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O
jogo da sedução
Sirley
R.S. Bittú
E-mail:
sirley.regina@terra.com.br
A
sedução é a expressão da sexualidade, através da
sensualidade. Trata-se do assumir que é alguém que
tem desejos e que é passível de ser desejado.
Sedução implica em ousadia, auto conhecimento,
confiança, segurança, desinibição. É um jogo
relacional onde você dá sinais de que se interessa
pelo outro e torna-se alvo de sua atenção. Todas
as outras atitudes e comportamentos reforçam ou
não o sinal de interesse. Se é correspondido pode
avançar alguns passos e vice versa tudo depende de
seu objetivo, preparo emocional e de sua
capacidade para tolerar frustração.
Culturalmente a sedução masculina sempre foi mais
explícita e a feminina mais escondida. Para os
homens sedução era sinônimo de virilidade e para
as mulheres de promiscuidade e desvalor.
Com as mulheres conquistando ativamente seu espaço
na sociedade e no mercado de trabalho,
consequentemente assumiram mais seu poder e com
ele sua liberdade de ação e atuação de seus
desejos, inclusive sexuais.
Hoje a mulher também escolhe, não é apenas
escolhida, a relação de sedução é mais clara, ela
não precisa ou não deseja ficar mais no papel de
chapeuzinho vermelho ou da bela que dorme,
enquanto seus desejos aguardam ser despertos. Hoje
a mulher está mais para “Mulher Gato” (no filme
I’m Batman) sensual , forte, intrigante e ágil.
Aquela velha fórmula de mulher como sinônimo de
atitudes passivas e homem de comportamentos
ativos, a muito não reflete a realidade social.
O homem também mudou, não é apenas o príncipe
encantado que tem que ser belo, rico, forte e
“sarado” em seu cavalo branco, ele já aceita
dividir a conta do restaurante ou ajudar nas
tarefas domésticas, sem achar que está perdendo
sua masculinidade.
E o medo? O que fazemos com ele? Como sustentar um
olhar sem suar frio, como desmontar o mito -
inconsciente, na maioria das vezes, mas algumas
vezes consciente, fruto de preconceitos culturais
- que paquerar não é sinônimo de promiscuidade,
não é coisa de mulher que não presta, ou de homem
que não vale nada?! É verdade!! Alguns homens
também sofrem com isso.
O medo de se expor se correlaciona com o medo a
crítica, a opinião e avaliação alheia. Algumas
pessoas, geralmente as mais tímidas, carregam um
equívoco importante, deduzem que ser o “bom moço”
ou a “boa moça” significa não desejar nada, apenas
esperar ser desejado ou escolhido, e
consequentemente quem deseja estaria se oferecendo
descaradamente.
Novamente caímos na idéia de bom e mau, mocinho e
bandido. O ser humano é bom e mau, temos as duas
coisas , nossa saúde vem da relação que
estabelecemos com o bom e com o mau que existe
dentro de nós. Esta relação é guiada ela noção de
respeito que desenvolvemos por nós e pelos outros,
e por nosso entendimento de nossos direitos e
deveres como seres vivos e seres sociais.
Desejar é natural e humano, o entendimento que
desejo é algo feio ou imoral advém de uma
sociedade baseada nos contos de fada, na separação
simplista de pureza e impureza, bom e mau, céu e
inferno, que se afasta da realidade humana e pior,
onde a sexualidade torna-se feia e suja.
Obviamente quando me refiro a jogos de sedução, o
estou considerando entre pessoas adultas e
autônomas, e não quando a sedução é usada contra
crianças ou pessoas indefesas, nestes casos,
considero um ato absurdo e covarde.
Vamos desmistificar isso, paquerar como disse
antes, significa mostrar interesse , certo? Este
interesse primeiramente será de conhecer o outro,
não necessariamente é um pedido “transe comigo”, e
mesmo que seja, caberá a você decidir se quer ou
não.
Torna-se mais fácil arriscar quando não se tem
nada a perder e difícil quando não se sabe como
reagirá a uma negativa, se você acredita em si e
em sua capacidade de ser aceito, amar e ser amado,
em seu “taco”, o medo torna-se menor.
Quando vemos um homem bonito flertando com alguém
dizemos ... “ele sabe que é bonito, ” quando o
homem não é tão bonito, mas age com segurança
dizemos..: bonito ele não é mais tem um “q” à
mais... é um homem charmoso.... e com as mulheres
é a mesma coisa.
Algumas pessoas dizem “não sei paquerar” ou quando
mais velhas ...”passei dessa fase, não tenho
coragem, seria ridículo”. O que realmente está em
jogo nessas situações é o medo, medo de não
agradar, medo de não ser aceito, de não ser
interessante, não ser inteligente o suficiente,
bonito o suficiente., magra ou suficiente. A
diferença entre os “paqueradores” dos primeiros
exemplos e estes é como você lida com seu medo, é
claro que o bonitão ou o não tão bonito também têm
medo, mas a diferença é que arriscam, ousam,
tentam, usam sua autoestima como base.
Nossa autoestima é responsável por vários
comportamentos que implicam em segurança pessoal,
portanto, procurar cuidar de sua saúde emocional
conhecer melhor suas características pessoais,
tanto as boas como as más , será sempre o melhor
caminho para seu desenvolvimento e para melhorar
sua qualidade de vida.
O jogo da sedução pode ser algo lúdico e
fortalecedor da auto estima quando utilizado de
forma saudável, afinal de contas, quem não gosta
de uma “massagem” no ego de vez em sempre! |