Estagnação em qualquer área da vida pode virar
doença
Quando ficamos parados, estagnados, acomodados,
muitas vezes recebemos sinais através de nosso
corpo que é preciso fazer algo. Os sintomas, assim
como as doenças, geralmente nos trazem uma
mensagem que é preciso olhar para dentro de nós
mesmos e perceber onde paramos, onde deixamos de
crescer. Adoecemos quando nos desviamos da
essência, da busca, quando deixamos essencialmente
de trocar. Quando não há troca, se morre.
Já percebeu que quando duas pessoas envolvidas
emocionalmente param de trocar, o relacionamento
adoece ou acaba? O mesmo acontece conosco. Quando
surge uma doença é importante nos perguntarmos
onde deixamos de trocar. Se há estagnação, não há
evolução e surge a doença. O sintoma é uma
denúncia que não está tendo troca em alguma área
da vida. Qual? Observe sua vida e responda a si
mesmo. Há seis instâncias humanas que refletem
como estamos agindo diante da vida, elas são:
Em qual área da sua vida não tem havido troca e
crescimento? Será que está dando mais atenção a
uma área, para fugir de outra que se encontra em
conflito? Por exemplo, é muito comum uma pessoa
trabalhar em excesso, saindo cedo e chegando tarde
em casa, evitando se confrontar com as
dificuldades que existem no ambiente familiar, ou
até, se sobrecarregar, ter muitos compromissos,
evitando pensar e entrar em contato com os
próprios sentimentos. Pode também acontecer de um
conflito familiar se refletir na relação afetiva.
Ou ainda, um conflito interno e pessoal se
refletir em outra área. Ou seja, há um conflito,
ainda que não esteja sendo percebido ou vivenciado
de maneira consciente, mas como nosso inconsciente
sabe muito bem tudo que sentimos, ainda que
neguemos, esse conflito pode se refletir em nosso
físico.
O meio de expressão do corpo é a linguagem
simbólica, apesar de que muitos jamais cheguem a
compreender o que lhes diz o próprio corpo. E os
sintomas são expressões simbólicas que, de forma
violenta, violam e denunciam conflitos não
resolvidos da alma. Mas muitas pessoas preferem
tomar um comprimido a ter que se confrontar e
aprofundar na busca das causas de seus conflitos.
Escolhem "terceirizar" a responsabilidade da cura
para o médico, os remédios, sem perceberem que a
capacidade de cura está dentro delas mesmas. Mas
quando um sintoma se manifesta no corpo, chama a
atenção e interrompe muitas vezes a continuidade
do caminho que estávamos até então percorrendo.
Isso muitas vezes é um sinal de advertência,
indicando que alguma coisa não está em ordem, não
está havendo harmonia em alguma área de sua vida,
ou ainda, como reflexo de todo um histórico.
O sintoma nos avisa que estamos doentes e que o
equilíbrio de nossas forças interiores está
comprometido. É quando devemos desviar o olhar do
sintoma e examinar tudo com mais profundidade, a
fim de compreender para que o sintoma está
apontando. O sintoma nos informa que está faltando
alguma coisa. Isso nos leva a perguntar: "O que
está faltando?" Ou, "estou no caminho certo?" Como
disse o escritor Peter Altenberg: "A doença é o
grito de uma alma agredida".
Ao surgir uma doença, observe seus sintomas e
pense onde sua alma foi agredida, e porque
permitiu que isso acontecesse. Na verdade, quando
ficamos parados, adoecemos porque existe algo mais
forte, a nossa essência, o self, nosso verdadeiro
eu, que nos impulsiona para o crescimento.
Enquanto houver a negação do conflito, ele buscará
uma forma de se manifestar com o intuito de ser
confrontado e elaborado. Ou seja, as doenças e
seus sintomas são sinais de alarme de nossa psique
nos avisando que há algo muito mais profundo
pedindo atenção. Cabe a cada um de nós entender a
linguagem do próprio corpo.
Rosemeire
Zago
é psicóloga clínica com abordagem junguiana.