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» Psicologia |
Sente-se inferior aos outros? Livre-se disso!
Rosemeire Zago
r.zago@uol.com.br
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Uma das queixas mais comuns das pessoas são os
conflitos internos e nos relacionamentos causados
pelo sentimento de inferioridade. Quantas pessoas
não se sentem inferiores aos seus colegas de
trabalho? Não buscam uma promoção por não se
sentirem capazes? Não terminam um relacionamento
destrutivo, por acreditarem que não conseguirão
ninguém que as trate bem? Estão sempre se comparando
ao irmão, irmã, vizinho, tendo a certeza que o outro
é muito mais? Outros deixam de trabalhar, sair,
viver, tudo porque se sentem inferiores aos demais.
A denominação complexo de inferioridade foi criada
por Alfred Adler (1870-1937), médico psiquiatra,
para designar sentimentos de insuficiência e até
incapacidade de resolver os problemas, o que faz com
que a pessoa se sinta um fracasso em todos, ou em
alguns aspectos de sua vida. É o que hoje chamamos
de baixa auto-estima, que é quando não se tem
consciência de seu valor pessoal. A baixa
auto-estima pode comprometer todos os
relacionamentos, seja pessoal, profissional,
afetivo, familiar, social.
Adler afirmava que todas as crianças são
profundamente afetadas por um sentimento de
inferioridade, que é uma conseqüência do tamanho da
criança e de sua falta de poder perante os adultos.
O que desperta em sua alma um desejo de crescer, de
ficar tão forte quanto os outros, ou mais forte
ainda. Ele sugere que existem três situações na
infância que tendem a resultar no complexo de
inferioridade:
Inferioridade orgânica
Crianças que sofrem de doenças ou enfermidades com
deficiências físicas tendem a se isolar, fugindo da
interação com outras crianças por um sentimento de
inferioridade ou incapacidade de competir com
sucesso com outras crianças. Contudo, ele salienta
que as crianças que são incentivadas a superar suas
dificuldades tendem a compensar sua fraqueza física
além da média e podem desenvolver suas habilidades
de maneira surpreendente. Por exemplo, se dedicam a
uma atividade física para compensar a deficiência.
Crianças superprotegidas e mimadas
Essas crianças podem desenvolver um sentimento de
insegurança, por não sentirem confiança em suas
próprias habilidades, uma vez que os outros sempre
fizeram tudo por elas.
Rejeição
Uma criança não desejada e rejeitada não conhece o
amor e a cooperação na família. Não sente confiança
em suas habilidades e não se sente digna de receber
amor e afeto dos outros. Quando adulta, tende a se
tornar fria, dura, ou extremamente carente e
dependente da aprovação e reconhecimento de outras
pessoas. Quanto mais necessidade de ser aprovado e
reconhecido pelo outro, mais se desenvolve a
necessidade de agradar. Isso faz com que as pessoas
deixem de ser elas mesmas, tornando-se o que os
outros gostariam que fosse, ou o que pensa que
gostariam, reforçando cada vez mais o sentimento de
inferioridade, pois não satisfazem a si mesmas.
Não são apenas as situações citadas acima que podem
fazer com que a pessoa sinta-se inferior, podem
existir muitas outras ocorridas durante a infância,
mas essas explicam a origem do termo utilizado e
podem resultar em isolamento, falta de interesse
social e cooperação.
Todos sabemos que não é nada fácil para uma criança
com alguma doença ou deficiência física conviver
socialmente, pois as crianças em geral são
implacáveis em brincar com as dificuldades de seus
colegas; gerando vergonha, medo e a necessidade de
se isolarem com o intuito de evitar ser alvo de
piadas. Diante dessa realidade é muito importante
que os pais apóiem seus sentimentos e não os
menosprezem; fazendo-a perceber que há muitas outras
qualidades e que seu potencial pode ser
desenvolvido. Do contrário, crescerão com muita
dificuldade em acreditar em si mesma, pois irá
depender de como cada um irá lidar com esses
aspectos.
