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» Psicologia - 7 Pecados Capitais - Preguiça |
Preguiça
Rosemeire Zago
r.zago@uol.com.br |
Preguiça é o maior sinal da falta de
autoconfiança
Esse artigo sobre a preguiça encerra a série sobre
'Os Sete Pecados Capitais': gula, soberba, luxúria,
avareza, ira e inveja, onde podemos perceber que
todos estão totalmente interligados.
A preguiça é a pouca ou falta de disposição ou
aversão ao trabalho, demora ou lentidão para fazer
qualquer coisa. É o tédio ou a tristeza em relação
aos bens interiores e espirituais. É um
aborrecimento natural pelo trabalho no dia-a-dia, se
o mesmo não tiver seu esforço recompensado.
Este sentimento faz com que as pessoas
desqualifiquem os problemas e a possibilidade de
solução. A preguiça não se resume na preguiça
física, mas também na preguiça de pensar, sentir e
agir. A crença básica da preguiça é "Não necessito
aprender nada", levando a um movimento limitador das
idéias e ações no cotidiano e traduzido pelo "deixa
para depois". A origem da palavra vem do hebraico:
atsêl, que pode ser traduzida por lentidão ou
indolência. A preguiça é considerada pecado mortal
ao se opor diretamente ao amor a Deus.
A característica básica da preguiça pode ser
encontrada em pessoas que freqüentemente adiam
compromissos, decisões, projetos, mudanças, ou até
simples afazeres rotineiros, comprometendo o
resultado desejado, com a justificativa de que não
houve tempo, ou que irá realizar outro dia, mas que
na verdade, tentam ocultar uma insegurança exagerada
em sua própria capacidade de agir. Utilizam-se do
desânimo, esquecimento, como estratégia para fugir
da necessidade de arregaçar as mangas e enfrentar a
parte que lhes cabe realizar na vida. É como se
sentissem imobilizadas perante à vida.
O chefe preguiçoso
No ambiente profissional a preguiça de planejar, de
ordenar as idéias, de se preparar e pensar no futuro
evidencia um líder que não utiliza metodologias no
trabalho, mas que muda constantemente as decisões e
os planos para o departamento ou para a equipe. O
líder não consegue precisar quais as missões,
objetivos e metas do departamento e dos membros da
equipe, onde a mesma passa a trabalhar em "marcha-lenta",
pois sabe que aquele pedido feito pelo líder poderá
mudar em breve. A equipe não consegue relacionar os
planos, objetivos e projetos do departamento com o
planejamento estratégico e objetivos
organizacionais. Está muito relacionada ainda com a
má administração do tempo, pois as prioridades mal
definidas fazem com que se faça mudanças constantes
nos planos.
Todos essa série sobre 'Os Sete Pecados Capitais'
foi baseada na lista de São Tomás de Aquino que
explica o quanto é importante conhecer nossos
instintos mais primitivos, nossa sombra como diz
Jung, o lado escuro que todos nós temos, mas que é
possível através da conscientização e do
autoconhecimento, colocar luz onde só era escuridão.
Os "pecados" contêm a possibilidade de se
desencadear em outros tantos pecados, daí serem
chamados capitais e se fundamentam em algum desejo
natural e instintivo. Podemos encontrar cada um dos
pecados em nossas relações diárias e em nós mesmos.
É preciso conhecer cada pecado e não reprimi-los,
pois só assim conseguiremos compreender e
transformá-los. Vamos a um breve resumo de cada um
deles:
Inveja: produz ódio e destruição, onde a pessoa nega
o valor do outro e em conseqüência o próprio valor,
mas pode ser transformada em impulso para a busca de
querer não o que o outro tem, mas acreditar ser
capaz de buscar o que quer para si e valorizar tudo
o que tem.
Ira: é a raiva ou o ódio, com perda do controle. É
uma emoção totalmente destrutiva tanto para quem a
sente como para quem se torna objeto dela, fazendo a
pessoa agredir a todos, quando na verdade está
agredindo a si própria. É preciso identificar a
emoção que foi mobilizada e controlar a
agressividade através da razão.
