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» Psicologia |
O que está por trás da sua raiva?
"A raiva acaba por ser tornar uma fortaleza de
defesa para quem se sente sem poder. A raiva é muito
mais uma fuga dos próprios sentimentos"
Rosemeire Zago
r.zago@uol.com.br
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Qual sua reação quando algo não acontece como
gostaria? Ou diante de uma injustiça? Você consegue
identificar as situações que o faz sentir raiva?
Quando a sente, em geral você a expressa de alguma
maneira ou a reprime? Como foi a última vez que teve
um acesso de raiva? Caso tenha consciência do que
gerou seu último acesso de raiva, será que era mesmo
esse o motivo? Sabemos que a "raiva" deseja o que
quer, quando quer e nas condições que quer, como se
não houvesse o menor controle sobre ela.
Descobrir a raiva em si pode indicar descobertas
muito maiores e que devem ser reveladas, mas se não
for explorada pode se tornar um grande obstáculo
para investigar outras emoções mais profundas. A
maioria das pessoas que fica zangada com freqüência
pensa que conhece bem suas emoções, principalmente
por causa de seus acessos.
Quem sente raiva quase sempre acredita que a raiva
em si seja um sentimento genuíno, o que nem sempre
corresponde à verdade. Nem sempre sabem o que estão
realmente sentindo além da raiva facilmente
perceptível, que em geral devasta tudo que está no
caminho, como se fosse um furacão, deixando apenas
como conseqüência os prejuízos. Os acessos de raiva
são experiências muito dolorosas, tanto para quem as
sente, como para quem é alvo dela. Porém, em muitos
casos, a raiva acaba por ser tornar uma fortaleza de
defesa para quem se sente sem poder e faz o possível
para enfrentar um mundo que para ela é assustador.
Algumas situações de frustração podem fazê-lo querer
provar de quem foi a culpa ou jurar vingança, quando
na verdade podem ser expressões de desespero e
desamparo. Lembre-se de alguma situação em que
alguém o tratou assim, jurando que você iria pagar
pelo que fez. Será que essa pessoa não estava se
sentindo desamparada?
Uma pessoa muito zangada, na verdade, está
amedrontada e assim, ataca. Toda hostilidade tem
origem no medo, no desespero, em não saber como agir
e como defesa, acaba por atacar. A raiva parece
gerar uma coragem além do que acredita ter, podendo
se tornar tão compulsiva que resulta quase sempre em
violência. A pessoa irada parece estar sentindo
qualquer sentimento, menos medo, mas não só está com
medo, como apavorada. Pavor de perceber que não é
capaz de controlar tudo. E sentindo-se assim, também
deve sentir muita dor, porém essa dor é negada. Ou
seja, sob a raiva há a dor e sob essa dor há o medo.
A dor pode ter sido causada por diversos motivos, a
morte de alguém querido, a perda de um emprego, a
falta de dinheiro para pagar as contas, um processo
perdido, uma injustiça contra sua pessoa, o
diagnóstico de uma doença, ter sido maltratado e
quem o tratou assim não sentiu arrependimento, ou
outros tantos fatores.
Como essa dor foi desprezada e negada, acaba por
ficar reprimida e necessita ser manifestada de
alguma forma, sendo muitas vezes expressa em forma
de raiva. A raiva pode ser uma dor que foi reprimida
e, por ser tão intensa, se torna mais fácil ficar
irado do que entrar em contato com a dor.
Mas é preciso lembrar-se que a dor não desaparece
com um acesso de raiva, muito pelo contrário, pode
gerar mais dor pelas conseqüências que essa
expressão pode causar. Quanto mais a dor é negada,
maior e mais freqüente será a raiva, que é
duplamente dolorosa. A dinâmica interior não é sua
raiva, mas a causa da sua raiva. Essa é sua dor.
Buscar essa causa é o que diminuirá de senti-la. Nem
sempre quem o faz sentir raiva coincide com a causa
da sua dor. A raiva é muito mais uma fuga dos
próprios sentimentos.
A raiva também se manifesta em situações de
impotência, a qual faz com que você se considere sem
valor, incapaz de fazer diferença para alguém. Se a
dor perante os fatos for profunda, poderá ser
encoberta pela raiva, que o faz agredir por não se
sentir capaz de amar e assim rejeita o amor dos
outros - e que tanto necessita - por não acreditar
ser merecedor desse amor.
A raiva impede o amor e isola a pessoa que a sente.
É uma tentativa de afastar o que mais deseja:
companhia e compreensão. No fundo acredita não ser
capaz de ser entendido ou que não merece tal
compreensão, tornando-se o primeiro a rejeitar
qualquer possibilidade disso acontecer. O amor não
ameaça forma alguma de vida, mas alimenta, apóia,
busca acima de tudo a harmonia.
Como lidar com a raiva
Na próxima vez que sentir raiva, procure identificar
se há medo ou dor por algo que aconteceu. Entre em
contato com seus sentimentos, sem negar ou fazer que
não os sente. Use sua raiva para descobrir mais
sobre si mesmo. Ao se sentir com raiva, zangado por
algo que ocorreu, pare o que estiver fazendo,
falando ou pensando, opte por não gritar, atirar um
objeto ou reagir com violência impulsiva, e volte
sua atenção para o que estiver sentindo.
Isso não será fácil, mas valerá o esforço. Canalize
sua energia em sua consciência, que o impedirá de
agir por impulso e busque explorar seus sentimentos,
incluindo a dor que está sentindo. Nesse momento
perceberá que ter um acesso de raiva irá desviar sua
atenção da verdadeira causa: sua dor. Mas ao se
confrontar com sua dor perceberá ser o caminho mais
seguro para deixar de senti-la.
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