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» Psicologia |
Mulheres sentem mais necessidade em agradar do que homens
Rosemeire Zago
r.zago@uol.com.br
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Você já parou para pensar se está constantemente
querendo agradar aos outros, buscando aprovação e
reconhecimento por tudo que faz? A maioria das
pessoas age dessa maneira e nem sequer percebe, pois
muitas vezes essa necessidade é inconsciente.
Necessidade de quê? Em sentir-se importante? Será
que importante o suficiente para ser amado?
É preciso muita honestidade consigo mesmo para
reconhecer esse comportamento. Fazemos isso de
maneira tão natural que sequer nos damos conta. Mas
reconhecemos claramente quando nosso objetivo em
agradar é frustrado ao não sermos reconhecidos.
Fazemos de tudo para que alguém perceba nosso valor.
E quando não recebemos esse reconhecimento por quem
somos, procuramos obtê-lo pelo que fazemos e pelo
aquilo que temos.
Por mais que as pessoas dizem que o mais importante
é ser do que ter, parece que no dia-a-dia isso se
torna esquecido. Esse comportamento não é exclusivo
das mulheres, mas é nelas que se apresenta muito
mais. Ficamos sem comer as coisas que mais gostamos
para emagrecermos; trabalhamos exaustivamente sem
descanso; deixamos a casa impecavelmente limpa e
arrumada, a roupa lavada, passada e cheirosa
organizada no armário; preparamos uma jantar
especial, nos sobrecarregamos para dar conta de tudo
e cuidar de todos e mesmo assim, muitas vezes, não
recebemos nenhuma reação do outro lado que demonstre
ter percebido todo nosso empenho.
E quando vamos ao cabeleireiro, gastamos um
dinheirão, ficamos horas para sairmos mais bonitas e
ao chegarmos em casa, sequer percebem a diferença?
Em todos os casos, se não houver reconhecimento de
alguém, nos decepcionamos, nos frustramos. Ficamos
com a nítida sensação de que nossa dedicação - quase
compulsão - em agradar, não é sequer percebida.
Brigamos, gritamos e passamos a ser a errada na
história pelo simples fato de demonstrarmos nosso
descontentamento com tamanho descaso.
Como resposta ouvimos que só sabemos reclamar e
cobrar. Mas será que tem que ser sempre assim? Todo
ser humano quer ser reconhecido pelo que faz, seja
no trabalho, nos afazeres domésticos, na educação
com os filhos, no cuidar da pessoa amada... Enfim,
fazemos pelo outro, mas também nos alimentamos ao
sermos reconhecidos, mas é preciso observar quando
essa necessidade se torna o objetivo principal.
O que nos leva a querer agradar tanto a alguém e nem
percebemos?
A mulher geralmente é ainda quem mais demonstra seus
sentimentos e pelo próprio instinto, preocupa-se
mais em ser e sentir-se útil. Porém se analisarmos
profundamente, esse necessidade surge de uma outra:
ser aceita; não que os homens não sintam essa
necessidade, mas acabam por demonstrar mais
segurança, o que nem sempre corresponde com o que
estão sentindo.
O impulso de querer agradar é muitas vezes produzido
pelo medo da perda. É quando você acredita ser
incapaz de viver sem o que - ou quem - teme perder.
Sente que o menor erro pode ter conseqüências
terríveis, devendo tomar cuidado com o que fala e
como age para evitar uma rejeição.
Assim, uma pessoa que sente necessidade de agradar,
ainda que seja inconsciente, está sempre tensa,
ansiosa, sempre tentando adivinhar o que os outros
querem que ela seja e como deve agir, pois a opinião
dos outros é muito mais importante que a dela mesma.
Aos poucos aprende a não ter desejo algum, opinião
alguma. Tudo que faz é para agradar ao outro. Escuta
as opiniões dos outros antes da sua própria.
A opinião dos outros, igual às necessidades deles,
são mais importantes que as próprias. Quem deseja
agradar coloca quase sempre seu valor próprio nas
mãos dos outros e depende inteiramente do julgamento
deles e é isso que deve ser evitado. Sua estratégia
está em se concentrar nos outros, com o desejo de
obter aprovação, admiração, reconhecimento, atenção
das outras pessoas, de modo a ser aceito por eles,
pois na verdade, não se aceita e nem se aprova.
Enquanto não conseguir obter aquilo que no fundo
deseja - agradar para conseguir atenção - maior se
torna sua necessidade. Na verdade, sua necessidade
não é agradar, é ser aceito, valorizado. Só
enfrentando o que estiver sentindo, seja o que for,
lhe proporcionará uma percepção da própria força, da
sua riqueza de recursos internos e da sua capacidade
de conseguir o que quiser e chegar até onde se
permitir.
Mas enquanto seu desejo em querer agradar ocultar
outras necessidades, ainda que sejam inconscientes,
suas necessidades mais profundas continuarão a ser
negligenciadas, pois o objetivo em apenas querer
agradar pode estar ocultando sua busca pelo próprio
valor. Todo ser humano precisa de reconhecimento
pelo que faz, mas há uma diferença enorme entre
querer esse reconhecimento de uma maneira saudável e
depender do reconhecimento exterior a ponto de
tornar-se incapaz de viver sem ele o tempo todo.
Reveja com honestidade seu objetivo e comprometa-se
em agradar a si mesmo, reconhecendo seu valor pela
pessoa que você é, esse com certeza é o primeiro
passo para alcançar seus objetivos mais sagrados!
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