Mulheres sentem
mais necessidade em agradar do que homens
Você já parou para
pensar se está constantemente querendo agradar aos
outros, buscando aprovação e reconhecimento por
tudo que faz? A maioria das pessoas age dessa
maneira e nem sequer percebe, pois muitas vezes
essa necessidade é inconsciente. Necessidade de
quê? Em sentir-se importante? Será que importante
o suficiente para ser amado?
É preciso muita honestidade consigo mesmo para
reconhecer esse comportamento. Fazemos isso de
maneira tão natural que sequer nos damos conta.
Mas reconhecemos claramente quando nosso objetivo
em agradar é frustrado ao não sermos reconhecidos.
Fazemos de tudo para que alguém perceba nosso
valor. E quando não recebemos esse reconhecimento
por quem somos, procuramos obtê-lo pelo que
fazemos e pelo aquilo que temos.
Por mais que as pessoas dizem que o mais
importante é ser do que ter, parece que no
dia-a-dia isso se torna esquecido. Esse
comportamento não é exclusivo das mulheres, mas é
nelas que se apresenta muito mais. Ficamos sem
comer as coisas que mais gostamos para
emagrecermos; trabalhamos exaustivamente sem
descanso; deixamos a casa impecavelmente limpa e
arrumada, a roupa lavada, passada e cheirosa
organizada no armário; preparamos uma jantar
especial, nos sobrecarregamos para dar conta de
tudo e cuidar de todos e mesmo assim, muitas
vezes, não recebemos nenhuma reação do outro lado
que demonstre ter percebido todo nosso empenho.
E quando vamos
ao cabeleireiro, gastamos um dinheirão, ficamos
horas para sairmos mais bonitas e ao chegarmos em
casa, sequer percebem a diferença? Em todos os
casos, se não houver reconhecimento de alguém, nos
decepcionamos, nos frustramos. Ficamos com a
nítida sensação de que nossa dedicação - quase
compulsão - em agradar, não é sequer percebida.
Brigamos, gritamos e passamos a ser a errada na
história pelo simples fato de demonstrarmos nosso
descontentamento com tamanho descaso.
Como resposta ouvimos que só sabemos reclamar e
cobrar. Mas será que tem que ser sempre assim?
Todo ser humano quer ser reconhecido pelo que faz,
seja no trabalho, nos afazeres domésticos, na
educação com os filhos, no cuidar da pessoa
amada... Enfim, fazemos pelo outro, mas também nos
alimentamos ao sermos reconhecidos, mas é preciso
observar quando essa necessidade se torna o
objetivo principal.
O que nos leva a querer agradar tanto a alguém e
nem percebemos?
A mulher
geralmente é ainda quem mais demonstra seus
sentimentos e pelo próprio instinto, preocupa-se
mais em ser e sentir-se útil. Porém se analisarmos
profundamente, esse necessidade surge de uma
outra: ser aceita; não que os homens não sintam
essa necessidade, mas acabam por demonstrar mais
segurança, o que nem sempre corresponde com o que
estão sentindo.
O impulso de
querer agradar é muitas vezes produzido pelo medo
da perda. É quando você acredita ser incapaz de
viver sem o que - ou quem - teme perder. Sente que
o menor erro pode ter conseqüências terríveis,
devendo tomar cuidado com o que fala e como age
para evitar uma rejeição.
Assim, uma pessoa que sente necessidade de
agradar, ainda que seja inconsciente, está sempre
tensa, ansiosa, sempre tentando adivinhar o que os
outros querem que ela seja e como deve agir, pois
a opinião dos outros é muito mais importante que a
dela mesma. Aos poucos aprende a não ter desejo
algum, opinião alguma. Tudo que faz é para agradar
ao outro. Escuta as opiniões dos outros antes da
sua própria.
A opinião dos outros, igual às necessidades deles,
são mais importantes que as próprias. Quem deseja
agradar coloca quase sempre seu valor próprio nas
mãos dos outros e depende inteiramente do
julgamento deles e é isso que deve ser evitado.
Sua estratégia está em se concentrar nos outros,
com o desejo de obter aprovação, admiração,
reconhecimento, atenção das outras pessoas, de
modo a ser aceito por eles, pois na verdade, não
se aceita e nem se aprova.
Enquanto não
conseguir obter aquilo que no fundo deseja -
agradar para conseguir atenção - maior se torna
sua necessidade. Na verdade, sua necessidade não é
agradar, é ser aceito, valorizado. Só enfrentando
o que estiver sentindo, seja o que for, lhe
proporcionará uma percepção da própria força, da
sua riqueza de recursos internos e da sua
capacidade de conseguir o que quiser e chegar até
onde se permitir.
Mas enquanto seu
desejo em querer agradar ocultar outras
necessidades, ainda que sejam inconscientes, suas
necessidades mais profundas continuarão a ser
negligenciadas, pois o objetivo em apenas querer
agradar pode estar ocultando sua busca pelo
próprio valor. Todo ser humano precisa de
reconhecimento pelo que faz, mas há uma diferença
enorme entre querer esse reconhecimento de uma
maneira saudável e depender do reconhecimento
exterior a ponto de tornar-se incapaz de viver sem
ele o tempo todo. Reveja com honestidade seu
objetivo e comprometa-se em agradar a si mesmo,
reconhecendo seu valor pela pessoa que você é,
esse com certeza é o primeiro passo para alcançar
seus objetivos mais sagrados!
Rosemeire
Zago
é psicóloga clínica com abordagem junguiana.