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» Psicologia |
Entenda e enfrente a separação
Rosemeire Zago
r.zago@uol.com.br
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Quem está passando por uma separação sente mais
dificuldade em realizar as tarefas mais simples,
como se não tivesse mais energia para nada. Nesse
momento nos sentimos tão sem valor, que não
encontramos forças para fazer algo por nós mesmas ou
ainda, não acreditamos sermos merecedoras de nada
que possa fazer nos sentir bem, como se houvesse uma
culpa oculta gerada pela própria situação.
Há uma mistura de sentimentos: culpa, abandono,
mágoa, raiva, medo, rancor, tristeza, frustração,
impotência, dor, solidão... Mas apesar da perda, dos
erros e feridas, podemos e devemos, fazer algo para
que consigamos suportar esse momento tão cruel e que
parece não ter fim.
Separar-se de quem se ama não é uma tarefa das mais
fáceis. É um momento de muita dor, como se tivesse
atingido a nossa própria alma, que agora sangra de
tal forma, que parece não se cicatrizar nunca. As
emoções ficam mais expostas e a razão parece sequer
existir. Ficamos totalmente sem defesa e proteção. E
o que mais nos pedem é que sejamos racionais. Como,
quando tudo é sentido com tanta intensidade, que
parece não existir espaço para a razão?
Quando a decisão pela separação é tomada pelos dois,
que concordam ser esse o melhor caminho, por não
haver mais amor, respeito, amizade, objetivos em
comum, já é difícil, por todo o processo em si que
envolve esse momento. Mas existem casos que a
separação acontece quando um, ou muitas vezes, os
dois, ainda se amam, mas determinada situação os
"forçam" a se separar. Ou ainda, há pessoas que são
literalmente abandonadas, sem sequer ter participado
da decisão ou sabem os reais fatores que levaram o
outro a ir embora.
Quando existe amor, a separação machuca demais os
envolvidos, não atingindo apenas quem já não sente
mais amor, ou quem já está com outra pessoa em seu
coração. Para quem ainda ama, requer muito esforço
para voltar a sentir prazer pela vida. Afinal... que
vida... se sentimos que quem foi levou um pedaço de
nós? Dizem que o tempo é o melhor remédio, mas o
tempo parece se intensificar e prolongar ainda mais
o que tanto dói.
Hoje, sequer existem amigos para dividir esse
momento, e muitas vezes, não há família. Ou seja,
não há ninguém com quem dividir a tristeza, a
saudade, com quem falar das dúvidas e perguntas sem
fim. Não há quem suporte ao nosso lado e preencha
esse vazio tão intenso deixado por quem se foi e por
tudo que se acreditou. É exatamente isso que dá a
sensação de vazio, os planos feitos, os sonhos que
jamais serão realizados, ao menos com quem se
acreditou que seriam. Tudo isso acabou! Acabou o
"nós" e é preciso de novo voltar a dizer "eu", não
há mais a "nossa" casa, e sim, a "minha". Não há
mais as ligações diárias, os jantares a dois, os
momentos de prazer, as preocupações divididas, tudo
agora terá que ser feito só, mas é preciso lembrar
que também não há mais sofrimento.
A certeza de ter alguém que nos espere, que se
preocupe, que nos ame, nos dá muitas vezes a
segurança para continuar mais um dia e que, de
repente, não temos mais. Ficamos inseguros, frágeis,
sensíveis, e apenas com uma certeza: não somos
amados como esperávamos ser. E isso acaba por se
refletir em todas as outras áreas de nossa vida,
comprometendo nossa concentração, criatividade, o
trabalho e até a própria saúde.
A tendência nesse momento é lembrar apenas de tudo
que havia de bom, dos momentos de alegria, mas será
que era mesmo assim? Se fosse, haveria a separação?
É preciso analisar todo o relacionamento para
identificar o que era desejo, idealização e o que
era realidade. A outra pessoa estava correspondendo
aquilo que você esperava dela? Será que nos últimos
meses, ou quem sabe até anos, tudo era mesmo feito
junto e com satisfação para ambos? Quem acabava
sempre cedendo para agradar apenas ao outro? Quanto
será que você não relevou, deixou para lá, não
esperou que o outro mudasse? Quais eram os motivos
dos desentendimentos, discussões e brigas? Os
objetivos de cada um continuavam a ser os mesmos? Os
valores também? Havia demonstrações constantes de
amor? Os dois se sentiam amados e valorizados? O que
levou ao distanciamento? Havia diálogo, trocas
constante de carinho, cuidado com o outro? Ou será
que as palavras de carinho começaram a dar lugar a
ofensas e mágoas?
Algumas palavras ditas ferem como arma afiada que
penetram no mais íntimo de nosso ser, provocando
feridas invisíveis, mas que dificilmente cicatrizam.
Como e quando as coisas mudaram? Por que não se
conseguiu evitar a separação?
Acaba sendo instintivo julgar o outro como
responsável pelo nosso sofrimento em função de sua
ausência. Mas será que agora você não está tão
sozinho como quando estavam juntos? Todos esses
sentimentos, muitas vezes contraditórios, podem nos
deixar mais confusas ainda, quando o que mais
precisamos é serenidade e confiança.
Sentimos medo de errar de novo, de ficar sozinha, de
ninguém mais querer dividir a vida conosco, de não
ser mais amada, desejada, de não conseguir superar
mais essa perda, e assim, nos isolamos. Culpamos-nos
pelo que fizemos e deixamos de fazer. Tudo parece
não ter mais vida e nem sentido para se continuar
vivendo. Será que está sentindo tudo isso porque o
outro não está mais ao seu lado, ou por que
abandonou a si mesma há muito tempo?
É importante nesse momento você responder a si mesma
todas essas perguntas com sinceridade para que possa
entender todo esse processo e voltar a perceber o
valor que com certeza você tem. O mais urgente nesse
momento é confrontar-se com os sentimentos que mais
doem dentro de você, pois será o caminho certo para
buscar sua força interior.
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