Pessoas inseguras podem ter muita
sede de sexo Viver em função da
aparência demonstra não gostar de você como você
é. Então, busca-se compensar essa falta de
confiança na supervalorização do belo, do corpo,
tanto no outro como em você.
Irei falar sobre a luxúria neste sexto artigo da
série 'Os Sete Pecados Capitais': gula, soberba,
luxúria, avareza, preguiça, ira e inveja. A
luxúria representa o desejo desordenado pelos
prazeres sexuais. Pode ser definida como uma
impulsividade desenfreada, um prazer pelo excesso,
tendo também conotações sexuais. Opõe-se à
propagação da espécie, sendo consumado apenas para
satisfazer as próprias necessidades.
Segundo São Tomás de Aquino, a luxúria refere-se
aos prazeres sensuais, onde ele lembra que tanto a
comida quanto a relação sexual têm como finalidade
a conservação da vida e, desde que utilizadas para
esse fim, não são consideradas pecado. Na cultura
cristã o sexo sempre esteve associado ao pecado, a
algo sujo e mau, mas aceito em nome da procriação
ou do amor, apesar de que em nossos dias o sexo
ainda provoque muita culpa, em especial nas
mulheres.
Porém, na época das cavernas, e por muito tempo
depois, o que ligava homens e mulheres era o
desejo físico, indiscriminado e passageiro, como
se observa hoje nos animais, e infelizmente, em
alguns homens. A associação estabelecida entre
amor e sexo vem da necessidade cultural de
"purificar" o sexo. Criou-se então o amor
romântico, aquele sentimento nobre e elevado que
uniria um homem e uma mulher.
A
origem desse pecado capital pode ser intensificado
e reforçado na infância, quando pais reprimem as
crianças de todo e qualquer impulso sexual. Esses
pais geram através da repressão muita culpa e
criam assim adultos reprimidos sexualmente ou
liberados em excesso.
Do ponto de vista psíquico a grande diferença que
a mulher estabelece entre sexo, amor e intimidade
e, a pouca importância que os homens tendem a dar
aos dois últimos, é fonte de muitos conflitos nos
relacionamentos.
Uma das causas da busca incessante por sexo,
aparência e estética, tem origem na própria
sociedade, na mídia, que vende a idéia que feliz é
quem tem a beleza semelhante a da modelo da capa
da revista.
Esse culto pelo belo, pela estética e o prazer
geram muita angústia e insatisfação, quase sempre
refletida na preocupação excessiva com o próprio
físico, principalmente para quem está longe dos
moldes ditados.
Na publicidade a imagem de um homem bem-sucedido é
sempre associada à fama, poder, dinheiro e belas
mulheres. Isso mesmo, no plural. O homem desde
pequeno é incentivado a ir à caça, a não se
"prender" apenas a uma mulher, mas a ter muitas,
como se isso demonstrasse seu poder e sua
capacidade sexual. Nas rodas de amigos faz questão
de contar suas peripécias sexuais, onde ninguém
tem certeza do limite entre a realidade e a
fantasia.
O
sexo descompromissado e causal é muito mais
procurado pelos homens, isso não quer dizer que
muitas mulheres também não o procurem. Mas os
homens em geral, não só separam muito bem o sexo
do amor, como até fogem do amor, da intimidade e
do compromisso. A razão destes comportamentos pode
favorecer a compulsão pelo sexo, explicada em
muitos casos pelo medo que os homens têm do
envolvimento e da intimidade que esse amor
acarreta e que vem literalmente do berço. Ou seja,
da relação que mantiveram com suas mães e da forma
mais ou menos traumática pela qual foram obrigados
a se separar delas.
É
evidente, que todo esse comportamento denota uma
necessidade de defesa e proteção que oculta seu
desejo maior: ser cuidado e acima de tudo amado.
Porém, o medo da rejeição muitas vezes o impede de
assumir tal necessidade. A pessoa foge da
intimidade e se defende na busca pelo sexo
excessivo, que se torna sua única fonte de prazer.
Mas se a vontade obedece apenas ao prazer, a
pessoa começa a buscar apenas o que lhe dá
satisfação, poderá ocorrer sérios conflitos
internos, pois quanto maior o apego ao material,
ao físico, ao externo; menor será a busca pelos
valores espirituais. Assim se afasta cada vez mais
dos valores internos. Na verdade, a luxúria
desvirtua a sensualidade e deforma o amor,
tornando o apetite sexual insaciável.
Luxúria no trabalho
Nas empresas este pecado pode ser identificado
pelo assédio sexual: em nome da posição
hierárquica "desfruto do poder de dominar" Aparece
com isso a grande dificuldade de relacionamento
entre homens e mulheres nos ambientes
organizacionais, reforçando heranças culturais
arraigadas bem como dificuldades emocionais de
expressar a afetividade de forma saudável. No
trabalho, a luxúria ainda pode ser percebida pela
vontade de ter tudo para si, evidenciando um líder
que não democratiza a maior riqueza de uma empresa
e de seus colaboradores: o conhecimento.
Ou seja, o líder faz de tudo para deter o
conhecimento e as informações da empresa e do
mercado por medo de perder o controle da situação,
medo de ver algum membro de sua equipe com
capacidade e competência maior do que a sua. É
típico, por exemplo, no líder que recebe os
informativos e não repassa para a equipe ou que
faz assinaturas de revistas para o departamento,
mas somente ele as lê.
Normalmente este tipo de líder não apura e não tem
capacidade e competência técnica, preocupando-se
somente em fazer com que outros membros não tenham
acesso ao conhecimento o que, na sua cabeça,
colocaria em risco a sua posição. Com isso, a
equipe nota rapidamente este comportamento
detentor do líder o que faz com que ele perca
rapidamente a confiança da equipe. Nos fracassos,
a equipe tende a culpar o líder por não fornecer
as informações e conhecimentos importantes e
necessários.
Luxúria e insegurança
A
luxúria demonstra uma grande insegurança e
sobrepõe-se de tal modo que transforma a natural
necessidade de amar e ser amado, em uma
necessidade compulsiva e patológica de satisfação,
geralmente uma busca pela satisfação imediata.
Podemos encontrar muitas pessoas com "máscaras de
bonzinho" para seduzir, conquistar, simplesmente
para conseguir o que querem e, depois de
satisfeitos, vão embora. Vivem em função da
aparência, o que mostra uma pessoa que não
consegue gostar de si como é, buscando compensar
sua falta de confiança, supervalorizando o belo, o
corpo, tanto no outro como em si.
O
autoconhecimento e em conseqüência o crescimento
emocional podem levar a um grau de auto-aceitação
e auto-estima capazes de restabelecer a capacidade
de amar aos outros, e principalmente, a si mesmo.
Rosemeire
Zago
é psicóloga clínica com abordagem junguiana