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Os Óleos Essenciais
Por
milhares de anos, as culturas orientais queimaram
ervas na forma de incenso, em rituais religiosos e
espirituais. Os árabes foram os primeiros na técnica
de destilação de óleos essenciais, método que se
emprega até hoje com pequenas modificações. Na
Alemanha do século 16, Jerome de Bruswick documentou
25 óleos essenciais com fins medicinais, também
utilizados até os nossos dias. Mas a ciência da
aromaterapia, praticada atualmente, surgiu em 1937
com os trabalhos do químico francês Renée Gattefosse
– publicados em seu famoso livro Aromatherapie.
A aromaterapia, basicamente, procura transmitir ao
“paciente” toda a energia concentrada nos óleos
essenciais por meio de banhos, inalações, massagens,
compressas, etc. A aromacologia, a ciência que
estuda os aromas para fins medicinais e
psicofisiológicos, mostra que o ser humano pode ser
positivamente afetado ao ser exposto a certos
cheiros. Afinal, nosso cérebro processa os impulsos
enviados pelos sensores olfativos em áreas que
cuidam das emoções, do aprendizado, do balanço
hormonal, etc. E mais: devido às suas propriedades,
alguns óleos essenciais podem contribuir com o
tratamento de várias doenças, como àquelas do
sistema digestivo, respiratório, circulatório, etc.
Nesses casos, como a pele é bastante permeável aos
óleos essenciais, as sessões de massagens são muito
bem-vindas!
Grande parte do mercado de óleos essenciais se
concentra nas indústrias alimentícias e de
cosméticos. No entanto, com a comprovação dos
benefícios a saúde de alguns óleos, constata-se um
considerável aumento na prescrição de soluções que
levam um ou uma combinação de óleos em suas
formulações. Baseado no estudo das cargas elétricas
e da polaridade das moléculas aromáticas,
descobriu-se que alguns óleos possuem carga elétrica
negativa (relaxante) enquanto outros possuem cargas
elétricas positivas (estimulante). As moléculas
negativas, de acordo com os trabalhos de Franchomme,
são antiinflamatórias e antiespasmódicas – agindo
como atenuadoras de problemas hepáticos, do sistema
nervoso, do sistema gastrointestinal e outros. Já as
moléculas positivas colaboram para o aumento do
nível energético do organismo, por exemplo, sendo
efetivas contra infecções virais, stress,
atenuadoras dos efeitos do câncer e outros.
Óleos Essenciais e suas Propriedades Terapêuticas
Ação antibacteriana: as principais moléculas que
possuem propriedades antimicrobianas comprovadas são
o carvacrol (óleo essencial de tomilho, etc.), o
timol (óleo essencial de tomilho, etc.) e o eugenol
(óleo essencial de cravo, etc.) – todos do grupo dos
fenóis. Logo após os fenóis, em ordem decrescente de
funcionalidade, situam-se os alcoóis monoterpênicos,
tais como o linalol (óleo essencial de manjericão,
etc.), geraniol (óleo essencial de gerânio),
terpineol, mentol (óleo essencial de menta) e
outros, seguindo pelo grupo dos aldeídos, tais como
o citral, geranial (óleo essencial de capim-limão,
etc.), citronelal (óleo essencial de citronela,
etc.), cuminal e outros.
Ação antifúngica: os mesmos grupos listados com a
ação antibacteriana valem para o combate às
infecções fúngicas, embora o tratamento para estes
últimos seja mais demorado.
Ação antiviral: a sinergia entre alcoóis
monoterpênicos com cineol (grupo dos óxidos) é muito
eficiente no tratamento de patologias virais do
trato respiratório. Outro grupo de moléculas cuja
combinação traduz em maior eficácia contra vírus é o
óxido de linalol + linalol, as cetonas, aldeídos e
éteres. Cabe ressaltar que os agentes virais são, em
geral, bastante suscetíveis a ação das moléculas
aromáticas.
Ação antiparasitária: assim como os antibacterianos,
o grupo dos fenóis exerce maior importância. Os
alcoóis monoterpênicos, algumas moléculas do grupo
das cetonas e óxidos também apresentam certas
propriedades comprovadas como agentes
antiparasitários.
