Se você encontrasse
com um amigo que não vê há muito tempo, o que
contaria sobre sua vida? O que tem acontecido de
significativo? Você teria para contar mais
problemas, decepções, frustrações, enfim, faria
muitas lamentações ou contaria muitas conquistas,
crescimento e mudanças?
Ao pensar em sua vida, como a descreveria agora?
Pense nisso... E daqui para frente, o que espera
que aconteça? Como espera estar daqui a cinco, dez
anos? E o que você está efetivamente fazendo para
alcançar o que deseja? Se suas respostas foram
baseadas em dúvidas, incertezas, inseguranças,
sempre com pensamentos negativos, duvidando que
seja capaz de conseguir algumas coisas que deseja,
como espera conseguir mudar sua realidade? O que
está fazendo para mudar algumas situações que
dependem exclusivamente de você? Ou você está
aceitando tudo, conformado, pensando: "Já que está
tudo ruim mesmo, o que mais posso fazer?..."
Saiba que é possível fazer muitas coisas para
alcançar o que quer que deseje, desde que saiba o
que quer, ou também poderá começar pelo que já
sabe que não quer. Ao olhar para trás deve ter
muitas experiências ruins, que não deseja mais
passar, mas que também trouxeram muitos
aprendizados. O que aprendeu de significativo em
sua trajetória de vida? Algumas pessoas olham para
o passado e conseguem perceber as lições, ainda
que a custo de muito sofrimento, valorizam o
aprendizado, pois conseguem aprender com a
experiência passada. Outras só se lamentam sobre o
corrido, repetindo o mesmo padrão por anos, sem
aprenderem absolutamente nada. Essas se colocam no
papel de vítimas, onde só conseguem se lamentar
sem nada fazer para mudar.
O que deixou de
fazer há três, cinco, dez anos atrás e que até
hoje está sofrendo as conseqüências? Não terá
sofrido o suficiente para perceber que algo
diferente deve ser feito? Mas fazer o quê? Isso
somente você poderá responder.
'Síndrome de Gabriela'
Quem sabe poderá começar pensando em ser mais
flexível? Mais aberto às mudanças? Ou você sofre
da 'síndrome de Gabriela', lembra-se? "Eu nasci
assim, eu fui sempre assim, vou morrer assim..."
Você só consegue pensar que não há mais como
mudar, afinal já se passaram tantos anos? Você já
se sente "velho" para aprender? Nada disso! Velho
é quem pára de aprender, não se atualiza, e hoje
vivemos em constante processo de mudança, quando
pensamos em algo, já mudou!
Enquanto continuar acreditando que as coisas devem
ser feitas sempre da mesma maneira, possivelmente
tudo continuará tendo o mesmo resultado. É preciso
estar em constante aprendizado, aberto a mudanças,
seja sobre o que for. Seja em relação ao trabalho,
à educação dos filhos, fazer a comida, se
relacionar, amar, enfim, tudo muda em fração de
segundos e devemos acompanhar esse processo se
desejarmos evoluir, crescer; do contrário
encontraremos estagnação, e muitas vezes
sofrimento.
Você pode começar analisando algumas situações e
que na correria se esquece de dar uma paradinha
para avaliar suas relações. Se hoje não tiver
tempo, reflita sobre isso no final de semana,
reserve uns minutinhos para reavaliar seus
valores, sua maneira de conduzir seus problemas.
Afinal, estamos nos referendo a sua própria vida e
não há nada mais importante do que isso. Responda
a si mesmo as seguintes perguntas:
Auto-avaliação sobre a sua vida
- O
que tem feito por você?
- Tem dito "não" quando essa deve ser a resposta?
Ou ainda continua sempre querendo agradar a todos,
fazendo tudo por todos?
- Você se esquece constantemente de suas
necessidades?
- Tem tido momentos de lazer, tem feito algo para
se divertir? O que gosta de fazer e não faz há
muito tempo?
- Há quanto tempo você não dá um sorriso, ou uma
gostosa gargalhada?
- Como se sente em relação ao seu trabalho?
- E em relação a educação de seus filhos, caso os
tenha?
- E como está sua relação com seus pais?
- E sua relação afetiva, sexual, como está?
- Tem sido rígida (o) consigo mesma (o) e com os
outros?
- Tenta manter o controle sobre tudo e todos?
Quando na verdade não consegue ter controle nem
sob suas emoções?
- Sente muito mais o abandono do outro do que o
abandono que faz a si mesma (o)?
- Está em constante busca de aprovação e
reconhecimento por se sentir sem valor?
- Está sempre se culpando do que acontece aos
outros?
- Tem medo de perder a pessoa amada quando nem
percebe que já se perdeu de si mesmo?
- Consegue identificar seus sentimentos ou está
sempre em constante movimento para não entrar em
contato com o que está dentro de você?
- Está constantemente se frustrando por criar
muitas expectativas?
- Tem se sentido triste, constantemente irritada
(o), sem energia?
Analise com calma todas essas questões e reavalie
sua vida, suas relações. As dúvidas, os medos,
mágoas, ressentimentos, culpa, frustrações,
críticas, cobranças, são todos obstáculos ao
crescimento. Transforme tudo isso.
Não, não há receita nem fórmula mágica, mas é
certo que para as mudanças ocorrerem depende muito
mais de você. Comece se observando mais, pensando
sobre todos essas questões. Cultive dentro de você
a esperança, a fé, mesmo quando tudo parecer estar
perdido. É a harmonia consigo mesmo e com aqueles
que convive, que lhe trará paz interior e
preencherá seu vazio. É o amor por si mesmo e o
respeito por seus valores e sentimentos que o fará
se sentir uma pessoa de valor. E isso com certeza
ninguém poderá lhe dar, mas também ninguém poderá
lhe tirar, é uma conquista absolutamente sua e que
com certeza fará toda diferença em sua vida.
Depois de todas essa reflexões e prováveis
mudanças, talvez a história que irá contar quando
encontrar um amigo seja bem diferente.
Rosemeire
Zago
é psicóloga clínica com abordagem junguiana.