|
Os Sacramentos foram instituídos por Cristo e
confiados à Igreja para que sejam levados a
todos os povos. São sinais e meios pelos quais
se exprime e se fortifica a fé, se presta
culto a Deus e se realiza a santificação dos
homens. São evidência do amor e a proximidade
de Deus.
São 7 os Sacramentos: batismo,
eucaristia, confissão, crisma, matrimônio,
ordem e unção dos enfermos.
As ações de amor de Jesus curando os
doentes, perdoando os pecados, impondo as mãos
às crianças e sua entrega total nas mãos do
Pai se prolongam na ação simbólico-sacramental
realizada pela comunidade, em seu nome, na
força de seu Espírito.
Sacramentos são gestos significativos que
expressam e estabelecem a relação profunda com
Deus, a nossa participação no Mistério Pascal
de Jesus Cristo pela ação transformadora do
Espírito.
Estes gestos não funcionam
automaticamente, expressam as nossas vivências
pessoais, comunitárias e sociais mais
profundas, e também uma abertura e uma entrega
a este jogo simbólico que nos é proposto na
liturgia.
A palavra sacramento não é mencionada na
Bíblia; significa "uma maneira de tornar
sagrado", isto é, de fortalecer os laços entre
Deus e o homem. Trata-se de um oferecimento
palpável, feito por Deus, de uma proximidade
com o homem.
O Código de Direito Canônico e a Revisão
Ampla, documentos que ditam as diretrizes da
Igreja, dizem que:
- os ministros não podem negar os sacramentos
àqueles que os pedirem oportunamente, que
estiverem devidamente dispostos e que pelo
direito não forem proibidos de os receber;
- os pastores e fiéis têm o dever de cuidar
que todos os que pedem os sacramentos estejam
preparados para recebê-los, através da
evangelização e catequização;
- os sacramentos são normas da Igreja, de
comunhão eclesiástica e não para o mundo, de
Deus para seus fiéis.
Batismo: o primeiro dos sacramentos
O próprio Jesus instituiu o batismo, segundo
Mateus, juntamente com seu "mandamento
missionário" no Dia da Ascensão. Desde os
primeiros dias do cristianismo, o batismo foi
o passaporte para entrar na comunidade cristã;
é um ato de iniciação. Jesus permitiu que João
Batista o batizasse e assim iniciou sua
missão. O batismo é a porta de entrada na
Igreja, necessário para a salvação, pelo menos
em desejo, e, também, para receber validamente
os outros sacramentos.
A graça batismal é uma realidade rica que
produz o nascimento para a Vida Nova, pelo
qual o homem se torna filho adotivo do Pai,
membro de Cristo, herdeiro do Reino de Deus,
templo do Espírito Santo, incorpora o batizado
à Igreja e redime do pecado original e de
todos os pecados pessoais.
Preparação para receber o batismo
Os pais têm obrigação de cuidar que as
crianças sejam batizadas logo nas primeiras
semanas de vida. Toda comunidade deve oferecer
uma oportunidade aos pais de preparação para o
batismo de seus filhos, levando-se em conta a
necessidade e as condições dos mesmos.
A preparação deve ser entendida como um
conjunto de iniciativas que
promovam pais, padrinhos e batizandos adultos,
não só com doutrinação, mas também com a
inserção na vida comunitária.
A Igreja diz que por ser o batismo um
sacramento que incorpora o batizando à
comunidade, o ideal é que tanto a preparação
quanto a celebração sejam feitos na comunidade
onde os pais ou batizandos adultos moram ou
freqüentam habitualmente.
A comunidade, e todos aqueles envolvidos
no trabalho de evangelização, tem como função
tornar os encontros e os aprendizados
participativos, e fraternos e atualizados, que
levam os participantes a uma comunhão pessoal
com Jesus. É importante usar a sensibilidade e
adequar o conteúdo ao participantes. Antes de
qualquer coisa, é preciso que a comunidade
mostre através de gestos concretos a ação de
Deus e de vivenciar em sua própria vida e na
comunidade esse amor.