A superproteção durante a infância pode realmente
gerar muita insegurança quando adulto, pois estas
pessoas quando crianças não foram incentivadas a
acreditarem em si mesmas. Assim, crescem, ainda que
inconscientemente, acreditando que faziam tudo por
ela por não ter a capacidade de fazer por si mesma.
A rejeição e o abandono podem gerar o sentimento de
inferioridade. Adler enfatizava ainda a importância
da agressão, no sentido de lutar por sua capacidade
de superar obstáculos e acreditar em si. Muitas
vezes a agressão pode manifestar-se como poder,
superioridade e perfeccionismo, porém a busca pela
superioridade como compensação pode tomar uma
direção positiva ou negativa.
Pode ser positiva e saudável quando motiva para
realizações construtivas e na busca de crescimento.
Será negativa e destrutiva quando existe uma luta
pela superioridade pessoal, dominando os outros
através do poder; podendo desenvolver a ambição
(busca o crescimento material, deixando de lado
pessoas e fatos significativos em sua vida) e inveja
(desejando ter tudo o que o outro tem, mas não se
sente capaz de conseguir por si próprio); tudo para
compensar seu sentimento de inferioridade.
A capacidade do outro sempre é percebida como maior
que a própria capacidade, sentindo-se sempre
inferior. Esse sentimento pode fazer com que a
pessoa se acomode na situação. Ainda que isso lhe
traga insatisfação e tristeza, nada faz para mudar,
pois não se sente capaz ou com forças.
Muitas vezes nos deparamos com pessoas que
demonstram ter uma total confiança em si mesma, mas
se observarmos melhor, podemos perceber um ar de
superioridade forçado, pois não reflete seu
verdadeiro sentimento em relação a si próprio. Mas o
que fazer quando somos adultos e sentimos medo,
vergonha, ou seja, ainda sentimos essa inferioridade
perante os outros? O mais indicado é:
10 dicas para para sair dessa
- Evite as comparações. Ficar se comparando com quem
quer que seja, não o fará se sentir melhor, pois as
pessoas são diferentes, possuem necessidades,
desejos e históricos de vidas diferentes.
- Compreenda seu histórico de vida e a origem de seu
sentimento de inferioridade. Por qual motivo se
sente inferior? Não desista, compreenda suas
dificuldades e procure enfrentar cada uma delas.
- Enfrente o medo. É importante lidar e enfrentar o
medo que as pessoas ou situações provocam e
compreender que a percepção de si mesmo está baseada
na conseqüência de fatos que já passaram. Você não
pode mudar seu passado, mas pode mudar seu presente.
- Reconheça seu valor. Perceba que seu valor
enquanto pessoa não pode e nem deve ser baseado na
maneira como foi tratado, ainda que isso tenha
durado toda sua vida. Não permita mais ser
desrespeitado ou maltratado.
- Identifique suas necessidades. O que você espera
receber dos outros pode ser aquilo que não recebeu
quando criança de seus pais. Não espere receber dos
outros o que só você mesmo pode se dar.
- O que você deseja receber na relação afetiva?
Muitas vezes os conflitos gerados no relacionamento
têm origem em seu histórico de vida.
- Observe e procure compreender cada um de seus
sentimentos. Perceba quando sentir inveja, ciúmes,
necessidade de poder ou superioridade. Esses
sentimentos podem estar ocultando e compensando um
sentimento de inferioridade.
- Aprenda com os erros e não fique se punindo por
ter errado, nem se acomode nas situações. Mude o que
deseja.
- Valorize sempre suas conquistas! Pare de
supervalorizar o que o outro tem ou faz e
desvalorizar as próprias conquistas.
- Faça psicoterapia. O auto-conhecimento obtido
através do processo da psicoterapia poderá fazer com
que reconheça seus reais valores e liberte-se do
complexo de inferioridade que acorrenta e aprisiona.
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