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Você está pronta? A gestação do papel de mãe
Sirley
R.S. Bittú
E-mail:
sirley.regina@terra.com.br
Uma mulher quando deseja ser mãe muitas vezes
enfrenta alguns medos e as perguntas mais
freqüentes são: Será que vou dar conta?
Conseguirei oferecer ao meu filho todo carinho e
amor de que ele necessitará?
Serei paciente o suficiente? Conseguirei gerar um
filho?
Conseguirei gerar um filho perfeito? Conseguirei
educá-lo sem traumas?
Conseguirei sustentá-lo? Saberei cuidar dele
fisicamente?
E os primeiros banhos? E o umbigo?
Conseguirei protegê-lo da violência dos nossos
tempos?
Repetirei com meu filho o que vivi como filha?
Algumas vezes o pavor é tanto que algumas mulheres
desistem de tentar ou muitas vezes nem conseguem
engravidar.
Quando experimentamos um novo papel, deparamo-nos
com sentimentos, necessidades e percepções
totalmente novas, pois o tipo de papel que estamos
tentando desenvolver nos é desconhecido de maneira
profunda. Cada papel novo que desempenhamos traz
consigo outros papéis relacionados, como nesse
caso o papel de mulher, de mãe e de filha. Só é
possível assumir o papel de mãe quando
conseguirmos deixar o papel e filha, e o que isso
significa? Implica em assumir a responsabilidade
sobre nossas vidas, passar do papel de “ser
cuidado” para o papel de “cuidador”. É quando
naturalmente nos tornamos mães e pais de nossos
pais.
Em outras palavras a condução desse processo está
relacionada a nossa segurança interna e
auto-estima.
O papel de mãe se fortalece sustentado pela
própria capacidade da mulher de sentir-se
fortalecida com suas características, mesmo
estando consciente daquelas características que
não gosta tanto.
Durante a vida, todos nós somos solicitados a
treinar esse papel de alguma forma; mesmo os
homens. Isto acontece quando nos percebemos sendo
generosos, afetivos, espontâneos e criativos não
apenas em relação aos outros mas também em relação
a nós mesmos. Acredito que é o que mantém a
esperança na natureza humana.
Nossa vivência de ser acolhido, certamente nos
fortalece e nos ensina a acolher o outro. Podemos
ter essa experiência, não apenas nas relações que
tivemos com nossas “mães de origem”, mas em todas
as relações afetivas que estabelecemos durante
nossas vidas.
Algumas vezes a maternidade chega sem sobreaviso
trazendo à vida de algumas mulheres, muitas vezes
ainda meninas, uma mistura de sentimentos, um
emaranhado confuso entre amor, raiva, culpa,
desespero, insegurança e principalmente medo.
Ainda são apenas filhas e muitas vezes não estão
prontas para assumir essa tarefa, precisando de
todo tipo de ajuda e principalmente de suporte
emocional.
E nossas dúvidas, há respostas para essas
perguntas? Quando tentamos responde-las, caímos no
caos do desconhecimento, no escuro, no duro limite
de nossa potência e impotência sobre nossas vidas,
pois não temos como garantir que teremos dinheiro
para alimentar o filho, por exemplo, ou que
conseguiremos evitar um assalto, um seqüestro ou
um atropelamento, e somos então invadidos pelo
medo e pelo pavor. A sociedade faz da violência
uma constante em nossos dias, limitando nossas
vidas e nossos desejos.
Então o que temos? Temos o que sempre tivemos:
nossa disponibilidade e nosso amor. O ser
humano nunca teve, e dificilmente terá, o total
controle sobre os acontecimentos, as frustrações e
as dores que inevitavelmente passamos durante
nosso caminho de desenvolvimento; o que temos é a
certeza de que faremos o que estiver ao nosso
alcance, pois daremos o nosso melhor e com isso o
medo não desaparecerá por completo, mas se
transformará apenas em nossa cautela, prudência e
sensatez que nos protegerão e nos acalentarão.
Maternidade é uma dádiva, e como tal, exige
responsabilidade e comprometimento de quem gera;
trata-se de um comprometimento com a vida, um
pacto de amor e dedicação e para tanto a mulher
deve sentir-se preparada e estar disposta, para
esse belo ato de coragem e fé. |