Ação inseticida: é do conhecimento popular que a
citronela é um importante agente inseticida. Na
verdade, o componente por trás dessa qualidade é o
citronelal, um aldeído presente tanto na citronela
quanto no eucalipto citriodora, este último muito
cultivado no Brasil. Outras moléculas em destaque
são o eugenol e o aldeído cinâmico (presente na
canela).
Ação antiinflamatória e anti-histamínica: as
moléculas de carga negativa são os principais
componentes desse grupo. O exemplo mais
significativo é o camazuleno (faz parte do óleo
essencial de camomila alemã, cultivada no sul do
Brasil) e o alpha-bisabolol, em evidencia na candeia
(árvore brasileira). Alguns aldeídos, tais como o
citral, citronelal, cuminal e outras moléculas
também apresentam propriedades imunomodulantes. Na
classe dos anti-histamínicos são de particular
relevância o camazuleno e o di-hidro-camazuleno.
Ação expectorante e mucolítica: alguns óleos
essenciais vêm sendo utilizados há muito tempo pelas
suas propriedades expectorantes. Óleos ricos em
cineol, tais como o eucaliptus globulus, alecrim ou
louro são três possibilidades bastante
interessantes.
Ação antiespasmódica: dois grandes grupos apresentam
atividade espasmódica: o grupo dos éteres e dos
ésteres. O primeiro, de carga positiva, tem notável
atividade espasmódica. O segundo grupo, de carga
negativa, tem propriedades antiinflamatórias e
anticonvulsivas.
Agentes antiarrítmicos: algumas moléculas do grupo
dos ésteres também atuam como reguladores cardíacos.
É o caso, por exemplo, dos ésteres contidos no óleo
essencial de ylang-ylang.
Ação analgésica e anestésica: visto que a dor é o
sintoma da doença e não a causa, diferentes tipos de
óleos essenciais vão atuar de forma distinta,
eliminando ou diminuindo a fonte do problema e
atuando como neutralizadores. Por exemplo: o eugenol,
um componente presente no óleo essencial de cravo,
manjericão e outras plantas, é particularmente
efetivo no combate a dores de origem dentária. O
mentol, principal componente da menta, tem maior
eficiência no tratamento de dores de cabeça. Várias
outras moléculas ou óleos essenciais com ações
globais sedativas vão ajudar a acalmar espasmos
(camomila romana ou tangerina) ou atuar como fortes
analgésicos (ylang-ylang).
Ação calmante: os aldeídos contidos nos óleos
essenciais de plantas cítricas e da melissa são
muito aplicados nesse sentido. Alguns estudos
sinalizam atividades hipnóticas ao linalol,
principal componente do pau-rosa ou de alguns
quimiotipos do coentro ou manjericão.
Ação antitumoral: como já pregam diversos autores,
não é possível esperar que o uso exclusivo de óleos
essenciais possa ser uma alternativa ao tratamento
oncológico. Porém, alguns óleos podem atuar de forma
adjuvante, tais como os que possuem lactonas
sesquiterpênicas – a camomila alemã, por exemplo,
possui germacreno, substância que possui atividade
citotóxica contra leucócitos mutantes.
Ação digestiva: as propriedades eupépticas ou
carminativas de diversas moléculas aromáticas fazem
com que elas ajam como estimulantes de apetite e
facilitadores do processo digestivo. Assim o cuminal,
presente no óleo essencial de cominho, e o anetol,
integrante do óleo essencial de anis e de outras
plantas, possuem propriedades carminativas. A
mentona, a carvona e a verbenona têm propriedades
colagogas e coleréticas que ativam a secreção
biliar.
Diversas outras propriedades são referenciadas aos
óleos essenciais, com maior ou menor ênfase, maior
ou menor suporte na literatura científica. Mas é
importante lembrar que ainda há muito a ser
descoberto já que as aplicações médicas dos óleos
essenciais com embasamento científico é uma
tendência ainda recente.
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