Crianças com até 7 anos de idade não
precisam de preparação, mas crianças maiores,
adolescentes e adultos devem ser inseridos na
comunidade para que aprendam a importância dos
sacramentos e vivenciem Deus em seu coração e
em sua vida.
A importância dos padrinhos
Os padrinhos tem como papel levar o
afilhado à luz, encaminhá-lo na estrada de
Jesus e mostrá-lo o valor da fé, do amor e da
caridade. Comumente é convidado um casal, mas
é possível que seja somente um padrinho ou uma
madrinha.
O padrinho que aceitar a tarefa de
encaminhar religiosamente o afilhado deve ter
para si sua importância neste trabalho e deve
fazê-lo de livre escolha.
A Igreja pede que o padrinho escolhido
tenha completado 16 anos de idade, seja
católico, crismado, já tenha feito a primeira
comunhão, participe da comunidade e não seja
pai ou mãe do batizando.
Como é a celebração
O batismo deve acontecer em uma missa
solene e festiva, é mais um filho que está nos
braços de Deus. Todos devem estar cientes da
importância e do momento feliz ao estar
recebendo este sacramento.
Em casos de doença, a Igreja permite que
o batismo seja realizado na casa ou no
hospital da criança. Dá-se preferência também
que o sacramento seja celebrado aos domingos,
o dia do Senhor.
Quando batizados ainda criança, devem ser
encaminhados para seguir a primeira comunhão e
a crisma. Quando adultos, devem ser preparados
e receber de uma só vez os sacramentos de
iniciação (batismo, crisma e eucaristia).
Os pais têm direito a uma certidão que
comprove a sacramentação do batismo.
Crisma: a confirmação do batismo
O sacramento da crisma é a confirmação na fé.
Nós recebemos a graça de Deus, o Espírito
Santo, no batismo que nos transforma em filhos
de Deus. A vida de Deus Pai, Filho e Espírito
Santo está em nós; e através da crisma
recebemos a confirmação dessa vida e uma
presença nova do Espírito Santo que nos dá
força e coragem para vivermos nosso
compromisso com Deus.
Esse sacramento é ministrado quando
estivermos prontos para enfrentar a vida (na
fase adulta ou adolescente). O Espírito Santo
nos dará força e ensinará a viver no amor de
Deus e dos irmãos.
Através da crisma, o Espírito Santo nos revela
os caminhos a seguir e nos inspira em nossa
missão, a fim de colaborarmos na obra da
salvação de todos os homens.
A crisma deve ser orientada pelos pais ou
responsáveis porém deve ser uma decisão
consciente do adolescente ou adulto que irá
recebê-la.
O rito da confirmação compreende 5 etapas:
1- Apresentação do crismando, mostrando sua
importância;
2- Explicação do Sacramento e missão dos
Crismandos;
3- Renovação das promessas, feitas pelos pais
e padrinhos, do Batismo;
4- Invocação do Espírito Santo através da
imposição das mãos
5- O crismando recebe a unção com o óleo do
crisma, recebendo assim o dom do Espírito
Santo.
Como padrinho ou madrinha deve se
escolher um cristão atuante e coerente com
aquilo que a Igreja professa.
Confissão: Deus presente sempre em nossas
vidas
O sacramento da penitência consiste em
confissão, absolvição e ato de contrição.
Na confissão os pecados são relatados a
um padre, que concede o perdão (absolvição) de
Deus ao contrito. O padre estipula atos de
contrição, que em épocas antigas eram muito
severos. Hoje, incluem orações, jejum ou
esmolas por caridade.
A Igreja pede que o cristão se confesse
ao menos uma vez por ano. Os pecados graves
(pecados que nos afastam perigosamente da
amizade com Deus e com os outros) têm de ser
confessados individualmente, em tempo
oportuno.
