|
|
|
|
|
» Psicologia |
Livre-se do sentimento de culpa
Rosemeire Zago
r.zago@uol.com.br |
É muito importante que nos libertemos das culpas,
principalmente as que se referem aos nossos pais;
tanto das culpas que atribuímos a eles, como as que
assumimos por termos ou não termos feito algo por
eles.
Do contrário, podemos repetir alguns conflitos que
foram vividos na família, em nossos relacionamentos
afetivos. Isso acontece porque todos nós tendemos a
repetir, quando adultos, alguns padrões de
comportamentos que tivemos na infância com o
objetivo inconsciente de dissolver esses conflitos,
principalmente se nos culpamos de algo. Quando não
conseguimos com nossos genitores, tentamos com
nossos companheiros.
Enquanto não identificamos esses conflitos
familiares, iremos repetindo-os. Por isso é preciso
reconhecer nossas feridas sem fugas para não
repetirmos os mesmos padrões que tanto nos machucam.
Há casos em que o inconsciente busca a reparação
pela culpa, como por exemplo, uma criança que
incentivou a mãe a se separar do pai por ser
maltratada e quando se torna adulta não consegue se
separar, como se quisesse reparar o mal que
acreditou ter feito ao pai. Ou seja, a culpa por
algo que fizemos ou deixamos de fazer ainda crianças
pode se perpetuar e nos trazer muitos conflitos,
pois o inconsciente pode buscar repetir o mesmo
padrão ou reparar algo que acredita ter feito.
É comum pai e/ou mãe desejarem impor suas vontades
aos filhos ao fazer com que se sintam culpados, e
para alcançar isso recorrem à autoridade, poder,
repressão, manipulação, cobrando que tenham atitudes
conforme seus próprios valores, ignorando muitas
vezes a individualidade de seus filhos. É certo que
alguns filhos exageram em seus comportamentos e
também não respeitam seus pais; mas sabemos de
muitos casos onde os pais não respeitaram seus
filhos desde pequenos e depois, quando estes são
adultos, são cobrados pelo respeito que sequer
receberam.
O mesmo podemos dizer em relação a carinho, atenção,
cuidado e amor. Quantos pais não deram nada disso a
seus filhos e depois esperam receber? Quantos pais
deram a seus filhos a indiferença, o desprezo, a
rejeição, o abandono e depois de anos desejam
receber atenção, cuidado e amor? Como retribuir o
que nunca foi recebido? Quantas culpas são geradas
por essa cobrança interna por não conseguir dar o
que não se teve? Mas será que esses pais tiveram dos
pais deles? Ninguém dá aquilo que não tem. Como
culparmos nossos pais por aquilo que não nos deram,
se eles próprios não receberam e nem tiveram
informações ou condições suficientes para mudarem a
maneira de agir?
Da mesma forma, como podemos nos culpar quando não
conseguimos dar o que também não tivemos? Não
podemos nos culpar e nem culpá-los, mas podemos
procurar entender toda essa dinâmica e aos poucos ir
dissolvendo as culpas através do longo processo da
compreensão e principalmente do perdão.
Origens da insegurança
Muitos pais geram adultos inseguros pelo excesso de
zelo e preocupação, desdobrando-se em cuidados e
atenção. A superproteção, onde o lema é 'para seu
próprio bem', na verdade faz com que quem esteja
sendo cuidado sinta-se incapaz de cuidar de si
mesmo, pensar, realizar seja o que for,
comprometendo assim sua auto-estima. É preciso muito
cuidado para não dar ou realizar algo que é de
responsabilidade e competência de outra pessoa,
evitando assim que se sinta incapaz e se culpe por
não conseguir. E isso acontece com muita freqüência
em muitos relacionamentos, não só entre pais e
filhos, mas entre casais.
Quando há superproteção, na verdade, está se
subestimando a capacidade do outro, como se ele não
a tivesse, ou ainda, para compensar a falta de amor,
pelo outro ou por si mesmo. A proteção em excesso
não traz crescimento algum. Superproteger é muito
diferente de ajudar o outro a crescer, que requer
acima de tudo respeito. Nem todos os pais respeitam
seus filhos, independente da idade. Em muitos casos
resolvem por eles, decidindo o que devem fazer,
falar, sentir e se não corresponderem ao que é
esperado, inevitavelmente serão culpados. É evidente
que não estou me referindo aos filhos ainda
pequenos, apesar de que, estes também devem ser
ouvidos e suas opiniões consideradas. Afinal, as
relações entre as pessoas são baseadas na troca,
seja de energia, carinho, afeto, amor. E quando um
só lado decide, não há troca.
Alguns de nós aprendemos desde cedo que devemos ser
responsáveis pela felicidade do outro, o que também
pode causar muitos conflitos nas relações. É muito
comum o pai, muito mais a mãe, acreditar ser
responsável pela felicidade de seu filho, gerando
muitos conflitos e culpas, pois nem sempre o que é
