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Fome...
por Saul Brandalise Jr. -
saul@tvbv.com.br
Você já
passou fome?
Eu já. Foi numa pescaria no mar. O motor
do barco pifou e ficamos algumas horas
sem água, só com pinga e sem o que
comer.
Com esforço chegamos em uma pedra e
conseguimos saltar, apesar das ondas.
Confesso que já estava ficando
preocupado, pois os dois remos que
tínhamos não eram suficientes para irmos
mais longe do que a pedra em que
aportamos.
Depois de uma rápida olhada, percebi que
o máximo era o que havíamos conseguido,
ficar a salvo em cima de uma pedra que
não era maior do que dez metros
quadrados.
Sabíamos que o socorro viria, assim só
nos restava esperar. O sol forte logo
iniciou o nosso “bronzeamento” forçado.
A fome e a sede nos fizeram companhia...
Para encurtar, foi neste dia que aprendi
a comer mariscos ao natural.
Sim, crus mesmo.
Mas, pude meditar um pouco sobre a vida
e cheguei a algumas conclusões...
Quando a fome de nosso corpo físico é
saciada, precisamos cuidar dos nossos
outros corpos que nos acompanham, Claro
que se trata da fome da nossa busca de
melhorias. De uma vida mais digna e de
maiores valores. De uma sociedade mais
justa. De um governo que realmente
governe. De um amigo, mais amigo de
nossa alma do que de nosso bolso.
A fome do saber viver. A fome da nossa
sabedoria interna cada vez mais elevada.
Fome de amar sem nada buscarmos em
troca.
Fome de alma.
Mas, como tudo que é bom tem o outro
lado, pensei também nos valores que
tornam a fome indigesta. De quando nós
temos um enorme apetite para as coisas
que só mascaram as nossas vontades e que
são meramente de aspecto material.
A fome pelo dinheiro.
Onde tudo se faz para que ele chegue,
sem avaliarmos o quanto ”gastamos de
energia“ para obtê-lo.
Qual o método que adotamos? E qual a
formula que aplicamos? Pura ganância?
Talvez, dependendo de nossa obstinação
material.
Fome de conforto, sem valorizarmos o que
já temos e sem olharmos ao lado para
podermos confrontar com os nossos irmãos
que pouco ou nada tem.
Fome de poder pelo simples fato de
sermos importantes nesse cargo ou
naquela função.
E se pararmos para pensar, descobriremos
muitas fomes e muitos apetites. É só
questão de encaramos a realidade de
nossas vidas...
Já sei separar qual a minha verdadeira
fome e qual o meu real apetite? Estou
capacitado para gerenciar as minhas
necessidades ou é a sociedade que o faz?
Sou condutor ou vítima?
Onde estou? Qual o preço que pago para
saciar-me?
Tenho realmente fome ou sou a seqüência
de uma vontade que me foi imposta?
Estou buscando as minhas respostas. E
você?
Sei que nos veremos.
Beijo na alma.
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