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» Psicologia |
Não pedir conselho e opinião é uma forma de se libertar da insegurança
Rosemeire Zago
r.zago@uol.com.br
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Por que algumas pessoas sentem suas mãos suarem frio
diante de uma pequena apresentação? Por qual motivo
participar de uma prova, um teste, ou algo que o
coloque numa posição de estar sendo observado,
avaliado pode se tornar uma tortura? O que faz uma
pessoa sentir um ciúme incontrolável perante a
simples presença de outro ao lado da pessoa amada? O
que faz com que uma pessoa se sinta insegura
evitando a todo custo situações em que precisa expor
suas crenças, idéias e sentimentos?
A insegurança traz como características os mais
variados tipos de medo: amar, mudar, falar, solidão,
e principalmente, o medo de falhar e com isso não
ser aprovado e amado. A busca pelo reconhecimento e
aprovação é uma busca constante na vida de uma
pessoa insegura.
É inseguro quem não confia em si mesmo e
conseqüentemente não acredita em ninguém. Na
verdade, não confia em seu valor pessoal, não
acredita em seu próprio potencial e capacidade de
enfrentar as dificuldades e fatos da vida, o que o
impulsiona a tendência de se apoiar nos outros,
dependendo que alguém faça aquilo que não acredita
ser capaz.
Por não sentir certeza em sua maneira de agir diante
dos fatos, nem controle sobre os próprios
sentimentos, desconfia de tudo e de todos,
desenvolvendo uma necessidade crescente de controlar
os atos e atitudes das pessoas que acabam por gerar
muitos conflitos nos relacionamentos.
Adultos inseguros geralmente eram crianças cujos
pais eram também pessoas inseguras e pelo excesso de
zelo ou superproteção não as deixavam livres para
errar, escolhendo pelos filhos as roupas que iriam
usar, esportes que iriam praticar, brinquedos que
deviam brincar, sentimentos que deviam sentir,
enfim, escolhiam amigos, profissão, onde o medo
sempre se sobrepunha pelo controle e autoritarismo.
Crescem constantemente cedendo aos desejos dos
outros, deixando que decidam por elas sem levar em
conta seus gostos e preferências e quando adultos
raramente se permitem ter os próprios desejos e
quando os têm, podem sentir uma enorme culpa.
Muitas vezes a pessoa insegura desenvolve muitas
máscaras como compensação. Os exemplos são muitos:
pessoas que se mostram firmes, autoritárias no
trabalho, que desejam controlar tudo a sua volta,
querem comandar, quando na verdade estão apenas
tentando ocultar sua insegurança. Outros se mostram
exageradamente interessados em estarem sempre
atualizados sobre todos os acontecimentos, lendo
todos os jornais e revistas, assistindo a todos os
telejornais e programas, para terem assunto quando
na roda de amigos. Homens procuram conquistar
mulheres diferentes a cada dia, mas sentem-se
incapazes de conquistar aquela que amam.
Pessoas que falam compulsivamente, não dando tempo
para serem questionadas, outros apenas ouvem e nem
sequer conseguem pensar em expor suas próprias
idéias e vontades. Os exemplos você pode encontrar
em seu dia-a-dia, em si mesmo ou nos outros. Abaixo
seguem algumas características de quem tem a
insegurança como companheira:
- Dificuldade em dizer o que pensam
- Evitam o olhar
- Não pedem o que querem
- Evitam expressar seus sentimentos, idéias, crenças
e vontades
- Não correm riscos para buscar aquilo em que
acreditam
- Sentem medo constantemente
- Necessidade constante de aprovação, reconhecimento
e elogios
- Carência e dependência excessiva
- Supervaloriza as necessidades do outro e
desvaloriza as próprias necessidades
- Adiam para o dia seguinte seus compromissos
Como estamos sempre lançando mão de mecanismos de
defesa, entre eles a compensação, muitas pessoas
inseguras passam despercebidas pelos outros, podendo
se mostrar alegres, constantemente contando piadas,
com o simples intuito de ocultar suas verdadeiras
dificuldades. É evidente que isso não quer dizer que
toda pessoa que conte piada é uma pessoa insegura,
mas que pessoas inseguras buscam disfarçar suas
inseguranças.
A sensação de vazio, tão comum nos dias de hoje, e
onde sempre se busca algo ou alguém que preencha
esse enorme buraco, pode desenvolver uma carência
absurda por afeto e demonstrações de amor, podendo
transformar a necessidade natural de amor em uma
necessidade patológica por ser amado. E toda
carência em geral leva à dependência.
Podemos não depender de alguém para nossas
necessidades básicas, mas dependemos da aprovação,
do reconhecimento, do amor do outro, como se fosse
nosso principal alimento de subsistência. E quando
percebemos que podemos perder a fonte que nos
alimenta, o verdadeiro desespero acontece. O
desespero toma conta em situações que percebemos
correr o risco da perda, seja do que for ou de quem
for, quando sentimos que não somos aceitos em nossa
maneira genuína de ser, pois raramente o inseguro é
ele mesmo, pois está sempre escondido por trás de
suas máscaras de proteção. É preciso ter o cuidado
em não confundir fragilidade, sensibilidade, com
insegurança.
Para quem se identifica com tudo isso o mais
indicado é buscar a origem de sua insegurança,
analisando seu histórico de vida e identificando os
momentos em que seu valor pessoal foi colocado em
dúvida, deixando sempre a sensação que estava
errado. Feito isso é importante aos poucos se
permitir tomar suas próprias decisões em pequenas
situações do dia-a-dia, evitando pedir conselhos ou
opiniões para outras pessoas, mas aprendendo a ouvir
a si mesmo e reconhecendo acima de tudo seu próprio
valor enquanto ser humano.
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