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KARMA COLETIVO
Vera Ghimel -
veraghimel@oi.com.br |
Há
muitos anos, atendi uma jovem, a pedido de sua
terapeuta. Eu não sabia qual era o caso, apenas me
foi dito da dificuldade que a terapeuta tinha em
chegar ao final dos 50 minutos do atendimento. Nos
30 primeiros minutos, corria tudo bem, mas logo
após, a jovem caía ao chão como num ataque
histérico. Resolvi aceitar o desafio e a jovem se
apresentou a mim. Possuía um semblante bastante
assustado, olhar profundamente triste, emoldurado
por longos cabelos escuros e crespos, pousados num
corpo frágil e franzino. Tive imediatamente um
sentimento terno por ela. No primeiro contato,
demorou a me encarar. Buscava incessantemente o ar,
através de uma respiração ofegante e pela boca,
movimentando o maxilar, como se mastigando algo.
Olhei em direção ao seu plexo solar, um pouco acima
do umbigo e percebi que ali estava uma grande
quantidade de cadáveres como se amontoados em seu
estômago. Após essa vidência, veio toda a história.
Ela participara, em outras vidas, de rituais
satânicos, onde eram oferecidos seres humanos,
esquartejados ainda vivos. A sua função era buscar
as vítimas, ludibriando-as sob falso pretexto,
dando-lhes bebida, com algum alucinerógeno. A partir
do doping, o ritual começava. Notei que era uma roda
com 6 mulheres, coordenadas por um homem.
Aos poucos, com muito cuidado, contou-me que
desmaiava constantemente na rua. Não conseguia
abraçar ninguém, pois sentia “nojo” do odor do corpo
humano. Havia passado para a Faculdade de
Psicologia, mas teve que trancar o curso, pelos
motivos acima. Sua terapeuta já havia sido por mim
atendida, por outro motivo. Foi por isso que a
enviara aos meus cuidados. O que ela (a terapeuta)
não sabia, era que o seu envolvimento com a
situação, era muito maior do que pensava. O mais
interessante nisso, é que as duas pertenciam a um
centro de terapias que eu própria conhecera muito
antes delas. Conheço seus fundadores e com eles
aprendi muito sobre comportamento humano. Foi uma
época de intensa pesquisa na área comportamental.
Não possuo formação acadêmica em psicologia, mas li
e participei de muitos trabalhos sobre orgonoterapia,
psicodrama, bioenergética, gerstalt etc. O caso
dessa moça envolvia algo mais. Estranhamente,
através de terceiros, vieram me consultar todas as 6
que na época participavam dos rituais. Demorei um
pouco para juntar o quebra-cabeças, pois todas elas
participavam do mesmo centro terapêutico e as 6 não
revelaram, entre elas, que estavam fazendo um
trabalho espiritual comigo. Todas tinham
características comuns. Não conseguiam ter filhos e
não conseguiam estabelecer uma relação estável.
Tinham depressão e não tinham um sentimento definido
sobre a crença em DEUS. Eu estava diante da seguinte
situação. Não podia dizer a elas que todas estavam
se tratando comigo e que pertenciam ao mesmo grupo
psicoterapêutico, ao mesmo tempo em que tinha que
haver um jeito delas se libertarem dessa fidelidade
ao culto. Mas quem era aquele homem que naquela vida
as liderava? Coincidências à parte, quando eu
cursava jornalismo, foi pedido um trabalho sobre
terapias comportamentais. Como eu conhecia esse
centro de terapias, resolvi fazer uma entrevista lá
mesmo. Os que eu já conhecia há tempos, não tinham
agenda e me conduziram a um homem estrangeiro
considerado excepcional em terapia orgonômica. Logo
de cara não gostei dele, mas fiz a entrevista assim
mesmo. Fiquei com aquela impressão ruim por muitos
anos e, pasmem, durante os atendimentos
individualizados das 6 moças, era dele que elas mais
falavam. Ele acabara de ser assassinado por bandidos
em fuga da polícia, aqui mesmo no Rio. Estavam
“fascinadas” e ao mesmo tempo consternadas pela
perda. Pareciam viúvas dele. Tive então certeza de
quem comandava os rituais daquela época. Para quem
não sabe, quando se é adepta a esse tipo de ritual,
onde o patrão é outro, a cada encarnação é
necessário estabelecer ou não a continuidade da
fidelidade a esses costumes. Enquanto não se
estabelece a quem irá nessa vida seguir, tudo fica
como se estivesse parado. No aspecto sentimental e
familiar, todas as moças estavam como se esperando
uma definição. Sem tocar em nome de ninguém, uma a
uma foi se libertando dessa escolha passada. Mas
faltava a sétima, que apesar de não participar do
ritual, era a escolhida como companheira. Não
demorou muito o telefone da minha casa tocou e era a
esposa desse terapeuta assassinado. Estava assustada
me dizendo que o marido morto estava lhe assombrando
o tempo todo. Foi então que eu a conheci. Para ela
tive que contar toda a história e muito constrangida
me revelou que ela e o seu companheiro sabiam, há
muito tempo, que serviram, em outra vida, ao
satanismo e que fizeram um pacto nessa vida de que,
quem morresse primeiro, viria buscar o outro. Foi
uma lenha esse dia. O terapeuta desencarnado
incorporou numa médium e pra convencê-lo a anular o
pacto, foi muito difícil. Mas conseguimos. Hoje a
primeira jovem que veio me procurar está bastante
diferente. Formou-se em psicologia, trabalha com
crianças, nunca mais desmaiou e namora muuuuiiiito.
É uma pessoa muito querida, como uma filha. Quando
nos encontramos, há muita alegria, que se expressa
num grande abraço fraterno. Dessa lição o que
devemos tirar é que nada fica pendente, quando se
trata de pactos. Cuidado com palavras tais como
“para sempre”, “juro por toda a eternidade”,
“ficaremos juntos eternamente”, “serei fiel a este
ou outro dogma”. Para quem se encaixa ou se sente
preso a algo, aconselho a limpeza dos 21 dias, que
nos foi ensinada pelo Arcanjo Miguel.
Sejam livres e felizes!!!!
Nota do Autor: Saindo da casa de minha mãe em
Copacabana, encontrei, "casualmente" a moça do
artigo. A que deu origem ao atendimento. Foi um
encontro mágico. Ela me abraçou com tanta força e
alegria, que me desconcertou. Estava radiante,
bonita e sintonizada com a UNIDADE, pois revelou-me
a vontade de ir para o interior, onde há muita
natureza. Contou-me ter participado e morado em
várias cidades pelo Brasil, o que há alguns anos,
seria impossível.
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