ser feliz para uma pessoa será para outra. Podemos
sim fazer o outro mais feliz com nossas atitudes,
mas isso não quer dizer que sejamos responsáveis por
sua felicidade eternamente, pois isso compete a cada
um de nós.
Presenciamos por anos mães abrindo mão de suas
coisas, seus valores, suas vidas. Quantas vezes
ouvimos sobre o quanto fizeram e, principalmente, o
quanto deixaram de fazer por seus filhos? Quantos
pais não dizem aos filhos que quiseram se separar,
mas não o fizeram por eles? Como não sentirmos culpa
diante de tanta dedicação? Essa ilusão em sentir-se
responsável pela felicidade do outro, leva
inevitavelmente a controlar, acusar, cobrar,
produzindo a culpa. Desenvolvem-se assim,
relacionamentos doentios, sejam entre pais, irmãos,
amigos, ou nas relações afetivas.
Os outros e a culpa
Outra fonte de culpa é quando supervalorizamos o que
outras pessoas falam e pensam sobre nossas atitudes,
principalmente nossos familiares. Estamos sempre
buscando reconhecimento, aprovação e querendo
agradar, apesar de que muitas pessoas não percebem
essa busca. E há sempre quem nos julgue, dê
opiniões, mesmo quando não a pedimos. Enquanto
permanecemos fazendo o que outras pessoas esperam
que façamos para agradá-las, em virtude de nossa
falta de amor-próprio, continuaremos dando-lhes
oportunidades de nos julgarem.
Quem tem a necessidade de ser constantemente
aprovado, reconhecido, acaba por ficar sempre na
dependência de alguém e quando não é aprovado, se
culpa por não ter conseguido corresponder ao que
esperavam dele. Ou seja, quanto mais nos culpamos
por não sermos como gostariam que fôssemos, e assim,
dignos de sermos amados, mais submissos,
fragilizados e dependentes ficamos. Quanto mais
permitimos que nos impeçam de agir e pensar por nós
mesmos, mais nos distanciaremos de nosso próprio
desenvolvimento e crescimento, de nosso verdadeiro
eu, o self.
É certo que tendemos a nos culpar quando não fazemos
algo por nossa família, pelos quais podemos e
devemos colaborar, mas conforme a nossa vontade e
afinidade, dentro da nossa capacidade de fazer ou
aceitar; o que é muito diferente de se submeter à
vontade dos outros e ignorar os próprios valores e
desrespeitar os sentimentos, isso não é ajudar, é
perder o amor próprio.
Por que a constante busca em agradar, satisfazendo
sempre as necessidades da família, amigos e se
culpando toda vez que não consegue satisfazer a
todos? Por que é tão difícil dizer "não"? Na
verdade, todos nós estamos sempre buscando agradar a
alguém, para que percebam o quanto somos bonzinhos,
úteis, importantes, e assim, esperamos que nos
aceitem, e acima de tudo, que nos amem e não nos
abandonem.
No fundo
No fundo esperamos que nos amem pelo que somos e não
pelo que gostariam que fôssemos. E isso pode ser a
origem de muitos conflitos e culpas. O conflito é
instalado pela dúvida, inconsciente, entre sermos o
que realmente somos ou sermos como gostariam que
fôssemos. Se formos quem realmente somos, não
seremos aceitos, pois sabemos que não
corresponderemos às expectativas esperadas e
verbalizadas. Se formos como gostariam que fôssemos,
é porque não nos aceitam como somos. Nos dois casos,
não ser aceito implica em não ser amado, e todo o
círculo vicioso se inicia.
Nosso inconsciente faz a seguinte leitura: "Não
serei amado se for quem sou e nem serei amado se for
como gostariam, porque na verdade não sou eu. Se não
sou aceito e nem amado é porque devo ser muito mau
ou devo ter feito algo muito errado".
Conclusão: culpas e mais culpas. E com a culpa
sempre vem junto a autopunição. Por isso temos tanta
necessidade em agradar, para sermos aceitos e
amados. E quanto menos conseguimos agradar, mais nos
culpamos. Muitos conflitos e culpas poderiam ser
evitados se 'simplesmente' nos aceitássemos e
aprendêssemos a nos amar. Não é tão fácil assim, mas
se analisarmos a origem de nossas inúmeras culpas e
conflitos, podemos aos poucos dissolver a dor e
angústia gerada por situações que já se passaram.
É preciso entender que nosso maior objetivo é a
evolução, o crescimento, e ninguém consegue crescer
se culpando por não corresponder ao que querem que
seja, pois estará negando seu próprio eu, e onde há
conflito, culpa, não há paz. Pense nisso!
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|

O TOGOT é um oráculo que funciona como
um meio de reflexão, meditação e mentalização
e ajuda quem o utiliza a melhor compreender a
si mesmo.
compare! |
|

A Arte de Viver
A Essência da Auto-ajuda, eis aqui a fórmula
para a verdadeira ajuda - aos outros e a nós
mesmos...
compare |
|

Meditação
Caminho da auto realização, um modo prático de
contatar sua essência mais profunda...
compare |
|
|
|
|