Jesus deixou a seus apóstolos o poder de
perdoar os pecados. Hoje o padre continua essa
missão, em nome de Jesus, na Igreja. O padre
ajuda no arrependimento e procura através do
diálogo encontrar os caminhos para melhorar a
vivência cristã. Lembra a bondade e a
misericórdia de Deus para com os pecadores
arrependidos.
Como pecadores, o orgulho, o egoísmo, o
individualismo, a omissão enfraquecem a nossa
consciência e nos impedem de reconhecer a
força do pecado e a nossa participação no mal
que existe no mundo, quebrando a unidade entre
as pessoas, desorientando e afastando-nos dos
caminhos de Deus. Com isso passamos a adorar e
servir outros deuses: a riqueza, a ganância, o
poder, o prazer, as drogas, a violência, o
dinheiro, etc. estes deuses se transformam em
ídolos que destroem e matam a vida.
A confissão ou penitência transforma em
novo homem o cristão, deixando sua alma leve e
pronta ao serviço a Deus.
Eucaristia: o mais importante dos
sacramentos
Um pouco de história...
A Páscoa era comemorada antes mesmo de
Jesus dar sua vida por nós. Jesus pertencia ao
povo judeu, que viveu 400 anos de escravidão
no Egito. Quando houve a libertação,
celebraram a Páscoa: passagem da escravidão
para a libertação. Era uma celebração
familiar, uma festa. O pão sem fermento
(chamado pão ázimo) e ervas amargas recordavam
os tempos de escravidão.
Também Jesus celebrou a sua Páscoa em
companhia de seus discípulos. A páscoa a é o
próprio Cristo. Ele é a doação do Pai aos
irmãos. É o novo cordeiro imolado. Ler: Lc 22,
14-20
Um dia antes de oferecer a sua vida para
salvar a humanidade, Jesus celebrou a Páscoa ,
uma refeição em agradecimento e louvor a Deus
pela libertação da escravidão do Egito.
Entre a primeira Páscoa e a definitiva
(celebrada por Jesus) passaram-se cerca de
1300 anos. Durante séculos o povo eleito
esperou por esse acontecimento. Agora a antiga
e a primitiva Aliança se tornou nova e eterna.
A Eucaristia, a partir de então, foi
instituída como uma lembrança atualizada do
único sacrifício de Cristo, no qual ele mesmo
se apresenta como hóstia.
A Eucaristia possui três dimensões: do
passado, como ceia comemorativa de ação de
graças, como recordação da salvação da
humanidade, da morte e ressurreição de Cristo.
Do presente, com Jesus no meio de nós de
maneira sacramental, e do futuro, como
antecipação do banquete do Reino dos Céus. É
antecipação da vinda do Senhor. A Eucaristia
movimenta a vida da comunidade que, no
dia-a-dia, é chamada a buscar constantemente a
comunhão.
A comunhão com o pão e o vinho
eucarísticos tem uma exigência para todo os
participantes dela: a comunhão real com os
irmãos.
Não pode haver Eucaristia sem haver
reconciliação com Cristo. Comer do mesmo pão e
celebrar o mesmo Pai é tarefa dos irmãos. E
isso deve ser feito na família e na
comunidade.
Comungar significa alimentar-se do Corpo,
do Sangue, da alma e divindade de Jesus
Cristo, e antes de mais nada colocar em
prática as palavras de Deus.
A Eucaristia consiste em pão e vinho, é a
cerimônia de um sacrifício, no qual Cristo é
oferecido em expiação a Deus pelos pecados,
portanto também chamada de sacrifício da
missa. Os que participam da cerimônia recebem
a remissão de seus pecados em conseqüência da
morte sacrifical de Jesus.
Matrimônio: uma aliança entre o casal e
Deus
O sacramento do matrimônio é uma aliança,
similar a aliança de Cristo com a sua Igreja.
Deus criou homem e mulher a sua imagem e
semelhança. Desde o dia em que cheios de
ternura e graça o homem e a mulher descobrem
esse amor, tornam-se "companheiros de
eternidade". Por isso consideramos o
matrimônio um sacramento indissolúvel, uma
vocação, um apelo a santidade, onde a oração
conjugal e familiar deve fazer parte do
dia-a-dia do casal e filhos.
