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» Psicologia |
Será que você anda estressado?
Rosemeire Zago
r.zago@uol.com.br
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O estresse tem feito parte de nossa rotina diária,
mas será que você pensa em suas conseqüências a
longo prazo? Infelizmente, fazemos parte de uma
cultura onde não prevalece a prevenção, pelo
contrário, o lema é: esperar acontecer para ver o
que vai fazer. O assunto é sério e requer cada vez
mais atenção de cada um.
Por isso é importante identificar o que te deixa
irritado, nervoso, te tira do sério, e observar como
você tem reagido a essas situações. O que estressa
na realidade, não são apenas os fatos externos, mas
principalmente a forma pela qual reagimos aos
acontecimentos da vida e a maneira como os
interpretamos e sentimos que provoca muito mais o
estresse.
Afinal, o que é estresse? O estresse é a alteração
do organismo para se adaptar a uma situação nova ou
as mudanças de um modo geral. É uma reação do
organismo para manter o próprio equilíbrio e o corpo
pode interpretar a informação como ameaça,
preparando para duas reações básicas: lutar ou
fugir.
Quando nosso cérebro, independentemente de nossa
vontade, interpreta alguma situação como ameaçadora,
nosso organismo passa a desenvolver uma série de
alterações para se adaptar às situações. Se esse
estresse continua por um período mais longo, o corpo
começa a se acostumar com os estímulos causadores do
estresse e entra num estado de resistência ou
adaptação. É um estado de alerta geral! Durante esse
estágio, o organismo adapta suas reações e seu
metabolismo para suportar o estresse por um certo
tempo. Se o problema se prolongar, pode-se chegar ao
estado de esgotamento, quando haverá queda no
sistema de defesa e surgem as doenças.
A reação ao estresse pode ser canalizada para um
órgão ou sistema específico, por exemplo, o coração,
a pele, sistema muscular, aparelho digestivo, etc.
Quando o estresse se torna um problema
O estresse só se torna um problema quando ocorrem
muitas reações em um pequeno período de tempo ou
quando as dificuldades são constantes. O estresse é
cumulativo. Quanto mais intenso, mais sérias são as
conseqüências. Não é o quanto de estresse você
suporta, mas sim como você lida com ele que faz a
diferença.
Por isso é essencial aumentar o autoconhecimento,
pois só através dele é que podemos mudar algo, o
mais indicado é começar a observar mais seus
comportamentos. Faça algumas perguntas para si mesmo
para descobrir como está reagindo em algumas
situações e se haveria outra forma de reagir :
Como você reage ao estresse
"Estou preocupado demais com algo? O quê? Tenho
motivos para isso?
"Como posso resolver essa situação? Depende apenas
de mim a solução?"
"Estou mais cansado ultimamente? O que tem me
cansado mais?"
"No último ano enfrentei situações como: perdas,
separações, mudança significativa na vida familiar,
profissional, afetiva ou problemas de saúde? Caso
positivo, o que ocorreu?"
"Como eu reagi? Poderia ter reagido diferente?
Como?"
"Quais são as situações que eu não consigo ter
controle? Como eu poderia lidar com isso?"
"Quais serão as conseqüências se eu continuar a agir
assim?"
"Quais as outras opções que tenho?"
Essas perguntas parecem simples e são, mas é claro
que não é tão fácil pensar nelas quando você está
nervoso. Então, é preciso praticar. Quando se tornar
um hábito, você fará mais facilmente. Faça essas
perguntas a você mesmo quando estiver mais tranqüilo
e pense e/ou escreva sobre as respostas.
A conversa consigo mesmo é sempre um dos caminhos
mais indicados para aumentar o autoconhecimento, ter
mais controle sob suas ações, elevar auto-estima e
amor-próprio, pois cada vez que você consegue obter
o controle de seus comportamentos, sua autoconfiança
também aumenta.
Algumas pessoas têm características que podem
favorecer ao estresse, veja algumas:
Características das pessoas mais propensas ao
estresse:
- não conseguem relaxar, mesmo descansando se cobram
estar produzindo
- necessidade excessiva de controle
- quererem fazer tudo perfeito o tempo todo - o
perfeccionista
- são inflexíveis, não cedem nunca
- críticos com tudo e com todos, principalmente
consigo mesmos
- cobram demais de si mesmos
- sentem muita culpa
- competitivos
- preocupam-se com tudo e todos
- sentem dificuldade em estabelecer prioridades
- não conseguem impor limites, nem dizer "não" ("não
posso, não quero, não gosto")
- centralizam o trabalho para si, não conseguem
delegar responsabilidades
- dão importância a só um aspecto da vida (só
profissional, afetivo, filhos, etc)
- não sabem o que querem, dúvida constante
- desejo constante de estar fazendo outra coisa ou
ser outra pessoa
- levam tudo muito à sério, sem senso de humor, não
conseguem brincar
- necessidade de aprovação, pois valorizam muito a
opinião dos outros
O assunto é extenso, por isso, continuarei na
próxima semana.
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