Você
já teve uma dor de garganta ou ficou rouco logo
depois de uma situação a qual você foi insultado,
humilhado e nada conseguiu responder? Quantas
vezes queremos responder a uma crítica, um
comentário, um insulto, mas nos calamos para
evitar maiores conseqüências, ou por não
conseguirmos responder? Ou ainda, você já teve dor
de estômago, gastrite, úlcera, e ouviu dizer que
era por tantos sapos que havia engolido? O "sapo",
no caso, foram os desaforos ouvidos e "engolidos".
Quantas vezes você quis "vomitar" uma situação?
Analise você mesmo como suas emoções causam
mudanças imediatas em seu físico. Lembre-se da vez
em que ficou tão nervoso que teve uma diarréia. Ou
ainda, quando ficou muito tenso e sentiu dor de
cabeça. Quando ficou com uma alergia horrível
durante anos e ninguém descobria a causa? Com um
pouco de auto-conhecimento
podemos perceber que nosso corpo reflete nossas
emoções, principalmente aquelas que reprimimos.
Existe uma área da medicina, a psicossomática, que
estuda as relações mente e corpo, a influência dos
fatores psíquicos nos distúrbios físicos.
Profissionais da área da medicina e psicologia
recorrem à psicossomática para entender a origem
de determinadas doenças, as quais não estão
incluídas as hereditárias, genéticas e as causadas
por fatores do meio ambiente. Mas sim onde os
danos são aumentados em decorrência da tensão
psíquica, onde o estado emocional freqüentemente
pode determinar o curso da doença.
Mas ainda há, infelizmente, muitos profissionais
da área da saúde, que buscam entender apenas a
doença e não a pessoa como um todo, desprezando
completamente o ser humano em sua totalidade e
dificultando ainda mais a remissão da doença.
Muitas vezes, a própria pessoa prefere um
medicamento em substituição a uma psicoterapia ou
outro recurso que a ajude a trabalhar sua psique.
A medicação é considerada por muitos como a melhor
solução, talvez a mais fácil. É evidente que em
muitos casos a medicação se torna imprescindível,
mas é preciso entender que nem sempre elimina a
causa, sendo apenas um paliativo que alivia os
sintomas.
É importante observar se, por trás do mal físico
que o aflige, há questões psicológicas sobre as
quais pode-se interferir. Mas o que faz realmente
com que adoeçamos? Reprimir sentimentos é uma das
causas mais significativas para a causa dos males
no corpo. Ou seja, as doenças surgem e se agravam
por causa da dificuldade das pessoas expressarem
seus sentimentos, sendo muito mais suscetíveis a
manifestarem no corpo o que não estão conseguindo
resolver na psique.
O fator que leva ao surgimento de sintomas
somáticos ou ao agravamento de doenças é a queda
na imunidade, pois as emoções atingem
primeiramente o sistema imunológico. É comum
quando se está enfrentando um conflito, a pessoa
ficar com gripe ou surgir um herpes, que surgem
quando a imunidade abaixa. Ou seja, qualquer
distúrbio orgânico tem ligação com estados
emocionais, conscientes ou inconscientes, recentes
ou não.
Quantas vezes pensamos ter resolvido um problema
que nos aflige, quando na verdade, apenas o
deixamos de lado, deixando guardados em nosso
coração, mágoas, ressentimentos, raiva,
frustrações, que ao longo dos anos vão se somando?
O
fato de não falarmos ou pensarmos sobre algo que
nos machucou, não significa que não machuca mais.
Pode simplesmente ter sido reprimido em nosso
inconsciente e, mesmo não pensando sobre ele
conscientemente, nosso inconsciente continua a
atuar.
O corpo é como uma tela onde as emoções são
projetadas. E as emoções negativas são projetadas
em forma de doenças. Essas somatizações acontecem
a curto ou longo prazo, onde cada mente e corpo
reage de acordo com seu próprio tempo. Todos os
sentimentos negativos que vamos guardando, podem
dar origem as doenças se guardados por muito
tempo.
Por isso devemos resolver as questões que nos
aflige, aborrece, evitando assim que nosso
inconsciente se comunique através da linguagem do
corpo.
Nos demais artigos irei abordar outras questões
como a necessidade de adoecer, as fases do
adoecer, autopunição, culpa, repressão,
resistências...
Rosemeire
Zago
é psicóloga clínica com abordagem junguiana.