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Ciclo da Evolução X - Desapego
por
Saul Brandalise Jr. -
saul@tvbv.com.br
Certo dia, quando conversávamos com um de nossos
executivos, no meio do diálogo disse-lhe:
“Não gosto de você por aquilo que você me
proporciona com seu trabalho, mas sim por aquilo
que fazemos juntos. Nossa relação não é familiar
porque é profissional. Pode e deve ser fraterna,
obviamente. A família não se relaciona para
produzir lucro. Nós sim. Portanto jamais seremos
uma família. Na família há tolerância, aqui a
tolerância gera despesas ou custos”.
Ficou me olhando por alguns segundos e depois me
confessou que ele havia sido treinado para
acreditar que a empresa seria uma grande
família...
Não, isso é um engano.
Uma empresa é uma empresa e uma família é uma
família.
A finalidade dos relacionamentos em cada uma
destas instituições é absolutamente diferente.
Uma empresa planeja sua vida em função do lucro
que se busca obter. Na família é impossível
planejar, vamos atrás de amor, felicidade e
satisfação, pelo do calor dos membros que a
compõem... No máximo temos um plano sobre onde
passaremos as férias.
Cada membro da família é um individuo único, e
como ser humano temos que respeitar o seu Livre
Arbítrio, a sua necessidade de escolher do seu
caminho. Na empresa isso não existe. Na família o
filho pode explicar porque chegou tarde, madrugada
adentro. Na empresa não. Não podemos confundir as
coisas e as instituições.
Algumas empresas possuem seu futuro comprometido
porque se tornam uma verdadeira bagunça com
contratações de genros, filhos, cunhados, primos,
sobrinhos, afilhados, etc. As atitudes passam a
ser familiares, a tolerância aumenta, as desculpas
crescem e o lucro desaparece. Claro que sempre
temos as exceções. Já vi muitos filhos e genros
competentes. Mas também já conheci cada um!!!
Jamais devemos fazer da empresa nosso objeto de
satisfação. Ela gera lucro e com o lucro temos
então as nossas recompensas. É preciso ter
consciência de que a empresa não nos pertence, ela
está emprestada para a nossa jornada evolutiva. É
lamentável acharmos que algo terreno é nosso, nos
pertence. Quando formos desta vida para outra,
nada levaremos de material.
Mas levaremos, sim, os reflexos de todas as nossas
atitudes: boas ou ruins. Obviamente que você já
ouviu falar de karma. Sim, isso existe. E quem o
gera somos nós. Como quem o resgata também.
Nenhuma religião tem capacidade para resgatar
karma.
Para se entender a vida é importante o desapego.
Isso não só do lado material como do lado humano.
Claro que não é fácil chegarmos a este ponto de
total "abandono" daquilo em que cremos, que
amamos, nos acostumamos a gostar, a admirar e a
amar.
Isso é evoluir.
Temos que nos conscientizar de que o desapego é
exatamente uma das coisas que precisamos conhecer,
sentir e exercitar. Saber como fazer - e como
tratá-lo - é uma das combinações do grande cofre
da vida. Sem conhecer esta parte a porta do cofre
não se abre.
Não adianta ter a chave da felicidade. A religião
não resolve se não tivermos consciência disso:
Desapego material e para com o ser humano. Nada
que está sob nosso controle é nosso.
Você ou eu podemos ter a chave e a maioria dos
segredos que abrem nosso cofre, mas não temos o
segredo maior: Desapego.
A chave é fazer tudo com amor. O segredo e as
combinações são variáveis e dependem de suas
encarnações já vividas e o que você determinou
para si nesta vida.
Nada do que é material e que nós costumamos
afirmar: “Isso é meu”, é real e verdadeiro.
Na realidade nada mais é do que um empréstimo.
Quanto mais temos, mais precisamos saber usar e
escolher melhor o caminho de como obter... Não me
refiro a sermos demagogos e esmoleiros, mas sim
treinadores do bem.
O que está contigo agora vai permanecer se você
souber usar. Nada fica quando vem de forma
incorreta. Manter um parente na sua empresa porque
não TEM COMO MANDAR EMBORA, é o mesmo que achar
que temos uma única vida. Ambos funcionam como
droga. Um dia, quem sabe tarde demais, descobrimos
que foi um erro. O desapego familiar na empresa é
fundamental.
Não se compra sentimento. Não se mantém
relacionamento com posses ou tolerância de
incompetência. O tempo que se perde jamais será
recuperado. O mesmo com o dinheiro.
Saber o momento de parar é fundamental em tudo na
vida. Cada coisa no seu devido lugar. Não adianta
acumular riqueza material se somos pobres em
essência.
O que é verdadeiramente meu, efetivamente seu, é o
que está contido na memória de nossa essência, em
nosso espírito.
Sei que nos veremos.
Beijo na alma
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