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Hinduismo
Conjunto de princípios, doutrinas e práticas religiosas
dominante na Índia, conhecido dos seguidores pelo nome
sânscrito Sanatana Dharma, que significa a ordem
permanente. Está fundamentado nos Vedas (conhecimento, em
sânscrito), conjunto de textos sagrados compostos de hinos
de louvor e ritos. Suas características principais são o
politeísmo e a crença na reencarnação. O hinduísmo é a
terceira religião do mundo em número de praticantes e seus
preceitos influenciam fortemente a organização da
sociedade indiana.
História e doutrina - A tradição védica nasce com
os arianos, povos das estepes da Ásia central, que a levam
para a região da Índia em 1500 a.C., ao invadir e
conquistar os vales dos rios Indo e Ganges. Baseia-se em
uma memória coletiva sobre deuses tribais e cósmicos
transmitida oralmente e, posteriormente, registrada em
livros sagrados, os Vedas. Esses livros são agrupados em
quatro volumes durante o século X a.C e contêm as verdades
eternas reveladas pelos deuses: a ordem (dharma universal)
que rege as coisas e os seres, organizando-os em
categorias, as castas ou varnas.
Segundo os Vedas, o ser humano está preso a um ciclo
eterno de morte e renascimento, chamado samsara, pelo qual
está fadado a reencarnar e a sofrer em infinitas vidas. As
reencarnações, como ser humano ou animal, são regidas pelo
carma, preceito segundo o qual a forma como renascemos em
nossa vida atual foi definida na vida anterior, pelo
estágio espiritual que alcançamos e os atos que nela
praticamos. O hindu busca fundir-se a Brahman, a verdade
suprema, espírito que rege o Universo. Isso só é possível
libertando-se do samsara pela purificação de seus
infinitos carmas, atingindo o estágio conhecido como
nirvana, a sabedoria resultante do conhecimento de si
mesmo e do universo. O caminho para o nirvana passa pelas
práticas religiosas, pelas orações e pela ioga, mas muitos
hindus adotam também dietas vegetarianas e o ascetismo
(renúncia aos bens e prazeres materiais) para atingi-lo.
Do século IX ao XIV floresce o tantrismo, corrente que
prega o aperfeiçoamento espiritual pelo domínio da mente e
do corpo, incluindo hábitos e práticas sexuais. Em reação
à expansão do islamismo na Índia, a partir do século VII,
e ao domínio britânico, iniciado no século XVIII, surgem
várias correntes no hinduísmo.
Textos sagrados - O hinduísmo possui extensa
literatura com preceitos relativos à vida cotidiana e à
organização social. Os mais antigos, os Vedas ou
Conhecimento, reúnem ensinamentos anteriores ao século X
a.C. Além desses, são importantes os Puranas (narrativas
sobre a tríade divina Brahma, Shiva e Vishnu, as festas e
condutas do hindu), o Mahabharata (O Grande Combate dos
Bharata), poema que trata da luta do bem e do mal, dos
cultos a Shiva e Vishnu e as lutas entre as tribos hindus;
os Upanishads (aulas dos mestres), o Ramayana (poema sobre
o amor de Rama por Sita) e o Código de Manu (normas,
regras e práticas sociais hindus).
Preceitos na vida social - O hinduísmo distingue
quatro metas na vida humana: kama (prazer físico), artha
(prosperidade), dharma (condutas e deveres morais
definidos pela casta do indivíduo e pelo dharma universal)
e moksha (iluminação). As quatro metas têm relação com
quatro etapas da vida ou ashramas, do nascimento à morte:
na infância, estudar os Vedas e preparar-se para a vida;
depois, casar-se e constituir família; aposentar-se do
trabalho e desligar-se das posses materiais; e, na
velhice, concentrar-se na busca religiosa.
Essas metas e etapas têm, por sua vez, matizes definidos
para os indivíduos segundo as quatro castas (varnas) às
quais podem pertencer. A dos brâmanes, os sacerdotes, é a
mais elevada. Seguem-na a dos guerreiros; a dos
lavradores, comerciantes e artesãos; e, finalmente, a dos
sudras, servos e escravos. Um quinto grupo, o dos párias,
não é considerado casta por terem seus membros
desobedecido, no passado, às leis religiosas.
Tradicionalmente, os párias não podiam viver nas cidades,
ler os livros sagrados ou se banhar no rio Ganges.
Divindades – Há centenas de deuses e deusas hindus.
Todos são parte de Brahman, a essência universal. Três
deles se destacam e compõem uma tríade divina, a Trimurti:
Brahma, o princípio criador, Shiva, o princípio destruidor
e libertador, e Vishnu, o princípio protetor e
preservador. Sempre que o mundo está sob ameaça do mal,
Vishnu aparece para protegê-lo através de uma de suas dez
reencarnações ou avatares. São eles, pela ordem, Matsya (o
peixe), Kurma (tartaruga), Varaha (javali), Narasimha
(homem-leão), Vamana (anão) Parashurama (homem com
machado), Rama (príncipe herói), Krishna (herói que matou
o demônio Kamsa) e Buda. O décimo avatar, Kalki, ainda não
surgiu na Terra e virá para extirpar todo o mal e iniciar
uma era do bem.
Rituais e comemorações - O hindu costuma manter em
casa um altar de devoção a seu deus, no qual queima
incenso, coloca flores, velas e oferendas. Também
freqüenta os templos que estão entre os de arquitetura
mais exuberante do mundo. Cada altar possui sempre a
estátua de seu deus, e nos templos as imagens são
diariamente despertadas pela manhã, lavadas, vestidas e
enfeitadas com flores pelos sacerdotes. Diante do altar,
os hindus recitam mantras, fórmulas sagradas escritas nos
Vedas que podem aproximá-los dos deus. Peregrinar para
visitar os templos e lugares sagrados são práticas
habituais. Algumas das celebrações hindus são o Festival
das Luzes, comemorado em todo o país no outono com o
acender de velas, o Festival das Nove Noites para a deusa
Durga, em setembro ou outubro, o Festival da deusa Shiva,
em março, e o Festival de Krishna, em agosto.
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