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Você está sempre tentando modificar seu parceiro?
Sirley
R.S. Bittú
E-mail:
sirley.regina@terra.com.br
Você já tentou ou pelo menos desejou mudar algo em
seu parceiro? Dar uma “arrumadinha” nele...
deixá-lo mais romântico, ou deixá-la mais
econômica, ou mais organizado(a)? Mais objetivo(a)
ou mais sentimental?
Nos relacionamentos algumas vezes chegamos a crer
que estaríamos mais felizes com pessoas que pensam
da mesma forma que nós, ou que possuem as mesmas
crenças e pontos de vista, e de certa forma,
realmente seria mais fácil, pois com esse perfil
as chances de você ser confrontado certamente
seriam menores.
A grande questão é que os relacionamentos que mais
nos estimulam a crescer e a repensar nosso forma
de vida são aqueles travados com pessoas que se
orientam por parâmetros diferentes dos nossos,
pois é com elas que aprendemos a exercitar nosso
conceito de respeito.
Respeito implica em receber e entender o outro a
partir de sua perspectiva, de seu prisma, o que
significa estar na mesma hierarquia, no mesmo
patamar, sentir-se nem maior nem menor que o
outro, apenas fazendo parte de uma relação
simétrica e não complementar.
Desse ponto de vista, sempre teremos a acrescentar
em nossa vida, à medida que possamos nos permitir
entrar em contato com o genuíno que existe em cada
um de nós.
Quando tentamos modificar o outro, sem respeitar
suas particularidades, talvez estejamos buscando
nos relacionar com nosso espelho, impondo nossas
verdades e entendimentos de mundo, numa busca
desesperada de evitar o medo do novo e do
diferente. Para lidar com eles, temos que estar
muito convictos de nossa identidade e de nossas
certezas, e ao mesmo tempo dispostos a checá-las e
consequentemente repensá-las.
Em contrapartida, muitas vezes queremos mudar no
outro o que ele tem de nós; implicamos com a
chatice do outro para não olharmos para a nossa,
olhamos o mau do outro para evitarmos entrar em
contato com o nosso mau interno, implicamos com
sua desorganização para não lidar com nosso
excesso de ordem que muitas vezes nos escraviza.
Nossas escolhas de vida são processos de
amadurecimento e transformação pessoal. A
maturidade emocional passa pela capacidade de
fazer escolhas e lidar com suas conseqüências.
Aprender a apurar nosso foco de atenção, perceber
nossas necessidades, desejos e dificuldades é o
primeiro passo. Em decorrência desse processo
ganhamos a capacidade de sermos assertivos em
nossas atitudes e consequentemente fortalecemos
nossa auto-estima, condição indispensável para
lidar com nossas escolhas.
Sendo assim olhe para seu companheiro(a) não com
os olhos críticos de quem procura defeitos a serem
corrigidos, mas com os olhos de quem está pronto e
aberto a conhecer outras formas de existir. |