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OS
OBSESSORES
Vera Ghimel -
veraghimel@oi.com.br
Durante os
anos de atendimento, observei centenas de pessoas que
tinham um obsessor ou obsessores, com uma forte
determinação. Para ilustrar, contarei três desses casos.
Primeiro Caso:
Era um homem de cerca de 60 anos, forte, terno marrom,
pasta de trabalho pousado em seu colo. A princípio, ficou
calado, segurando sua pasta com as duas mãos. Eu, sentada
à sua frente, observava e esperava as informações que,
certamente, começariam a chegar. Demorou muito para
quebrar o silêncio na sala. De repente, saiu por detrás
dele, uma figura que tinha o aspecto de bobo da corte.
Estava vestido com uma roupa bufante, cheia de guizos.
Esperei que me falasse algo e assim foi. Contou-me que
fizera parte da vida daquele homem, ali sentado, alegrando
suas festas, que realizava quase que diariamente. Disse-me
que estava ali a acompanhá-lo, para se vingar de um
determinado fato. Um dia ele pediu ao patrão se podia
faltar. Seu filho havia morrido e ele queria estar
presente ao seu enterro, o que o patrão não concordou.
Teve que alegrar os convidados, exibindo uma falsa
alegria. Ele precisava daquele emprego e nada pode fazer.
Nessa vida, haveria de fazer o antigo patrão se sentir
como um palhaço.
Contei tudo ao homem, que ali estava, triste, buscando
ajuda. Agora ele podia entender o porquê de estar perdendo
os clientes. Advogado preparado, relatou-me que de alguns
anos para cá, as pessoas não mais o levavam a sério.
Deixava cair café nos processos, escorregava nas escadas
do fórum, fazendo com que as folhas de sua pasta saíssem
voando, escada abaixo. Gaguejava diante do juiz e perdia
prazos sem saber como. Seu obsessor estava determinado a
fazê-lo sentir-se como um bôbo da corte. Ele seria um
palhaço em tempo integral. Pedi ao obsessor que me fizesse
de seu canal para que ele pudesse conversar com o seu
desafeto. Dizer-lhe sobre o quanto sofreu e o quanto
estava se sentindo culpado por não ter podido ir ao
enterro do filho. Já falando através de mim, começou o
desabafo. Foi um encontro emocionante. Os 2 choraram e se
perdoaram. A partir deste dia, o advogado não mais
sentiu-se um homem desastrado.
Segundo Caso:
Desta vez foi um casal. Apaixonados e casados de pouco
tempo, contaram-me que se conheceram jovens, namoraram, se
separaram, casaram com outras pessoas e agora haviam se
reencontrado. Brigavam por nada. Tudo era motivo de
desentendimento. Enquanto eu prestava atenção no relato,
comecei a ouvir sons de sinos. Perguntei o que isso
significava para a mulher. Ela levantou a calça comprida e
me mostrou uma tornozeleira de sininhos. Logo após, surgiu
uma figura dando muita gargalhada e contando que o casal
já vinha há muito tempo juntos. Várias encarnações foram
casados. Uma dessas vezes, ele, o obsessor, era um
empregado muito atrapalhado. Contou que a mulher, para se
distrair, ficava se insinuando para ele. Ela adorava vê-lo
nervoso e cada vez mais desastrado, principalmente quando
o marido aparecia em cena. Com o tempo esse amor proibido
e platônico, foi ficando mais intenso. Ele acabou se
matando de tristeza.
Nessa existência, ele veio empenhado em não deixar o casal
se reencontrar. No primeiro encontro ele havia conseguido
separá-los, mas no segundo, estava difícil. Disse-me que
até influenciar a compra de sininhos para localizá-la, ele
fez. Rindo, contou que era assim que se mantinham certos
animais fáceis de localizar, com sinos no pescoço ou na
pata. Fiz o mesmo procedimento do primeiro caso desse
artigo, permitindo que eles conversassem. Tudo foi
perdoado e não mais brigaram. Depois de um mês, me
telefonaram muito felizes de um SPA, na Barra da Tijuca,
aqui no Rio de Janeiro. Foi lá que conheceram um casal de
terapeutas holísticos, que vieram pedir ajuda e a se
tornarem o meu terceiro relato.
Terceiro Caso:
Ele, terapeuta holístico, muito alto, cabelos negros,
olhos muito azuis, de uma beleza serena. Ela, com pele
muito alva e com pouca energia. Sentia-se cansada. Ele a
trouxera, pois não conseguiam dormir. Todas as noites ela
acordava, assustada, com pesadelos. A moça sentou a minha
frente e fiquei esperando. O marido, sentado num canto,
tudo observava. Passados muito tempo, sem nada acontecer,
eu olhei para o marido e o vi vestido com um uniforme de
camuflagem, aqueles usados na selva, como um guerrilheiro
típico da América Central, acompanhado de uma grande
quantidade de obsessores à sua volta. Diante disso, olhei
firme para ele e disse-lhe o que via, inclusive
dizendo-lhe que havia um número considerável de crianças
mortas, por conta dessa sua atividade. Ele começou a
chorar compulsivamente. Sua esposa nada entendeu, afinal
eles vieram por um problema dela. Mas não era. Ele havia
participado de um grupo de guerrilha, nessa vida, na
América Central. Nem sua esposa sabia. Sua esposa,
sensitiva, durante à noite, era atormentada por esses
espíritos. Nesse caso não houve canalização. Encaminhei
todos, e eram muitos, depois de um pedido de perdão,
emocionado.
Após esses 3 epísódios, podemos entender o poder valioso
do perdão. Os obsessores não estão ali à toa. Foram
feridos por nós, de alguma forma. Não conseguem se
libertar da dor, por outro lado, o obsediado não consegue
se libertar da culpa. Quando nos perdoamos e pedimos
perdão ao outro, nos libertamos definitivamente. Podemos
tê-los por perto, tanto encarnados quanto desencarnados.
De qualquer forma, o melhor a fazer é pedir perdão.
ORAÇÃO DO PERDÃO
Começo mentalizando o meu pedido de perdão. Com a Presença
do Criador e do amor eterno, eu perdôo e peço perdão, a
cada pessoa, lugar, condição ou coisa, por manifestação
cultural, étnica, filosófica ou religiosa, que me tenha
feito mal ou que eu tenha causado mal, de qualquer modo,
em qualquer momento, por qualquer razão, em todo o
Universo e especialmente no Planeta Terra.
Eu invoco a Lei do perdão para mim mesmo e para toda a
Humanidade pelo mau uso da Energia Sagrada.
Envio amor para equilibrar todas as dívidas à vida, que
alguma vez eu tenha contraído e por sentimento de culpa,
entendi que ainda estivessem sem pagar.
Minha eterna gratidão pela lei do perdão, que me permite
amar a vida, livre da roda do karma.
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