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Como desenvolver nossa Auto-estima
Sirley
R.S. Bittú
E-mail:
sirley.regina@terra.com.br
Quando somos crianças necessitamos da opinião de
nossos pais (ou daqueles que desempenham esse
papel) para nos sentirmos confirmados no mundo,
aceitos e “normais”, tanto perante os outros, como
perante nós mesmos. Conforme vamos crescendo, a
opinião de outras pessoas a respeito de nossas
idéias e atitudes também se torna importante,
afinal, somos seres sociais.
É nessa relação entre nosso mundo interno e o
mundo externo que desenvolvemos nossa auto-imagem.
O esperado é que gradativamente essa imagem possa
ser checada com nossa própria avaliação de nossos
potenciais e de nossos limites, a partir de uma
percepção mais assertiva e cuidadosa de nossas
verdades.
A auto-estima é um processo dinâmico que se inicia
na infância e continua vivo durante toda a vida. É
base significativa de toda nossa estrutura
emocional, por isso é tão importante entender e
tratar essa questão.
Durante nosso desenvolvimento, aprendemos a nos
relacionar afetivamente a exemplo das relações que
vivenciamos durante nossa vida. Sabemos que temos
um pouco de nossos pais e das figuras afetivas que
nos acompanharam em nossa infância e que estes
serão por muito tempo nossos modelos e nossas
referências. A família é nosso primeiro grupo
social e nos fornece os parâmetros que
necessitamos para nos relacionar socialmente.
Construímos com essas vivências nosso brasão
pessoal, permeado por mitos e verdades sobre nós
mesmos e sobre o mundo. Nosso autovalor é formado
ao longo do tempo, desde muito cedo, através da
confirmação - ou não - de nossas atitudes, nosso
comportamento, nossos desejos e nossas escolhas.
Durante nossa infância precisamos ser confirmados,
ou, poderíamos dizer melhor, “alimentados”, pelo
amor incondicional, recebido geralmente de
nossos pais. Desta forma abrimos espaço para a
segurança interna, a autoconfiança e
conseqüentemente a autonomia e a independência.
Para isso a qualidade da relação afetiva
estabelecida com nossos pais faz muita diferença,
tendo papel fundamental na confiança que temos
nesse feedback.
O amor incondicional traz consigo a aceitação do
outro e de seu “pacote completo”, com todos os
seus “defeitos” e “qualidades”, mas o limite entre
aceitação plena e a permissividade torna-se tênue
e muitas vezes de difícil entendimento. Para
exemplificar, vamos imaginar alguns pais que no
difícil exercício do educar, erram pelo excesso,
oferecem tudo sem pedir nada em troca, não ensinam
o advento da gratidão. Como resultado podem dar
origem a pequenos tiranos, crianças egocêntricas e
prepotentes, que fatalmente sofrerão para entender
que o mundo é maior que a extensão de sua casa.
Outro engano comum no entendimento do amor
incondicional é a ausência de limites. Alguns pais
simplesmente não conseguem colocar limite, muitas
vezes por medo de frustrar a criança e com isso
perder seu amor, deste modo dão a criança uma
idéia equivocada de que tudo lhe é possível e
permitido. O que muitos desconhecem é que o limite
utilizado como parâmetro e não como simples
cerceamento, é extremamente importante para o
desenvolvimento da noção de respeito, pois tem
papel essencial para ajudar a criança a perceber
suas características próprias, dificuldades, seu
potencial, sua existência e a existência do outro.
Durante a adolescência a confirmação ainda é
buscada fora de si, no amigo, nos grupos, nos
“iguais”; é a idade dos ídolos, das modas e do
“papo cabeça”. Cada pessoa vivencia essa fase a
seu modo, variando conforme sua história de vida e
sua personalidade.
Desta forma vamos aprendendo como somos
importantes para o mundo e descobrindo nosso valor
pessoal. Algumas vezes esse processo não ocorre
como esperado, surgindo daí crianças, adolescentes
e adultos inseguros, insatisfeitos e muitas vezes
rancorosos com maior ou menor estima por si e
pelos outros.
Uma das formas de reparar a “baixa” auto-estima, é
buscar através do processo de aprofundamento seu
autoconhecimento (psicoterapia), desenvolver um
outro olhar sobre si mesmo, muitas vezes um
primeiro olhar positivo sem préconceitos,
num processo de revelação de suas características;
aprendendo a fazê-las trabalhar a seu favor,
descobrindo desta forma, quem realmente somos,
quais os desejos, medos, necessidades, potenciais
enfim, sua singularidade. |