O amor entre um homem e uma mulher, como
filhos de Deus, deve possuir respeito,
dignidade e responsabilidade, deve ser
cultivado em sua plenitude. Mesmo nas tensões,
o homem e a mulher crescem em sua humanidade,
cultivando seus dons e fazendo uma experiência
profunda do amor de Deus. Nesse ambiente de
amor e solidariedade acontece a geração de
novas vidas.
A fidelidade é a maior prova de amor.
Deus é fiel para conosco, nunca nega o que nos
prometeu. O matrimônio cria um laço tão
profundo que não imaginamos que ele possa ser
desfeito.
Na Carta aos Efésios 5, 25-33, Paulo
mostra como deve ser a vida e o relacionamento
entre marido e mulher. Uma união edificante e
duradoura.
Ordem: uma prova de confiança no homem
O sacramento da Ordem é a concessão do direito
de administrar os sacramentos da Igreja,
anunciar o Evangelho e ajudar o povo a viver e
a celebrar a sua fé em família e em
comunidade. O ministro ordenado é missionário
da paz, da justiça e da unidade, promove a
palavra de Deus, anuncia o Cristo libertador;
imita Jesus que nasceu, trabalhou e viveu no
meio do povo.
Ser padre é continuar a missão de Jesus,
ajudar os necessitados, orientar e participar
da luta por uma comunidade melhor.
Pelo sacramento da Ordem, o Espírito
Santo chama alguns cristãos para o serviço
ministerial à comunidade, ou seja assumem este
trabalho concretamente.
O ministro ordenado pode ser: Diácono,
Sacerdote ou Bispo.
O Diácono presta serviços em todas as
áreas da Igreja, administra os sacramentos do
Batismo, Unção dos enfermos e Matrimônio. O
Sacerdote é pai espiritual, administra o
Batismo, Matrimônio, Confissão, Eucaristia e
Unção dos enfermos. O Bispo coordena a Igreja
local, a comunicação entre as comunidades e
garante a ligação da Igreja local com a Igreja
universal; administra os sacramentos da Ordem
e Crisma.
Em Mt 10, 1-16 entendemos melhor o que
Deus diz sobre a missão daqueles que são
escolhidos por Jesus e consagrados para servir
a comunidade.
Unção dos Enfermos: força espiritual e
física
A unção se destina a dar aos doentes e
necessitados força espiritual e consolo.
O padre unge a pessoa com óleo quando ela
estiver doente, tiver mais de 60 anos ou ainda
antes de uma cirurgia grave.
Antigamente o óleo era utilizado para
curar os doentes, como uma força de Deus. O
bom samaritano recebeu óleo em suas feridas. O
óleo usado é o que é bento na Quinta-Feira
santa, como sinal de Cristo, que alivia a dor
e restitui a vida. Deus, que nos acompanha
sempre, está do nosso lado com sua graça,
através do sacramento da Unção dos Enfermos.
A doença nos tempos antigos
No tempo de Jesus, a doença era tida como
maldição. Jesus colocou-se contrário a esta
mentalidade: curou muitos doentes e de todos
os males, restituindo ao mesmo tempo a saúde e
a paz. Seus discípulos foram convidados a
fazer o mesmo. A comunidade primitiva viveu
com intensidade esse sacramento.
Com o tempo, esse sacramento que era dado
para restituir a saúde aos doentes, foi sendo
ministrado apenas aos moribundos
inconscientes, como uma espécie de passaporte
para a eternidade. Houve uma redução demasiada
da Unção dos enfermos, que passou a ser
chamada de Extrema-Unção, a partir do século
XII.
Efeitos da Unção dos enfermos
A presença de Cristo leva o doente ao
conforto e a esperança. Assim o necessitado
não se sentirá abandonado.
Ainda o perdão dos pecados, sobretudo em
casos de impossibilidade de confissão, trazem
alento novo a vida do enfermo. Há muitos casos
em que a saúde física é restabelecida.
