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» Psicologia |
Por que você só somatiza emoções mal resolvidas
Rosemeire Zago
r.zago@uol.com.br
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As doenças e seus sintomas são expressões do
inconsciente, assim como os sonhos. Por isso é
importante resolvermos os conflitos internos para
impedirmos que o inconsciente se comunique através
da linguagem do corpo. Mas como entender essa parte
da mente tão misteriosa? O inconsciente não é
lógico, mas primitivo e antigo. Sendo assim, ele não
se exprime em palavras racionais ou pensamentos
realistas, e sim através de imagens, fantasias e
principalmente, sensações físicas.
No inconsciente ficam os conteúdos que alteram e
influenciam o comportamento, tudo que é considerado
agressivo à consciência. Pode-se dizer que o
inconsciente é semelhante a um porão, onde se guarda
tudo que não queremos ver e onde há bem mais coisas
que imaginamos.
Quando acontece algo que nos magoa profundamente,
como decepções, traições, perdas, estas vão aos
poucos se somando e acumulando, transformando-se em
ressentimentos, mágoas, frustrações, que podemos
negar conscientemente, mas tudo fica registrado em
nosso inconsciente. Geralmente quando acontece algo,
nossa mente busca mecanismos de defesa para evitar a
dor, e os mais comuns são a negação e a repressão.
Assim, negamos o que sentimos ou reprimimos. Tais
lembranças são reprimidas no inconsciente como forma
de defesa e censura interna. Nossa mente recorre
ainda a outro mecanismo de defesa, a conversão, onde
os conflitos emocionais são convertidos em sintomas
físicos.
Mas conforme outras situações acontecem trazendo
mais dor e que não conseguem ser expressas nem
compreendidas pelo consciente, elas não somem
simplesmente, mas são guardadas em nosso
inconsciente; aonde vai se somando às anteriores até
um momento que a mente não suporta mais e busca um
canal de expressão: o corpo. Isso é a somatização.
Os conflitos vão sendo somados até conseguirem se
expressar.
É importante entender que não são os traumas que nos
tornam doentes, mas sim a incapacidade de
expressá-los, por isso se torna tão importante
identificarmos nossos sentimentos e conseguirmos
expressá-los, ao menos para nós mesmos. Porém, como
nem sempre identificamos ou expressamos nossos
sentimentos quando ocorrem, sendo muitas vezes
originado durante nossa infância, a doença surge
para nos mostrar que é preciso identificar algum
conflito que ficou do passado. Mesmo que um
sentimento seja inaceitável por parte de seu ser
consciente, alerta, racional, isso não quer dizer
que tal sentimento deixe de existir, mas será
reprimido no inconsciente de maneira automática. Por
exemplo, você encontra-se numa situação que o faz
sentir raiva. Esta raiva pode ser inaceitável por
parte de seu consciente, mas sem a consciência desse
sentimento, você a reprime. Conforme reprimimos
aquilo que nos afeta, a tensão é acumulada até que
consiga uma maneira de ser extravasada.
Para aliviar essa tensão imposta pelos conflitos
reprimidos, o inconsciente pode se expressar por
meio da linguagem fisiológica. Assim sendo, o
inconsciente expressa através do corpo aquilo que
nossa psique não conseguiu elaborar. É quando se
torna importante a psicoterapia. Uma das finalidades
da psicoterapia é a de tornar consciente aquilo que
tenha sido anteriormente inconsciente, visando a
solução das dificuldades com a mente consciente e
racional.
Quando há um maior entendimento das causas dos
sintomas em nosso corpo, entendendo esse processo
inconsciente e, principalmente, o que ele tenta nos
mostrar através dos sintomas, mais facilmente
poderemos encontrar a cura. Caso esteja tendo
sintomas recorrentes ou não, procure um profissional
com especialização em Psicossomática, que poderá te
orientar como entender melhor essa linguagem do
inconsciente que expressa as emoções em nosso corpo.
A aceitação e a elaboração de todo esse processo
que, muitas vezes nos é mostrado através dos
sintomas, nos conduz ao caminho da cura, do
equilíbrio, que nada mais é que a busca de si mesmo,
o self, termo usado na terminologia de Jung. Muitas
pessoas resistem a esse encontro consigo mesmo,
preferindo recorrer apenas ao uso de remédios, e que
muitas vezes são apenas paliativos, que não eliminam
a causa. O objetivo com a psicoterapia e o confronto
com os próprios sentimentos não é colocar o dedo na
ferida, pois na verdade a ferida já está lá. Ela não
surge no momento em que é identificada, somente se
torna mais consciente. É através desse passo de
coragem, confrontando aquilo que está dentro de cada
um de nós, é que podemos obter a possibilidade de
cura.
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