu íntimo,
só compreende o valor dos outro, tornando-se
dependente de outras pessoas. Não tem nenhuma noção
interior do próprio "eu".
A co-dependência nasce e cresce dento de sistemas
familiares doentios. Por exemplo, quando o ambiente
familiar é de violência (química, emocional, física
ou sexual), a criança passa a focalizar apenas o
exterior. Com o tempo, ela perde a capacidade de
gerar a auto-estima que vem do seu interior. O
comportamento co-dependente indica que as carências
da infância não foram atendidas, que a criança não
sabe quem é. Algumas pessoas ficam paradas porque
estão o tempo todo buscando fora o amor que não
receberam.
- Necessidade de aprovação e reconhecimento
Grande parte do que lhe disseram que era cuidado
paterno ou materno era abuso. Se continuar inclinado
a minimizar e/ou racionalizar os modos pelos quais
foi envergonhado, ignorado ou usado para satisfazer
seus pais, não conseguirá se libertar da angústia e
da dor. Deve aceitar o fato de que essas coisas
feriram a sua alma.
Todas as crianças idealizam os pais, esse é o modo
pelo qual garantem a própria sobrevivência. Contudo,
quando a criança agredida idealiza os pais, ela
acredita que é a única responsável pelo abuso de que
é vítima. "Eles me batem porque sou uma criança
malvada." Ou ainda: "Eles me tocam porque eu deixo."
Estranhamente, quanto mais era agredida, maltratada
ou ignorada em seus sentimentos, mais pensava que
era mau, mais idealizava seus pais e mais
necessidade de aprovação e reconhecimento por parte
deles buscava, sempre procurando agradá-los. Esse
comportamento pode se manter mesmo quando adulto. Se
não consegue obter aprovação dos pais e depois junto
de seu próprio Adulto, poderá fazer de tudo para
obter amor e aprovação dos outros.
- Carência
É quando precisamos dos outros para nos sentir
amados. Essa carência de uma aprovação externa surge
do medo profundo do abandono e da rejeição. A
carência em geral gera dependência em
relacionamentos doentes e do qual não se consegue
sair.
É preciso confrontar-se com os sentimentos para
nos curarmos
Quanto mais estiver disposto a enfrentar o medo, a
verdade, a dor, a solidão, a mágoa, suas decepções,
raivas, inseguranças, e quaisquer outros
sentimentos, mais depressa conseguirá se libertar
dessas correntes que o aprisionam. Permita-se
enfrentar todas as proteções que o ajudam a se
esconder e comprometa-se com seu crescimento, pois
enquanto não enfrentar sua dor, se esconderá atrás
dela.
Mas é claro que pode optar em permanecer com seu
medo e dor. Mas espero que seu desejo de se libertar
seja muito maior que seu desejo de enfrentar a dor
que todo esse processo provoca. Afinal, cada um tem
a vontade de escolher aquilo que lhe é mais
importante; permanecer como está, fingindo que não
sente dor ou curar-se e crescer. Qual deles você
prefere?
"Precisamos aceitar que não foram nossos pais que
nos abandonou,
nós nos abandonamos"
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|