Oração dos Sacramentos
"Senhor, tu sabias que os homens precisavam de
sinais para te compreender. E por isso não
duvidaste um instante sequer em te tornares
sinal para nós: aceitaste um corpo humano. Mas
foste mais longe ainda: para nos transmitires
a abundância da tua vida divina, usaste sinais
para nós te entendermos melhor. E para que
nunca ninguém pudesse dizer que não te pôde
encontrar, deixaste os sacramentos na Igreja.
Nestes sacramentos, tu te encontras com quem
quiser encontrar-se contigo.
Obrigado, Senhor. É muita bondade tua. Agora
me preparo e faço questão de me encontrar
contigo. Amém!"
Os Sacramentais - Agentes da Graça
Quando usamos com devoção um sacramental,
colocamo-nos sob a proteção das bênçãos da
Igreja.
“A vós, graça e paz da parte de Deus, nosso
Pai, e da parte do Senhor Jesus Cristo!”. (II
Cor 1,2)
A palavra sacramental significa "algo
semelhante a um sacramento", mas há uma grande
diferença entre um e outro. Os sacramentos
(Batismo, Crisma, Eucaristia, Confissão, Unção
dos Enfermos, Ordem, Matrimônio) foram
instituídos diretamente por Jesus Cristo para
dar a graça santificante às nossas almas. Por
meio deles, obtemos a graça santificante que
apaga o pecado ou, então, aumentamos a graça
que já possuímos. Já os sacramentais não
conferem a graça em si, à maneira dos
sacramentos, mas são caminhos que conduzem a
ela, ajudando a santificar as diferentes
circunstâncias da vida. Os sacramentais
despertam nos cristãos sentimentos de amor e
de fé.
Quais são os sacramentais
Os sacramentais podem ser constituídos
por ações ou objetos. Os objetos são, por
exemplo, artigos de devoção consagrados pela
Igreja: velas, palmas, crucifixos, medalhas,
terços, escapulários, imagens do Senhor, da
Virgem e de santos. As ações podem ser as
diferentes bênçãos e exorcismos concedidos
pela Igreja através de seus bispos e
sacerdotes. Algumas bênçãos têm a finalidade
de dedicar alguma coisa ao culto divino, como,
por exemplo, um cálice, um altar ou paramentos
litúrgicos. Outras se destinam à invocação de
proteção e misericórdia de Deus sobre uma
coisa ou pessoa, como um automóvel, um lar ou
um doente.
Outro tipo de sacramental é o exorcismo,
que se dá quando a Igreja exige, em nome de
Jesus Cristo, que uma pessoa ou objeto sejam
protegidos contra a influência do maligno.
Como agem em nós os sacramentais
Quando usamos com devoção um sacramental
como, por exemplo, a água benta ou uma
medalhinha benta, colocamo-nos sob a ampla
proteção da Igreja. Mas essa ação da Igreja só
será eficaz se nos dispusermos a aceitar o
amor da Providência divina e a consciência de
nossa total dependência de Deus. Esta é a
dupla raiz da eficácia dos sacramentais: a
oração da Igreja e a disposição interior de
quem os usa.
A água benta
Um sacramental que nos é muito familiar é
a água benta, que é a água comum abençoada
pela Igreja, tornando-se, assim, um
sacramental. Ao abençoar a água, o sacerdote
dirige-se a Deus dizendo: “Deus eterno e todo
poderoso, quisestes que, pela água, fonte de
vida e princípio de purificação, as nossas
almas fossem purificadas e recebessem o prêmio
da vida eterna. Abençoai esta água para que
nos proteja neste dia que vos é consagrado, e
renovai em nós a fonte viva da vossa graça, a
fim de que nos livre de todos os males e
possamos aproximar-nos de Vós com o coração
puro e receber a vossa salvação”.
Isso é água benta: um elemento comum da
vida cotidiana que a Igreja transformou em
instrumento de graça, embora não portador
direto da graça, como são os sacramentos.
