As pessoas estão
cada vez mais ansiosas, irritadas, angustiadas e
estressadas. Algumas justificam na falta de
dinheiro, alta do dólar, no terrorismo, trânsito
caótico, desemprego ou excesso de trabalho. Outras
acreditam que o motivo é a preocupação com os
filhos, pais, amigos, enfim, as justificativas
sempre são externas. Mas você já se perguntou qual
a causa de tanta insatisfação?
Ou
será que nem percebeu aquela sua agressividade na
última conversa ou sua irritação desproporcional
no trânsito? Muitos nem percebem que algo não está
bem internamente e vão se sobrecarregando de
trabalho, compromissos sociais, festas, reuniões,
sem assumirem, pois nem percebem, que agem assim
como uma forma de fugir do que sentem.
Nestes casos, a pessoa só percebe que não está bem
se acontecer algo que a faça acordar ou o corpo
der algum sinal em forma de dor ou doença,
começando uma corrida por diversos médicos. Mas
para quem percebe ou não, a verdade é que a
insatisfação é a mesma: consigo próprio.
Muitos acreditam que a solução está na conquista
de algo ou alguém. Quando não conseguem, a
angústia soma-se à frustração, gerando mais
insatisfação. Assim, a auto-estima e o
amor-próprio tendem a baixar e a convivência
consigo próprio chega a ficar insuportável,
criando um círculo vicioso de insegurança e baixa
auto-estima, prejudicando ainda mais as relações
externas. Isto acontece quando a pessoa age sem
respeitar seus sentimentos, ou seja, simplesmente
vai agindo, impulsivamente, ignorando seus
desejos, suas necessidades, suas carências, sem
pensar sobre o que quer ou o que sente.
Sente-se sem forças ou incapaz de conseguir?
Lembre-se das conquistas que já teve, valorize
suas lutas, e permita-se ir a busca de outras. Se
há coisas que não dependem diretamente de você,
não se martirize nem se culpe por isso. Liberte-se
da necessidade de ser responsável por tudo e por
todos. Identifique as situações que dependem de
você e priorize as mais importantes, segundo seus
critérios e não pelo que os outros determinaram
que seja correto. Ou é preciso que aconteça algo
trágico para que descubra a força que existe
dentro de você? Ela existe e você sabe.
Arregace as mangas
A
insatisfação também pode ser agravada pela falta
de objetivos, dos sonhos a serem alcançados. Ou
ainda, na busca pela realização daquilo que
esperam de você, e que pode estar muito longe do
que realmente deseja. Será que não é hora de
redefinir o que você quer? O trabalho está
desgastante, não há prazer? Pense como você pode
agir. Sua relação afetiva é uma soma de brigas?
Sente e converse. Faça uma avaliação da própria
vida, em todas as áreas, profissional, afetiva,
pessoal, familiar, e identifique o que pode ser
mudado. Deixe o comodismo de lado, arregace as
mangas e vá à luta.
Como há muita dificuldade para olhar para dentro
de si, a busca pelas soluções acaba sendo sempre
no externo, e alguns nem percebem que tanto as
causas como as soluções, podem estar mais perto do
que se imagina, pois geralmente estão dentro de
cada um de nós. De nada adianta conversar com
amigos ou com aquela pessoa que você confia, se
não há confiança em você mesmo. É preciso olhar
para dentro de si, sem medo, aprender a conversar
consigo mesmo, manter o que chamamos de diálogo
interno.
Deixe o papel de vítima, colocando a culpa em tudo
e em todos, buscando respostas onde certamente não
irá encontrar. Responsabilize-se por sua própria
vida, por tudo o que fez e também por tudo aquilo
que permitiu que outras pessoas fizessem e que
agora você pode decidir fazer diferente.
Há
momentos que devemos deixar fluir e pensar
positivo. Faça suas escolhas, busque o que deseja.
Sinta o prazer de celebrar as conquistas que
alcançou, pois isto fará com que você aprenda a
amar este ser especial que você é, e
conseqüentemente, sua segurança e auto-estima
aumentarão. Fique atento ao que está realizando,
sem medo de mudar tudo se for o caso.
A
opção é sua: você pode viver como um mero
espectador, vendo tudo passar, ou ser o
protagonista, vivendo cada minuto com a plenitude
que o momento exige. Só não pode continuar vivendo
insatisfeito, como se a vida fosse um fardo a ser
carregado, quando há infinitas possibilidades a
serem vivenciadas e que só dependem de você!
Rosemeire
Zago
é psicóloga clínica com abordagem junguiana.