Gula: é o excesso no comer e beber, mas também pode
ser entendida como gula intelectual. Na sua
simbologia maior significa voracidade. Pode ser
entendida como uma forma de fuga de muitas outras
dificuldades ou ainda, dos próprios sentimentos.
Para ser transformada, é preciso desenvolver a busca
pelo equilíbrio não só através da comida, mas também
do conhecimento.
Avareza: significa excessivo e sórdido apego ao
dinheiro, com grande medo de faltar, uma percepção
de escassez. É uma falta de contato com o mundo
interno, gerando uma busca incessante por tudo que é
externo. Também é citado por alguns autores o termo
vaidade.
Soberba: leva o homem a desprezar os superiores e
desobedecer as leis. É o desejo distorcido de
grandeza. A pessoa que manifesta a soberba atribui
apenas a si próprio os bens que possui. Esse pecado
tem relação direta com a ambição desmedida pelo
poder e o orgulho exagerado. É preciso desenvolver a
humildade e principalmente a consciência do próprio
valor enquanto pessoa, independe de posição ou
aquisição. Alguns autores usam o termo orgulho;
outros, cobiça.
Luxúria: é o apetite sexual insaciável, com
exclusiva satisfação física. Pode representar uma
fuga do amor, da intimidade e do compromisso e ser
transformada se houver a possibilidade de troca,
valorizando o sentimento, a intimidade,
cumplicidade, que não podem ser desenvolvidos em
relações rápidas e superficiais.
Preguiça: é entendida como lentidão ou falta de
vontade em fazer algo; pode também demonstrar uma
falta de confiança em si mesmo.
Todos os pecados têm em comum a busca da satisfação
no mundo externo, onde se procura compensar a falta
de amor-próprio e a necessidade profunda e
inconsciente de fugir dos próprios sentimentos. A
percepção de cada um dos pecados em nossos
comportamentos e dos conseqüentes conflitos gerados
por eles nos relacionamentos pode sinalizar a
necessidade de um esforço consciente e racional de
mudança.
Principal significado
'Os Sete Pecados' nos faz refletir ainda sobre o
quão antigo e histórico é a busca pelo externo. Na
verdade, as pessoas materialistas precisam crer que
são superiores, seja através do poder, da aquisição
de bens, do sexo, para quem sabe compensar a crença
na insignificância da existência ou na falta de um
sentido em que vivem. Demonstram uma ausência ou
restrita visão de seus valores internos, não
valorizando seu mundo íntimo como intuição,
inspiração, percepção, mas supervalorizando os bens
materiais, o poder e tudo mais que o dinheiro pode
comprar; como se isso fosse a maior riqueza do
homem.
Será esse o objetivo de nossa vida? O objetivo maior
do ser humano não seria a evolução; sair da
inconsciência para a consciência, da razão para a
intuição, do ter para o ser? Será possível tornar
nosso mundo melhor ou tornarmo-nos pessoas melhores
buscando a solução no externo, apegando-se apenas
aos prazeres deste mundo e ignorando a riqueza maior
que existe dentro de cada um de nós?
À medida que os homens tomarem consciência do valor
do seu próprio mundo interno, poderão deixar a
doentia preocupação com as aparências, a frustração
crônica causada pela busca incessante da fama, do
poder e da riqueza, ou seja, das promessas do mundo
externo e superficial e perceberem o quanto se torna
importante aproximarem-se de sua essência.
Acredito que podemos transformar 'Os Sete Pecados
Capitais' em aprendizagem ao percebermos que o maior
sentido da vida é a conscientização da riqueza do
nosso mundo interior, entre eles os sentimentos, a
emoção, a sensibilidade, a naturalidade, tão
freqüentes nas crianças, mas que infelizmente os
adultos vão perdendo ao criar tantas defesas e
máscaras e assim se distanciam do que é
verdadeiramente valioso e que dinheiro algum pode
comprar, mas somente pode ser conquistado: o amor em
sua essência mais pura.
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