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Você
tem Medo do escuro? de baratas? Do que você tem
medo?
Sirley
R.S. Bittú
E-mail:
sirley.regina@terra.com.br
MEDO
palavrinha conhecida de todos nós, quem já não
teve medo de algo? Inúmeras pessoas sofrem com
seus medos, mas poucas são capazes de admiti-los,
principalmente para não se sentirem infantis ou
ridículas.
Há vários tipos de medos, aqueles que sabemos
porque existem e aqueles que nem imaginamos de
onde vêm. Nas duas alternativas nos sentimos
impelidos a fazer algo. Algumas vezes o medo é tão
terrível que algumas pessoas simplesmente travam,
como se perdessem as forças para enfrentá-lo.
Outros reagem ao impulso agredindo seu provável
agressor. As reações dependem de um conjunto de
características pessoais onde se incluem sua forma
particular de entendimento do mundo e suas
características de personalidade influenciadas
pela saúde emocional de cada um.
Paradoxalmente o medo nos serve como parâmetro
quando está aliado a dados de realidade, nesse
caso, damos a ele o nome de cautela, sensatez e
até mesmo maturidade.
Em outros momentos o medo está relacionado a nossa
área da ilusão e da fantasia. O medo do escuro, de
baratas, de ratos, ou até mesmo da morte, nasce da
mesma matriz, a sensação de fragilidade e da
necessidade de se proteger, correlaciona-se a
nossa autopsiam e às nossas crenças. Mas não
podemos esquecer que estamos falando de um
sentimento e portanto é dominado pela esfera das
emoções e não da razão.
É comum ouvir frases do tipo “racionalmente eu sei
que a barata nada pode fazer contra mim, mas, é
algo mais forte que minha razão, o medo toma conta
de tal forma que perco o controle, corro, grito e
se não tiver como fugir, chego até a desmaiar”...
esses e outros relatos são comuns no consultório
quando falamos de medos.
Alguns dos caminhos utilizados para tratá-los em
psicoterapia, é a busca de significados
associados, geralmente um medo está entrelaçado a
uma cadeia de significados. Para facilitar a
compreensão imaginem uma cebola: a camada mais
visível seria a fonte de temor (barata, bola,
bexiga, água, namorar, dirigir etc...), e as
outras, até chegar ao miolo seriam os outros
significados associados. O núcleo ou o que gerou o
problema relaciona-se à sua história de vida, ou
seja, os fatos propriamente ditos, captados pelas
“lentes” de suas características pessoais, por
exemplo, sua forma de vivenciar, perceber e
entender os acontecimentos. No Psicodrama
utilizamos jogos, trabalhos em grupo,
dramatizações e psicodramas internos para atingir
esses esclarecimentos, ao passo que se trabalha a
percepção de si, o autoconhecimento o
fortalecimento da auto-estima, e da autonomia.
Fantasia e realidade, mundo interno e mundo
externo, são considerados dinamicamente.
Era prática comum associar medos a “coisas de
criança”, ou “coisas de mulher”, subestimando os
males causados por esse sentimento e ao mesmo
tempo associando um caráter de fragilidade àqueles
que o assumissem. Isto fez (e ainda faz) com que
muitas pessoas deixassem de falar sobre seus
sentimentos e principalmente demorassem para
descobrir que os medos podem ser tratados e
resolvidos a medida que aprendemos a lidar com
eles. Muitos homens sofreram e ainda sofrem com
esse preconceito, mas felizmente na atualidade as
pessoas estão cada vez mais voltadas a buscar uma
melhor qualidade de vida, buscando ajuda para suas
questões com profissionais especializados.
O medo é o termômetro humano para a preservação e
proteção da própria espécie, quando passamos a
evitar a vida (como se fosse possível) por medo de
vivê-la, estamos “usando” esse sentimento
nocivamente.
Portanto se você tem algo que lhe incomoda,
qualquer tipo de medo, não importa se for de
bichos, coisas, objetos, ou mesmo de se relacionar
não deixe de procurar ajuda, pois certamente você
estará trabalhando em prol de sua liberdade,
transformando sua vida num caminho mais prazeroso
e feliz.
Considero este tema muito amplo e interessante,
neste artigo abordei apenas algumas faces desta
questão, existem obviamente outros graus de medo
muito mais limitantes como o Pânico e outros tipos
de Fobias por exemplo, que abordarei nos próximos
artigos. |