Da utilização da água benta, com devoção,
em nome de Jesus Cristo, nasce o refúgio sob a
Oração da Igreja.
Num lar católico, é bom que haja água
benta além de velas ou círios bentos, bem como
o crucifixo.
O crucifixo e as velas
O crucifixo é um sacramental de
fundamental importância na vida do católico. É
o símbolo que mais claramente nos lembra o
amor de Deus pela humanidade, pois é a imagem
de Seu filho morto na cruz pela salvação dos
homens, levando-nos ao arrependimento das
nossas faltas, atenuando nossas aflições e
contrariedades. É colocado numa parede ou
sobre um móvel e também nos quartos de dormir.
Além do crucifixo, círios, velas ou
lamparinas colocados ao lado da cruz ou em
algum outro lugar da casa, também são
sacramentais muito comuns e, sobretudo,
importantes, pois se representam como símbolo
de Cristo, Luz do Mundo. O uso de lamparinas
ou velas como elementos de culto religioso é
uma prática universal na história da
humanidade. E a Igreja santificou esse
simbolismo prescrevendo o uso de velas na
maioria dos cultos. Durante a Missa, por
exemplo, devem arder duas ou mais velas, o
mesmo acontecendo na administração da maioria
dos sacramentos.
O escapulário lembra nossa dedicação à Mãe
de Deus e nossa Mãe.
O escapulário do Carmo é um sacramental
bastante difundido entre os católicos.
Consiste em duas peças retangulares de lã
marrom, unidas por duas fitas ou cordões
levados sobre os ombros. O costume de usar o
escapulário data da Idade Média, quando os
leigos ingressavam nas ordens religiosas como
“oblatos”, podendo participar das orações dos
monges e também usar o escapulário monástico.
O escapulário mais difundido é o da Ordem
Carmelita. Sua popularidade advém da promessa
que a Virgem do Carmo teria feito a São Simão
Stock (carmelita do século XIII) de que
ninguém morreria em pecado mortal se usasse o
seu escapulário.
O escapulário de pano (cujo nome se
origina da palavra latina scapula, que
significa ombro) pode ser substituído por uma
medalha-escapulário que se traz constantemente
sobre o corpo.
O exorcismo, um sacramental muito especial
O exorcismo é um sacramental pelo qual a
Igreja, em nome de Jesus Cristo, ordena
publicamente e com autoridade, que uma pessoa
ou objeto sejam protegidos contra a influência
do maligno e subtraídos a seu domínio. A
possessão diabólica tornou-se rara porque, por
sua morte, Jesus redimiu a humanidade a anulou
o poder de Satanás. Por essa razão a Igreja é
muito cuidadosa antes de permitir um
exorcismo, procurando averiguar se se trata de
um caso de possessão real ou de um
desequilíbrio mental ou algum outro tipo de
perturbação psíquica.
Só o sacerdote nomeado pelo bispo pode
realizar o exorcismo e a Igreja exige que se
guarde segredo por parte de todos os que dele
participam.
As bênçãos protetoras
Muitos desconhecem a grande abundância de
bênçãos que fazem parte do depósito de
sacramentais da Igreja. Existe uma bênção, ou
seja, uma oração oficial, para, praticamente,
cada ação importante na vida humana ou, ainda,
para cada necessidade humana.
A Igreja abençoa, por exemplo, as
crianças, as mães, os enfermos, a casa, os
alimentos, o pão, os instrumentos, as vestes,
os campos, as plantações, os animais, os
veículos, a escola, as bandeiras, etc. Por
isso, o Vaticano II diz: “... quase não há uso
honesto de coisas materiais que não possa ser
dirigido à finalidade de santificar o homem e
louvar a Deus”.
(Sacrosanctun Concilium, 61).
Bibliografia
A fé explicada – Leo J.Trese- Ed. Quadrante
Doutrina Católica – Pe. Luiz G. da Silveira D’Elboux
– Ed.Loyola Catecismo da Igreja Católica – Ed.
Vozes / Ed. Loyola
|