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Etimologia A palavra portuguesa religião
deriva da palavra latina religio, mas desconhece-se
ao certo que relações estabelece religio com outros
vocábulos. Aparentemente no mundo latino anterior ao
nascimento do cristianismo, religio referia-se a um
estilo de comportamento marcado pela rigidez e pela
precisão.
Vênus de Willendorf, do PaleolíticoA palavra
"religião" foi usada durante séculos no contexto
cultural da Europa, marcado pela presença do
cristianismo que se apropriou do termo latino
religio. Em outras civilizações não existe uma
palavra equivalente. O hinduísmo antigo utilizava a
palavra rita que apontava para a ordem cósmica do
mundo, com a qual todos os seres deveriam estar
harmonizados e que também se referia à correcta
execução dos ritos pelos brâmanes. Mais tarde, o
termo foi substituído por dharma, termo que
atualmente é também usado pelo budismo e que exprime
a idéia de uma lei divina e eterna. Rita
relaciona-se também com a primeira manifestação
humana de um sentimento religioso, a qual surgiu nos
períodos Paleolítico e Neolítico, e que se
expressava por um vínculo com a Terra e com a
Natureza, os ciclos e a fertilidade. Nesse sentido,
a adoração à Deusa mãe, à Mãe Terra ou Mãe Cósmica
estableceu-se como a primeira religião humana. Em
torno desse sentimento formaram-se sociedades
matriarcais centradas na figura feminina e suas
manifestações.[1] Ainda entre os hindus destaca-se a
deusa Kali ou A negra como símbolo desta Mãe
cósmica. Cada uma das civilizações antigas
representaria a Deusa, com denominações variadas:
Têmis (Gregos), Nu Kua (China), Tiamat (Babilônia) e
Abismo ,(Bíblia).
Segundo o mitologista Joseph Campbell a mudança de
uma idéia original da Deusa mãe identificada com a
Natureza para um conceito de Deus deve-se aos
hebreus e à organização patriarcal desta sociedade.
O patriarcalismo formou-se a partir de dois eventos
fundamentais: a atividade belicosa de pastoreio de
gado bovino e caprino [2] e às constantes
perseguições religosas que desencadeavam o nomadismo
e a perda de identidade territorial.[3] Herdado da
cultura hebraica, patriarcado é uma palavra derivada
do grego pater, e se refere a um território ou
jurisdição governado por um patriarca; de onde a
palavra pátria. Pátria relaciona-se ao conceito de
país, do italiano paese, por sua vez originário do
latim pagus, aldeia, donde também vem pagão. País,
pátria, patriarcado e pagão tem a mesma raiz.
Historicamente foram propostas várias etimologias
para a origem de religio. Cícero, na sua obra De
natura deorum, (45 a.C.) afirma que o termo se
refere a relegere, reler, sendo característico das
pessoas religiosas prestarem muita atenção a tudo o
que se relacionava com os deuses, relendo as
escrituras. Esta proposta etimológica sublinha o
carácter repetitivo do fenómeno religioso, bem como
o aspecto intelectual. Mais tarde, Lactâncio (século
III e IV d.C.) rejeita a interpretação de Cícero e
afirma que o termo vem de religare, religar,
argumentando que a religião é um laço de piedade que
serve para religar os seres humanos a Deus.
No livro "A Cidade de Deus" Agostinho de Hipona
(século IV d.C.) afirma que religio deriva de
religere, "reeleger". Através da religião a
humanidade reelegia de novo a Deus, do qual se tinha
separado. Mais tarde, na obra De vera religione
Agostinho retoma a interpretação de Lactâncio, que
via em religio uma relação com "religar".
Macróbio (século V d.C.) considera que religio
deriva de relinquere, algo que nos foi deixado pelos
antepassados.
Independente da origem, o termo é adotado para
designar qualquer conjunto de crenças e valores que
compõem a fé de determinada pessoa ou conjunto de
pessoas. Cada religião inspira certas normas e
motiva certas práticas.
Palavras e conceitos relevantes
Existem termos que são ditos/escritos freqüentemente
no discurso religioso grego, romano, judeu e
cristão. Entre eles estão: sacro e seus derivados (sacrar,
sagrar, sacralizar, sacramentar, execrar), profano
(profanar) e deus(es). O conceito desses termos
varia bastante conforme a época e a religião de quem
os emprega. Contudo, é possível ressaltar um mínimo
comum à grande parte dos conceitos atribuídos aos
termos.
Os religiosos gregos e romanos criam na existência
de vários deuses; os judeus, maometanos e cristãos
acreditam que há apenas uma divindade, um ser
impassível de ser sentido pelos sensores humanos e
que é capaz de provocar acontecimentos
improváveis/impossíveis que podem favorecer ou
prejudicar os homens. Para grande parte das
religiões, as coisas e as ações se dividem entre
sacras e profanas. Sacro é aquilo que mantém uma
ligação/relação com o(s) deus(es). Frequentemente
está relacionado ao conceito de moralidade. Profano
é aquilo que não mantém nenhuma ligação com o(s)
deus(es). Da mesma forma, para grande parte das
religiões a imoralidade e o profano são
correspondentes. Já o verbo "profanar" (tornar algo
profano) é sempre tido como uma ação má pelos
religiosos.
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