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Porque é tão difícil falar em público?
Sirley
R.S. Bittú
E-mail:
sirley.regina@terra.com.br
A
comunicação é inerente ao ser humano. Precisamos
falar, expressar nossas idéias e sentimentos e nem
sempre nos sentimos preparados para isso. Nas mais
variadas situações que vivenciamos, desde uma
reunião informal, um encontro com amigos, ou nos
desafios profissionais, somos solicitados de forma
direta ou indireta a colocar nossas idéias,
objetivos, a compartilhar nossa forma de pensar e
perceber o mundo, nossos significados e
significantes.
O falar em público, pode tornar-se um grande
sofrimento tanto emocional como físico, pois está
relacionado ao medo humano de não ser aceito e não
ser respeitado. Para seres sociais como nós, a
aceitação e o respeito do outro interferem
diretamente no desenvolvimento do nosso senso de
existência, daí ser um assunto tão amplo e
complexo.
O falar em público é para algumas pessoas, uma
situação tão ameaçadora que o corpo lança mão de
todas as alternativas possíveis para proteger-se.
São comuns os relatos de sensação de tremor,
taquicardia, sudorese, dores estomacais, dores de
cabeça entre outros sintomas físicos. Lembro-me de
uma cena que um cliente me trouxe, referindo-se à
sua experiência traumática de falar em público...
“Senti-me como uma lebre preste a ser atacada
por aquele bando de leões!... Só no que conseguia
pensar era em como eram eternos aqueles minutos...
Não conseguia lembrar-me de uma linha do trabalho
que preparei durante dias para apresentar!...
Neste exemplo, o medo perdeu sua função natural de
proteger a pessoa e a paralisou, bloqueando o
acesso a seu arsenal de conhecimento que traria
com ele toda a segurança e tranqüilidade
necessárias para executar a tarefa que se propôs.
Todas as possibilidades de usar seus recursos
próprios para sair daquela situação desapareceram,
como se o indivíduo perdesse durante aquela fração
de segundos sua identidade.
O conhecimento que “colecionamos” durante nossa
vida, nos define e com isso nos norteia em nossas
escolhas e atitudes. O conhecimento que temos de
nosso íntimo, de nossos desejos, gostos,
características, potenciais e limitações é o que
nos dá a sensação de força ou de fragilidade
perante os desafios que surgem na vida.
A segurança é um sentimento construído a partir
deste tipo de conhecimento pessoal, e a
insegurança é construída por nossos mitos, nossas
verdades inquestionáveis e principalmente nossos
medos. Em situações de stress, alguns indivíduos
geralmente perdem esse link interno, essa bússola
pessoal, perdendo os próprios parâmetros. Nesse
momento os medos e as fantasias tomam conta
trazendo um espaço onde o outro (ou os outros)
sempre ocupa um papel de perseguidor forte,
destemido, feroz e principalmente cruel.
Outro ponto importante na dificuldade de falar em
público, além da insegurança interna, é a busca
por um modelo construído por nossas idealizações e
fantasias do perfeito, imaginário e que não é
real. A ilusão é necessária para o desenvolvimento
emocional pois precisamos do sentimento de
segurança que ela proporciona, a realidade é
necessária, pois precisamos da objetividade que
ela nos traz, nos dando a sensação de existir
concretamente, sermos vistos, olhados amados, e
aceitos, traz consigo a certeza de existirmos. A
maturidade emocional conta com esses dois pontos
de apoio, pois da área da ilusão nascem a fantasia
e a esperança que auxiliam e aconchegam e da área
de realidade nasce o mundo objetivo que dá
segurança e concretude.
São inúmeras as situações onde o medo atua desta
forma; o conhecido “branco” que aparece em
situações de testes ou avaliações das mais
diversos é o mais comumente relatado entre esses
sintomas. O medo da exposição está ligado ao medo
da avaliação negativa, da reprovação e
principalmente do ridículo.
Todos esses medos fragilizam a coragem e a
autodeterminação, travando os conhecimentos que o
indivíduo possui sobre si mesmo, seus valores e
suas competências, tornando-os inacessíveis.
E de onde nasce isso tudo?
A forma como nos apresentamos no mundo, está
diretamente relacionada à percepção que temos
sobre nós mesmos, cada detalhe que compõe essa
apresentação está carregada de mitos e verdades
pessoais, características e peculiaridades,
construídas ao longo de nossas vidas. Como nos
vestimos ou como utilizamos as palavras, nossos
gestos, gostos e preferências, contam um pouco de
nós, de nossa cultura e de nossas crenças.
E qual o caminho par resolver essa dificuldade?
O caminho mais eficaz é o desenvolvimento de sua
auto-estima e o fortalecimento de sua segurança
interna, buscando identificar e desatar os mitos
pessoais que interferem negativamente em sua auto-percepção.
Este é um caminho de auto-conhecimento
e pode ser feito através da psicoterapia. Neste
processo você terá um espaço protegido para cuidar
dessas e de outras questões de ordem emocional que
muitas vezes atravancam sua vida, trazendo
sofrimento e impedindo seu desenvolvimento
pessoal.
Da mesma forma que procuramos um especialista para
tratarmos das dores do corpo, muitas vezes
precisamos de um especialista para tratar das
dores emocionais, ajudando a tornar nossa vida
mais prazerosa e feliz. |